Economistas apontam falta de planos fiscais concretos de Lula e Flávio
Os programas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) registrados no TSE não fixam meta de resultado primário nem valor de corte de despesa, deixando o ajuste fiscal do próximo governo sem números.
Pontos principais
- Dívida bruta do governo atingiu R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do PIB.
- O programa de Lula mantém o novo arcabouço fiscal e diz que o resultado virá do controle do aumento do gasto primário, do crescimento econômico e da justiça tributária.
- O programa de Lula projeta déficit primário de 2026 próximo de 0,4% do PIB e não traz número de meta de resultado primário.
- O plano de Flávio Bolsonaro promete reformular as regras fiscais, com superávits primários, sem fixar valor, prazo ou meta.
- O plano de Flávio prevê corte de no mínimo 10 ministérios, sem valor em reais, e limite ao crédito subsidiado com recursos do Tesouro.
- Consultorias estimam que seria necessário um superávit primário de 2,5% do PIB para estabilizar a dívida.
- Especialistas avaliam que o próximo governo precisará adotar medidas impopulares após a eleição.
O próximo presidente do Brasil, a ser eleito em outubro de 2026, enfrentará um cenário de desaceleração e de necessidade de ajuste fiscal. Os programas que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) registraram no TSE não fixam meta de resultado primário nem valor de corte de despesa para o ajuste.
O programa de Lula diz que o novo arcabouço fiscal controlou o crescimento das despesas sem prejudicar as políticas sociais, e que ele será mantido. Atribui o resultado fiscal ao controle do gasto primário, à qualidade do gasto e à justiça tributária.
O plano de Flávio propõe reformular as regras fiscais, com foco na estabilização e na redução da dívida pública, limite ao crédito subsidiado com recursos do Tesouro e regra para os gastos discricionários dos três Poderes, sem prazo nem montante de corte. Ele também propõe reduzir o IVA e revisar a reforma tributária.
Analistas da Tendências Consultoria ressaltam que a rigidez das despesas obrigatórias exigirá reformas estruturais profundas e medidas impopulares, independentemente do vencedor.
Fontes primárias
Programa de Governo — Lula (PT), eleições 2026
Programa registrado no TSE. Na parte fiscal, promete manter o novo arcabouço fiscal, que 'controlou o crescimento das despesas sem prejudicar as políticas sociais', e condiciona o resultado fiscal ao 'controle do aumento do gasto primário', à melhoria da qualidade do gasto e à justiça tributária. Liga a queda dos juros a 'contas em ordem' e inflação controlada. Não traz número de meta de resultado primário, nem valor de corte de despesa para 2027. A única cifra fiscal é um diagnóstico: o déficit primário de 2026 deve fechar perto de 0,4% do PIB.
Plano de Governo — Flávio Bolsonaro (PL), eleições 2026
Plano registrado no TSE. No capítulo 'Contas em ordem para juros e inflação menores', critica as regras fiscais aprovadas pelo PT e promete 'reformulação nas atuais regras fiscais', com 'regras claras focadas na estabilização e na redução da dívida pública', 'superávits primários', limite ao crédito subsidiado com recursos do Tesouro e 'regra clara de controle de gastos discricionários dos três Poderes'. Não fixa valor de superávit, prazo ou montante de corte de despesa. O corte concreto citado é 'no mínimo 10 ministérios', sem valor em reais. O plano também fala em reduzir o IVA e revisar a reforma tributária.
