Quem é Stephen Miller
Stephen Miller é um assessor político americano, nascido em 23 de agosto de 1985 em Santa Monica, na Califórnia. Formado em ciência política pela Universidade Duke, trabalha com Donald Trump desde a campanha presidencial de 2016 e é apontado como o principal arquiteto das políticas anti-imigração dos dois governos dele. O g1 o descreve como o "pai do muro" na fronteira com o México.
Desde 20 de janeiro de 2025, Miller é vice-chefe de gabinete da Casa Branca para políticas públicas e assessor de segurança interna. Em 6 de novembro de 2026, Trump anunciou que ele seria o novo chefe de gabinete a partir de 9 de novembro.
Chefe de gabinete da Casa Branca
Trump anunciou a escolha na Truth Social, onde chamou Miller de "um dos meus conselheiros mais confiáveis". Ele substitui Susie Wiles, primeira mulher a ocupar o cargo, que passa para a operação política de Trump. O presidente escreveu que Wiles fez "um trabalho excepcional".
A troca veio três dias depois de os republicanos perderem o controle da Câmara e do Senado nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro. Segundo a Axios, Wiles entregou o pedido de demissão na noite de 5 de novembro. Fontes ouvidas pelo site descrevem a saída como uma decisão de comum acordo, motivada pelo resultado eleitoral, pelo qual Trump a responsabilizava. Um conselheiro de Trump disse à Axios que o presidente precisa se preparar para uma "guerra" contra as investigações dos democratas no Congresso e que Miller é "um conselheiro de tempos de guerra".
O anúncio dividiu os republicanos. O vice-presidente JD Vance falou em "promoção merecida". O deputado republicano Don Bacon disse à CNN que Miller "não é uma boa escolha" e que custou ao partido cadeiras no Texas e no Arizona ao afastar eleitores hispânicos. Chuck Schumer, líder democrata no Senado, disse que Trump "não entendeu nada" com a derrota. O deputado democrata Robert Garcia, da Comissão de Supervisão da Câmara, prometeu investigar Miller.
Quem é a esposa de Stephen Miller
Miller é casado com Katie Miller, nascida Katie Waldman em 1991. Os dois se casaram em fevereiro de 2020 no Trump International Hotel, em Washington, com a presença de Trump, e têm quatro filhos.
Katie Miller foi secretária de imprensa e depois diretora de comunicação do então vice-presidente Mike Pence, entre 2019 e 2021. Em janeiro de 2025, tornou-se diretora de comunicação do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE). Saiu em maio daquele ano e continuou trabalhando com Elon Musk. Em agosto de 2025, anunciou um podcast voltado a mulheres republicanas.
Trajetória política
Miller já defendia posições conservadoras na escola, em Santa Monica, onde criticava o que via como falta de patriotismo e participava de um programa de rádio local. Na Universidade Duke, liderou o grupo Duke Conservative Union e defendeu publicamente três jogadores de lacrosse acusados de estupro, em um caso depois reconhecido como falsa acusação.
Depois de se formar, em 2007, foi secretário de imprensa dos deputados republicanos Michele Bachmann e John Shadegg. Em junho de 2009, passou a trabalhar com o senador Jeff Sessions, do Alabama, com quem atuou contra a reforma migratória de 2013. Nesse período, aproximou-se de Steve Bannon.
Em janeiro de 2016, entrou na campanha de Trump como assessor sênior de políticas e passou a escrever os discursos do candidato. De 2017 a 2021, foi assessor sênior do presidente e diretor de redação de discursos da Casa Branca. Entre os dois governos, criou a America First Legal, organização conservadora de litígio anunciada em março de 2021.
Políticas de imigração
Miller teve papel central nas medidas migratórias mais contestadas do primeiro governo Trump:
- Veto de entrada de 2017: barrou por 90 dias cidadãos de Síria, Irã, Iraque, Líbia, Somália, Sudão e Iêmen. Uma versão modificada foi mantida pela Suprema Corte.
- Separação de famílias: a política de "tolerância zero" de 2018 afastou milhares de crianças dos pais na fronteira. Trump encerrou a prática por decreto depois da reação pública.
- Muro na fronteira com o México: a obra terminou inacabada.
- DACA: Miller fez campanha para acabar com o programa que protegia imigrantes levados aos Estados Unidos quando crianças.
No segundo governo, ele conduz a campanha de deportação em massa. Em maio de 2025, disse à Fox News que o governo tinha a meta de pelo menos 3 mil prisões por dia pelo ICE, a agência de imigração. Também tentou acabar com a cidadania por nascimento, sem sucesso. Em setembro de 2026, o Guardian revelou que ele lidera um esforço de vários órgãos do governo para acelerar a remoção de crianças imigrantes sem documentos, que críticos chamam de cruel e racista e dizem violar a lei federal em alguns casos.
Atuação no segundo governo Trump
A influência de Miller vai além da imigração. Segundo a Atlantic, ele comandou a ofensiva do governo contra universidades de elite, como Harvard e Columbia. Também liderou a federalização da Guarda Nacional de Washington e, como assessor de segurança interna, separou o Conselho de Segurança Interna do Conselho de Segurança Nacional.
Na política externa, defendeu a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e disse à CNN, em janeiro de 2026, que os Estados Unidos tinham o direito de tomar a Groenlândia. Em março de 2026, afirmou a líderes militares latino-americanos, na sede do Comando Sul, que os cartéis "só podem ser derrotados com poder militar".
Ligações com bolsonaristas
Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Miller é um dos contatos do ex-deputado Eduardo Bolsonaro na Casa Branca. Ele também conhece Filipe Martins, ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro, desde o primeiro governo Trump. Martins cumpre pena depois de condenado no processo da trama golpista.
Ainda segundo a coluna, Miller encorajou Martins a abrir um processo na Justiça da Flórida para obter explicações sobre o registro de seu nome na alfândega americana no fim de 2022. A alegação era de que Martins teria viajado aos Estados Unidos com Bolsonaro naquele momento, o que ele nega.
Polêmicas
O Southern Poverty Law Center classifica Miller como extremista anti-imigração. Em 2019, a entidade divulgou e-mails atribuídos a ele que mostrariam apoio a sites e ideias nacionalistas brancos, o que levou parlamentares democratas a pedir sua saída do governo.
Miller foi um dos principais defensores da tese, sem provas, de que a eleição de 2020 foi roubada. A comissão da Câmara que investigou o ataque ao Capitólio de 6 de janeiro o intimou, e ele depôs a portas fechadas. O Departamento de Justiça também o intimou em 2022, e uma juíza federal o obrigou a depor em março de 2023.
Em janeiro de 2026, depois das mortes de Renee Good e Alex Pretti por agentes de imigração em Minneapolis, Miller chamou os dois de "terroristas". Mais tarde, recuou da declaração sobre Pretti.
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