Copom reduz Selic para 13,75% e reforça cautela com inflação
O Comitê de Política Monetária reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, mantendo postura restritiva para garantir a convergência da inflação.
Pontos principais
- O Copom reduziu a taxa Selic de 14,00% para 13,75% ao ano em decisão unânime.
- A ata da reunião de setembro destaca a necessidade de harmonia entre as políticas fiscal e monetária.
- O Banco Central projeta o IPCA em 5,2% para 2026, acima do teto da meta de 4,5%.
- A autoridade monetária alertou que a falta de disciplina fiscal pode elevar a taxa de juros neutra.
- O cenário externo é classificado como incerto devido a conflitos geopolíticos e volatilidade de commodities.
- A atividade econômica apresenta moderação gradual, enquanto o mercado de trabalho segue aquecido.
- Expectativas de inflação de longo prazo permanecem desancoradas, exigindo juros restritivos por mais tempo.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil reduziu a taxa Selic de 14,00% para 13,75% ao ano em sua reunião de setembro de 2026. A decisão, tomada por unanimidade, marca o quinto corte consecutivo no ciclo de flexibilização, mas o colegiado manteve um tom de cautela ao enfatizar que a política monetária continuará em patamar restritivo. O objetivo central é assegurar a convergência da inflação à meta, diante de um cenário onde as expectativas de mercado permanecem desancoradas para os próximos anos.
A ata do encontro, divulgada nesta terça-feira (22), destaca que a política fiscal exerce influência direta sobre a demanda agregada e a sustentabilidade da dívida pública. O Banco Central alertou que o esmorecimento de reformas estruturais e a ausência de disciplina fiscal podem elevar a taxa de juros neutra da economia, dificultando o controle inflacionário. Segundo o documento, a projeção do Copom para o IPCA no primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante para a política monetária, é de 3,2%.
No âmbito externo, o comitê aponta que a incerteza permanece elevada, impulsionada por conflitos geopolíticos e pela volatilidade nos preços de commodities, como o petróleo. Internamente, embora a atividade econômica apresente uma moderação gradual e o crédito livre perca ritmo, o mercado de trabalho continua aquecido, o que mantém a pressão sobre os preços. O Banco Central reforçou que a magnitude dos próximos ajustes na Selic dependerá da evolução dos dados econômicos e da coordenação entre as políticas fiscal e monetária.
Economistas divergem sobre os próximos passos da autoridade monetária, citando riscos adicionais como o cenário eleitoral, fenômenos climáticos como o El Niño e a instabilidade cambial. O Banco Central, por sua vez, mantém a postura de firmeza na condução da política de juros, reiterando que a manutenção de condições restritivas é necessária para reancorar as expectativas e mitigar choques de oferta e demanda que ainda pressionam o índice oficial de inflação.
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