Extrema-direita europeia se distancia de Trump após derrota eleitoral
Líderes europeus de extrema-direita afastam-se de Trump após derrota republicana nas eleições de meio de mandato, citando o impacto da guerra no Irã.
Pontos principais
- Alice Weidel, co-líder da AfD, afirmou que a derrota republicana é notável e decorre da quebra da promessa de Trump de evitar política externa intervencionista.
- Rupert Lowe, do Restore Britain, vinculou a derrota republicana aos custos elevados de combustível e alimentos causados pela guerra no Irã.
- Analistas do Eurasia Group indicam que a impopularidade de Trump transformou o que era um trunfo ideológico em um risco eleitoral para aliados europeus.
- Líderes como Jordan Bardella, Matteo Salvini e Roberto Vannacci apontam o custo de vida e tensões internacionais como fatores decisivos para o resultado.
Líderes da extrema-direita europeia, que anteriormente buscavam alinhar-se ao movimento de Donald Trump, iniciaram um distanciamento político após a derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Alice Weidel, co-líder da AfD na Alemanha, declarou ao T-Online que o tamanho da derrota é notável e atribuiu o resultado às consequências da guerra no Irã, argumentando que Trump quebrou a promessa de não adotar uma política externa intervencionista. No Reino Unido, Rupert Lowe, do Restore Britain, reforçou essa visão ao criticar o conflito, ligando-o diretamente ao aumento do custo de vida e aos preços de combustíveis e alimentos para as famílias britânicas.
A mudança de postura ocorre em um momento em que a impopularidade do presidente americano, especialmente em temas econômicos, passou a ser vista como um risco eleitoral para seus aliados no exterior. Segundo Mujtaba Rahman, diretor-gerente do Eurasia Group, figuras como Jordan Bardella e Matteo Salvini tentam agora evitar a associação direta com o caos e a perturbação econômica associados à gestão de Trump. Enquanto alguns líderes, como Santiago Abascal e Nigel Farage, expressaram críticas mais explícitas à condução política do presidente, outros setores da extrema-direita buscam minimizar a magnitude da derrota republicana, embora o distanciamento estratégico se torne cada vez mais evidente.
Fontes primárias
Alice Weidel: “Ausmaß der Niederlage bemerkenswert” (T-Online, 04/11/2026)
Weidel (co-líder da AfD), em declaração ao T-Online na quarta-feira (4/11): ‘Trump hatte seinen Wählern versprochen, keine interventionistische Außenpolitik zu betreiben’ — Trump havia prometido aos eleitores não fazer uma política externa intervencionista. ‘Dieses gebrochene Versprechen ist den Republikanern nun auf die Füße gefallen’ — essa promessa quebrada agora voltou a cobrar dos republicanos. Diz que é normal o partido do presidente perder as midterms, mas que ‘o tamanho da derrota dos republicanos é notável e deve ser explicado sobretudo pelas devastadoras consequências da guerra no Irã’. Afirma que é do interesse da Europa e da Alemanha que essa guerra, como a da Ucrânia, termine o mais rápido possível. A declaração não menciona a crítica a Trump como responsável direto pela guerra além da promessa quebrada.
Post de Rupert Lowe no X sobre a guerra contra o Irã e a derrota republicana
Lowe (Restore Britain), no próprio perfil no X (4/11, 07:47 UTC): ‘Iran has cost the Republicans far more than anyone expected. It was a catastrophic mistake.’ Afirma que, se Reform ou os Tories estivessem no governo, ‘teriam ido à guerra logo atrás’; que o Restore Britain disse não no primeiro dia. Liga a guerra ao custo de combustível, aquecimento e alimentos no Reino Unido: ‘Britain does not need another foreign war. We tried that. It failed, over and over’. O post não cita Trump pelo nome; fala em ‘Republicans’ e na guerra iraniana.
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