PF informa ao STF que mantém original de celular de Daniel Vorcaro
Polícia Federal esclarece que material original do celular de Vorcaro está sob sua custódia e que apenas uma cópia foi enviada ao gabinete de Mendonça.
Pontos principais
- A Polícia Federal confirmou ao presidente do STF, Edson Fachin, que detém a posse e a integridade dos dados do celular de Daniel Vorcaro.
- A instituição esclareceu que o material enviado ao gabinete do ministro André Mendonça em março era apenas uma cópia de segurança.
- A PF afirmou possuir condições técnicas para fornecer cópias integrais dos dados aos ministros da Corte que solicitaram acesso.
- O ministro Cristiano Zanin determinou que a Polícia Federal entregue uma cópia integral do aparelho ao seu gabinete até as 23h deste domingo.
- O ministro André Mendonça posicionou-se contra a abertura da íntegra dos dados, alegando risco de tumulto ao julgamento marcado para terça-feira.
- A defesa de Vorcaro solicitou ao STF uma triagem nos dados para preservar informações íntimas e sigilosas de familiares e documentos profissionais.
- O aparelho, um iPhone 17 Pro, foi apreendido em novembro de 2025 durante a Operação Compliance Zero.
- O plenário do STF deve analisar na próxima terça-feira um relatório da PF com mensagens atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes.
- Mendonça solicitou que o ministro Fachin apure uma suposta coação envolvendo a Polícia Federal no processo de entrega dos materiais.
A Polícia Federal informou oficialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o material original extraído do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro permanece sob custódia da instituição. O esclarecimento, enviado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, visa dirimir dúvidas sobre a integridade e a localização das provas, destacando que apenas uma cópia dos dados foi anteriormente encaminhada ao gabinete do ministro André Mendonça, em março deste ano. A corporação reforçou que o conteúdo original está preservado com lacres íntegros e documentação de cadeia de custódia, estando apta a produzir novas cópias para outros ministros que solicitaram acesso ao material.
A movimentação ocorre em um momento de alta tensão no tribunal, às vésperas de uma sessão plenária agendada para a próxima terça-feira (15). O julgamento deve analisar um relatório da Polícia Federal que contém mensagens atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes, levantando questionamentos sobre a conduta do magistrado. Diante da relevância do caso, ministros como Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram acesso integral aos dados, com Zanin determinando que a PF entregue a cópia da mídia ao seu gabinete até o final deste domingo.
O ministro André Mendonça, relator do caso, manifestou-se contrariamente à abertura da íntegra dos dados neste momento. Segundo o magistrado, a divulgação ampla das informações poderia tumultuar o julgamento, desviar o foco da análise do relatório da Polícia Federal e colocar em risco investigações em curso sobre fraudes no Banco Master. Mendonça também solicitou que o presidente do STF apure uma suposta coação por parte da Polícia Federal, intensificando o debate interno sobre o procedimento de compartilhamento de provas entre os gabinetes.
Paralelamente, a defesa de Daniel Vorcaro protocolou um pedido junto ao ministro Edson Fachin solicitando uma triagem rigorosa nos dados extraídos. Os advogados argumentam que o material contém informações íntimas, comunicações com a defesa e documentos protegidos por sigilo profissional que não possuem relação com o objeto da investigação. A defesa cita como precedente o vazamento de mensagens privadas do ex-banqueiro com sua ex-namorada, Martha Graeff, para justificar a necessidade de proteção à privacidade antes de qualquer compartilhamento entre os integrantes da Corte.
O caso insere-se em um contexto mais amplo de investigações sobre o Banco Master e possíveis interferências em órgãos de controle. Relatórios da Polícia Federal apontam para diálogos que sugerem pressões políticas e cobranças financeiras envolvendo o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes. A decisão do plenário na próxima terça-feira será determinante para definir o prosseguimento das apurações e o impacto das provas digitais no cenário jurídico nacional.
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