Kinea compara governo Lula a personagem de Hemingway e cobra ajuste fiscal
No Brasil, a Kinea alerta que a vitória de Lula pode ser esvaziada sem um ajuste fiscal de R$ 100 bilhões a R$ 150 bilhões para recuperar a credibilidade das contas públicas.
Pontos principais
- A Kinea estima que recuperar a credibilidade das regras fiscais exige um ajuste de R$ 100 bilhões a R$ 150 bilhões.
- A gestora afirma que as medidas politicamente mais simples cobrem só parte do esforço, e as alternativas compatíveis com o discurso oficial somam pouco mais de R$ 40 bilhões.
- A Kinea calcula que promessas de campanha, como o fim da escala 6x1, somadas a um crescimento menor, piorariam em cerca de R$ 67 bilhões o resultado primário de 2027.
- Com isso, a gestora projeta déficit primário de R$ 111 bilhões em 2027 (0,8% do PIB), mais que o dobro dos R$ 44 bilhões esperados para 2026.
- A Kinea registra que a dívida bruta recuou para 51,8% do PIB em 2010, fechou 2025 em 78,6% e caminha para 87% no fim de 2027.
- Segundo a Kinea, o resultado primário médio foi superávit de 3,1% do PIB nos dois primeiros mandatos de Lula e virou déficit de cerca de 1% no terceiro.
- A Kinea projeta dívida bruta de 94,5% do PIB em 2030 no cenário-base.
- Segundo a Kinea, cerca de 90% da despesa é obrigatória, e as medidas que mais movem o ajuste atingem a própria base de apoio do governo.
A Kinea Investimentos usou 'O Velho e o Mar', de Ernest Hemingway, para comparar, no Brasil, o quarto mandato de Lula ao pescador que vence a luta com o peixe mas chega ao porto só com o esqueleto. Segundo a gestora, o governo corre o risco de ver a vitória eleitoral esvaziada caso não promova um ajuste fiscal robusto, capaz de reverter a atual deterioração das expectativas do mercado financeiro.
Para a Kinea, um ajuste pequeno e lento levaria o país a 'vencer a batalha e perder a guerra'. As regras fiscais previam melhora do resultado primário a cada ano, mas os resultados efetivos têm ficado sucessivamente abaixo do prometido. Mesmo com as medidas mais difíceis, o ajuste seria insuficiente para cumprir a meta de 2027, e reformas estruturais seriam necessárias. Sem um choque de credibilidade, juros e desaceleração do crescimento passam a devorar o próprio ajuste.
