Daily Journal
Daily Journal

Aleksandar Vučić

Aleksandar Vučić é um político sérvio, fundador do Partido Progressista Sérvio (SNS), ministro da Informação de Milošević, primeiro-ministro de 2014 a 2017 e presidente da Sérvia de 2017 a 2026. Depois de dois anos de protestos estudantis iniciados com o desabamento da estação de Novi Sad, renunciou em setembro de 2026 para disputar o cargo de primeiro-ministro. Na eleição de 25 de outubro, sua lista teve 39,17% e 103 cadeiras, perdeu para a Lista Estudantil, e ele admitiu a derrota.

Daily Journal
Foto: Oliver Bunic / CC BY 4.0

Atualizado em

|||2 revisões

Quem é Aleksandar Vučić

Aleksandar Vučić é um político sérvio que dominou a política do país de 2012 a 2026. Foi primeiro-ministro da Sérvia de abril de 2014 a maio de 2017 e presidente de 31 de maio de 2017 até 27 de setembro de 2026, quando renunciou para disputar o cargo de primeiro-ministro. Na eleição parlamentar de 25 de outubro de 2026, sua lista perdeu para a Lista Estudantil, formada pelo movimento que protestava contra o governo desde o fim de 2024, e ele admitiu a derrota na mesma noite.

  • Nascimento: 5 de março de 1970, em Belgrado, então parte da Iugoslávia.
  • Formação: direito pela Universidade de Belgrado, em 1994.
  • Partido: fundou em 2008 o Partido Progressista Sérvio (SNS), que presidiu de 2012 a 2023. Antes, foi do Partido Radical Sérvio, ultranacionalista.
  • Cargos: ministro da Informação (1998–2000), primeiro vice-primeiro-ministro (2012–2014), primeiro-ministro (2014–2017) e presidente (2017–2026).
  • Hoje: encabeçou a lista do SNS, que vai para a oposição pela primeira vez em quase 14 anos, com 103 das 250 cadeiras da Assembleia Nacional.

Renúncia à presidência

Em junho de 2026, depois de um ano e meio de protestos liderados por estudantes, Vučić anunciou que deixaria a presidência em poucas semanas. Em 5 de setembro de 2026, o SNS o indicou por unanimidade como candidato a primeiro-ministro e cabeça da lista "Aleksandar Vučić – Sérvia Unida". Em 9 de setembro, ainda presidente, ele dissolveu a Assembleia Nacional e convocou eleições antecipadas para 25 de outubro.

Críticos disseram que um presidente em exercício à frente de uma lista dava vantagem à coalizão do governo; em 16 de setembro, a Comissão Eleitoral da República rejeitou quatro queixas, uma delas contra o nome do presidente na lista. Vučić disse que a lei não o obrigava a renunciar, mas que não queria fazer campanha para primeiro-ministro sendo presidente. Fez na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o que chamou de seu último discurso como presidente e renunciou em 27 de setembro de 2026. No mesmo período, perdoou 49 pessoas, entre elas 23 condenadas por envolvimento nos protestos, segundo a Al Jazeera. A presidente da Assembleia, Ana Brnabić, assumiu a presidência interinamente.

Eleições na Sérvia em 2026 e a derrota

YouTube

Serbia’s leader Aleksandar Vučić toppled from power by student-led mass protest movement | BBC News

Pelos resultados preliminares da Comissão Eleitoral da República, divulgados em 28 de outubro de 2026, a Lista Estudantil teve 52,71% dos votos e 141 cadeiras, e "Aleksandar Vučić – Sérvia Unida", 39,17% e 103 cadeiras, segundo a revista sérvia NIN. Só quatro listas de minorias entraram também na Assembleia: a Aliança dos Húngaros da Voivodina e a Coalizão Albanesa, com duas cadeiras cada, e a lista de Rasim Ljajić e o Partido da Ação Democrática do Sandžak, com uma cada. O Partido Socialista da Sérvia, aliado de Vučić, ficou abaixo da cláusula de barreira, com 2,18%. O comparecimento foi de 68,78%, o mais alto em mais de 30 anos.

Vučić reconheceu a derrota às 21h35 da noite da eleição, cerca de uma hora e meia depois do fechamento das urnas: "com base na amostra estratificada, está claro que perdemos a eleição", disse, segundo a Euronews e a BBC. Afirmou que o SNS vai "mostrar a eles o que é oposição" e que, embora alguns empresários devam deixar o partido, a estrutura da legenda é "muito sólida". A cobertura completa está em Eleições na Sérvia 2026.

Protestos estudantis e o desabamento em Novi Sad

A crise que levou à queda de Vučić começou em 1º de novembro de 2024, quando a marquise de concreto da estação ferroviária de Novi Sad desabou e matou 16 pessoas. O acidente desencadeou protestos em Novi Sad que se espalharam pela Sérvia, liderados por estudantes, que cobravam responsabilização pelo desabamento e também protestavam contra a corrupção e a censura à imprensa. Vučić chamou os manifestantes de "terroristas".

