Ações de varejistas desabam até 55% após reeleição de Lula
O setor de varejo liderou as perdas na B3 após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, com papéis do Magazine Luiza recuando 55,71% em meio à disparada dos juros futuros.
Pontos principais
- Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente com 51,79% dos votos válidos.
- O Ibovespa acionou o circuit breaker após recuar 10% logo no início do pregão.
- Ações do Magazine Luiza (MGLU3) registraram queda de 55,71% às 11h55, cotadas a R$ 5,62.
- Varejistas como C&A, Azzas 2154 e Lojas Renner também sofreram desvalorizações superiores a 37%.
- O setor de construção civil acompanhou a tendência, com Cyrela e MRV perdendo mais de 40% de valor.
- Juros futuros de longo prazo superaram a marca de 16%, pressionando ativos sensíveis ao crédito.
- O CDS de 5 anos do Brasil subiu 26%, atingindo 151,67 pontos-base devido ao risco fiscal.
- O Ifix, índice de fundos imobiliários, recuou 8% no mesmo período de negociação.
- Empresas exportadoras como Suzano e Vale registraram alta, impulsionadas pela valorização do dólar.
O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte pessimismo à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, resultando em uma queda generalizada no Ibovespa que forçou o acionamento do circuit breaker logo no início das negociações desta segunda-feira. O índice, que chegou a recuar mais de 17% ao longo da manhã, atingindo 169.894 pontos, refletiu a preocupação dos investidores com a trajetória da política fiscal e a continuidade de uma agenda expansionista. Segundo dados da B3, a cotação das ações do Magazine Luiza atingiu R$ 5,62 às 11h55, representando uma queda de 55,71% em relação ao fechamento anterior.
O setor de varejo foi um dos mais penalizados pela disparada dos juros futuros, que superaram a casa dos 16% para vencimentos de longo prazo. A alta nas taxas encarece o custo do crédito e do financiamento, impactando diretamente o modelo de negócio de empresas como C&A, Azzas 2154 e Lojas Renner, que registraram perdas entre 37% e 48%. O movimento de venda também atingiu o setor de construção civil, com papéis da Cyrela e MRV desvalorizando-se mais de 40%, enquanto o Ifix, índice dos fundos imobiliários, recuou 8% em um cenário onde nenhum dos 97 fundos componentes operava em alta.
Em contrapartida, o mercado buscou proteção em ativos de empresas exportadoras, que se beneficiaram da valorização do dólar frente ao real. Suzano, Vale, Embraer e Klabin figuraram entre as poucas altas do dia, com a Suzano liderando os ganhos do índice com uma valorização de 8,82%. A percepção de risco país, medida pelo Credit Default Swap (CDS) de 5 anos, subiu 26% para 151,67 pontos-base, evidenciando a cautela do mercado financeiro diante da nova configuração política e das expectativas para a gestão econômica do governo reeleito.
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