Líderes do Brics buscam alternativas ao dólar em cúpula em Nova Délhi
Em meio a tensões comerciais globais, o Brics discute a ampliação do uso de moedas locais e critica tarifas unilaterais durante cúpula na Índia.
Pontos principais
- Líderes do Brics reuniram-se em Nova Délhi para a 18ª cúpula do bloco.
- O grupo formalizou o compromisso de ampliar o uso de moedas locais em transações comerciais e investimentos.
- A Declaração de Nova Délhi condenou a imposição de tarifas unilaterais, classificando-as como incompatíveis com as regras da OMC.
- Narendra Modi e Xi Jinping realizaram encontro bilateral para buscar a estabilização das relações fronteiriças.
- O bloco defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU para ampliar a representatividade de países emergentes.
- Líderes manifestaram preocupação com a escalada das tensões no Oriente Médio e apelaram pela contenção de ações agravantes.
- O comércio entre Índia e China atingiu recorde de US$ 151,1 bilhões, apesar do desequilíbrio estrutural e do déficit indiano.
A 18ª cúpula do Brics, realizada em Nova Délhi, consolidou um movimento estratégico dos países membros para reduzir a dependência do dólar em suas transações comerciais. Diante da pressão exercida pelas políticas tarifárias do governo de Donald Trump, o bloco aprovou a Declaração de Nova Délhi, que formaliza o incentivo ao uso de moedas locais para pagamentos transfronteiriços e investimentos internos. A medida busca fortalecer a resiliência econômica do grupo frente a um cenário de incertezas no comércio internacional e sanções unilaterais.
Durante o evento, o presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, aproveitaram a ocasião para retomar o diálogo diplomático, visando estabilizar as relações bilaterais após anos de tensões na fronteira. O encontro, o primeiro de Xi na Índia desde 2019, focou na necessidade de uma solução justa para as disputas territoriais e no reequilíbrio da balança comercial entre as duas nações, que registrou um déficit recorde para a Índia no último ano fiscal.
Além das questões econômicas, a cúpula serviu como palco para a articulação política sobre a governança global. Os líderes condenaram a imposição de tarifas arbitrárias e defenderam uma reforma urgente no Conselho de Segurança da ONU, buscando maior protagonismo para nações emergentes. O grupo também expressou profunda preocupação com a instabilidade no Oriente Médio, apelando por moderação e criticando ações que, segundo os líderes, não atendem aos interesses comuns da comunidade internacional.
Embora o Brics tenha reforçado sua influência geopolítica com a recente expansão, os debates em Nova Délhi evidenciaram os desafios de manter o consenso interno entre membros com interesses distintos. Especialistas observam que, apesar das críticas ao sistema financeiro dominado pelo Ocidente, o bloco mantém um foco pragmático em desenvolvimento e cooperação econômica, evitando se posicionar como uma aliança ideológica fechada contra o restante do mundo.
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