Não foi a primeira onda de protestos contra ele. A eleição de 2017 provocou manifestações que o acusavam de levar o país ao autoritarismo; entre o fim de 2018 e o início de 2019, milhares foram às ruas contra a corrupção; em julho de 2020, a volta do confinamento da covid-19 gerou protestos reprimidos pela polícia; e em maio de 2023, depois de dois tiroteios em massa, houve grandes atos contra o governo. Em 2019, a Freedom House rebaixou a Sérvia de país "livre" para "parcialmente livre", citando eleições piores, assédio a jornalistas independentes e o acúmulo de poder executivo por Vučić além do que a Constituição prevê para o presidente.

Carreira política

Vučić entrou em 1993 no Partido Radical Sérvio (SRS), de linha ultranacionalista e defensor de uma "Grande Sérvia", e foi eleito deputado no mesmo ano. Durante a Guerra da Bósnia, visitou posições do Exército da República Srpska no cerco de Sarajevo. Tornou-se secretário-geral do partido em 1995.

Como ministro da Informação, de março de 1998 a 2000, no governo de Mirko Marjanović, sob Slobodan Milošević, adotou medidas restritivas contra a imprensa: multas para jornalistas que criticavam o governo e a proibição de emissoras de TV estrangeiras. Depois do início do bombardeio da Otan à Iugoslávia, em março de 1999, mandou os jornalistas de países da Otan deixarem o país. Em 2016, disse que tinha errado e mudado.

Em setembro de 2008, deixou o SRS com Tomislav Nikolić, que rompeu com o partido por apoiar a entrada da Sérvia na União Europeia, e fundou com ele o SNS, do qual foi vice-presidente. Passou a se distanciar das posições antigas: em 2010, chamou o massacre de Srebrenica de "crime horrível". O SNS foi o partido mais votado em 2012 e formou governo com o Partido Socialista. Vučić foi primeiro vice-primeiro-ministro de julho de 2012 a abril de 2014, acumulando o Ministério da Defesa até setembro de 2013, e assumiu a presidência do SNS.

Na eleição de 2014, a coalizão do SNS ganhou 158 das 250 cadeiras, e Vučić virou primeiro-ministro. Fez um ajuste fiscal com cortes de salários e aposentadorias no setor público e fechou em 2015 um acordo preventivo de 1,2 bilhão de euros com o FMI. Antecipou a eleição de 2016, que o SNS venceu com 48,25% dos votos. Em 2017, foi eleito presidente no primeiro turno, com 56,01%; em 2022, foi reeleito com 58%. Em março de 2025, registrou o Movimento pelo Povo e pelo Estado, anunciado em 2023.

Relações com a União Europeia, a Rússia e a China

A Sérvia é candidata à adesão à União Europeia, e os primeiros capítulos das negociações foram abertos em 2015, com Vučić à frente da delegação sérvia. Ao mesmo tempo, ele manteve relações próximas com a Rússia de Vladimir Putin e com a China.

  • Rússia: a Sérvia não aplicou sanções à Rússia depois da invasão da Ucrânia, em 2022. Em 24 de fevereiro de 2025, Vučić pediu desculpas depois de a Sérvia votar a favor de uma resolução da Assembleia Geral da ONU que chamava a Rússia de agressora; disse que o país deveria ter se abstido. Em junho de 2025, visitou a Ucrânia pela primeira vez desde a invasão, numa cúpula em Odessa, e defendeu a integridade territorial ucraniana.
  • China: encontrou-se com Xi Jinping em 2016, 2018 e 2019, recebeu da China vacinas e equipamentos contra a covid-19 e assinou um acordo de livre comércio com o país em outubro de 2023.
  • Kosovo: participou das negociações mediadas pela União Europeia com o Kosovo e defendeu o Acordo de Bruxelas. Em 2019, disse no Parlamento que a Sérvia já não controlava o território. Em 4 de setembro de 2020, assinou na Casa Branca, com Donald Trump, um acordo de normalização econômica com o Kosovo.
  • Bálcãs: em 2019, lançou com a Albânia e a Macedônia do Norte a zona de cooperação econômica que depois se chamou Bálcãs Abertos.

Críticos descrevem o governo de Vučić como autoritário ou de "democracia iliberal", pela restrição à liberdade de imprensa e pela perda de liberdades civis. Os apoiadores destacam o crescimento econômico e uma política externa pragmática.

Polêmicas

  • Guerra da Bósnia: fotos e vídeos da época mostram Vučić no cerco de Sarajevo carregando o que críticos identificam como um fuzil; ele contestou, dizendo que era um guarda-chuva, depois um tripé de câmera, e que as imagens poderiam ter sido manipuladas com inteligência artificial.
  • Crime organizado: em maio de 2023, uma reportagem do New York Times apontou ligações de Vučić com o grupo criminoso de Veljko Belivuk, que disse em juízo ter trabalhado para ele. Vučić chamou as acusações de mentiras.
  • "Sarajevo Safari": desde 2025, ele é ligado a alegações de que estrangeiros pagavam para atirar em civis durante o cerco de Sarajevo; nega qualquer envolvimento.
  • Imprensa: a Anistia Internacional, no relatório de 2021, descreveu o mandato dele como marcado por restrições à liberdade de expressão e campanhas de assédio contra a oposição e jornalistas.

O que acontece agora

Pelos prazos legais, a nova Assembleia deve ser instalada em até 30 dias após o resultado final, e o governo formado em até 90 dias depois disso. O nome mais citado para primeiro-ministro é Ilija Srdanović, cardiologista e professor em Novi Sad. Ana Brnabić, presidente interina, precisa convocar uma eleição presidencial extraordinária até 27 de dezembro de 2026; o presidente sérvio é eleito diretamente e tem funções em grande parte cerimoniais.

O SNS vai para a oposição com a maior bancada individual e o controle de boa parte dos governos locais. Segundo a NIN, o partido deve usar os instrumentos do regimento para atrasar leis do novo governo, como a reforma do Judiciário.

Linha do tempo

  • 5 de março de 1970: nasce em Belgrado.
  • 1993: entra no Partido Radical Sérvio e é eleito deputado.
  • Março de 1998: vira ministro da Informação do governo de Milošević.
  • Setembro de 2008: deixa o Partido Radical e funda o SNS com Tomislav Nikolić.
  • Julho de 2012: torna-se primeiro vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa.
  • Abril de 2014: assume como primeiro-ministro.
  • 31 de maio de 2017: toma posse como presidente.
  • 2022: é reeleito presidente com 58% dos votos.
  • 1º de novembro de 2024: a marquise da estação de Novi Sad desaba e mata 16 pessoas; começam os protestos estudantis.
  • 24 de fevereiro de 2025: pede desculpas pelo voto da Sérvia na ONU contra a Rússia.
  • Junho de 2026: anuncia que vai deixar a presidência.
  • 5 de setembro de 2026: o SNS o indica como candidato a primeiro-ministro.
  • 9 de setembro de 2026: dissolve a Assembleia e convoca eleições para 25 de outubro.
  • 27 de setembro de 2026: renuncia à presidência; Ana Brnabić assume interinamente.
  • 25 de outubro de 2026: a Lista Estudantil vence a eleição, e Vučić admite a derrota.
  • 28 de outubro de 2026: a Comissão Eleitoral divulga o resultado preliminar: 141 cadeiras para a Lista Estudantil e 103 para a lista de Vučić.

Esposa e filhos

Vučić é filho de Anđelko Vučić e Angelina Milovanov, ambos formados em economia; o pai trabalhou como economista e a mãe, como jornalista. Tem um irmão mais novo, Andrej. Cresceu no bairro de Blokovi, em Nova Belgrado. Foi casado com Ksenija Janković de 1997 a 2011. Em 2013, casou-se com Tamara Đukanović. Tem três filhos.

Perguntas frequentes

Quem é Aleksandar Vučić?

Aleksandar Vučić é um político sérvio, fundador do Partido Progressista Sérvio, que foi primeiro-ministro de 2014 a 2017 e presidente da Sérvia de 2017 a setembro de 2026. Perdeu a eleição parlamentar de 25 de outubro de 2026 para a Lista Estudantil.

Vučić renunciou?

Sim. Vučić renunciou à presidência da Sérvia em 27 de setembro de 2026 para disputar o cargo de primeiro-ministro na eleição antecipada de 25 de outubro. Ana Brnabić, presidente da Assembleia, assumiu interinamente.

Quem ganhou a eleição na Sérvia?

A Lista Estudantil, formada pelo movimento de protesto nascido depois do desabamento em Novi Sad. Pelo resultado preliminar de 28 de outubro de 2026, teve 52,71% dos votos e 141 das 250 cadeiras, contra 39,17% e 103 cadeiras da lista de Vučić.

Por que há protestos na Sérvia?

Os protestos começaram depois que a marquise da estação de Novi Sad desabou em 1º de novembro de 2024 e matou 16 pessoas. Os estudantes cobravam responsabilização pelo desabamento, que atribuíam à corrupção, e passaram a pedir o fim do governo de Vučić.

Quem será o novo primeiro-ministro da Sérvia?

O governo ainda não foi formado. O nome mais citado pela Lista Estudantil é Ilija Srdanović, cardiologista e professor em Novi Sad.

Notícias relacionadas

Comentários