Daily Journal
Daily Journal

Relatório da PF aponta articulação de Gonet em eleição do CNPG

Documentos da Polícia Federal indicam que o PGR teria influenciado a desistência de um candidato à presidência do Conselho Nacional dos Procuradores.

Daily Journal
Foto: Times Brasil
||
01/09 às 17:01 · atualizado 02/09 às 11:46

Pontos principais

  • Relatório da PF revela diálogos entre o advogado Ciro Soares e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre a eleição do CNPG em 2024.
  • Ciro Soares afirmou ter solicitado a Paulo Gonet que convencesse um candidato a retirar sua candidatura ao comando do conselho.
  • O procurador-geral teria confirmado a Soares que o candidato desistiu após receber um telefonema seu.
  • Jarbas Soares Júnior foi eleito presidente do CNPG em abril de 2024, em chapa única e por aclamação.
  • A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pela nulidade da investigação após a divulgação das mensagens.

Um relatório da Polícia Federal, tornado público por decisão do ministro do STF André Mendonça, expõe conversas que sugerem a interferência do procurador-geral da República, Paulo Gonet, na eleição para a presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG) em 2024. O material, extraído de aparelhos apreendidos durante a Operação Compliance Zero, detalha diálogos entre o advogado Ciro Soares e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, nos quais a articulação é discutida. Segundo os registros, Ciro Soares teria solicitado a Gonet que atuasse para que um candidato desistisse da disputa, garantindo a eleição de Jarbas Soares Júnior, que acabou sendo aclamado em chapa única. O advogado relata em áudio enviado a Vorcaro que o PGR confirmou ter realizado a ligação e obtido a desistência do concorrente, Georges Carlos Frederico Moreira Seigneur. Além da suposta interferência eleitoral, o relatório aponta uma relação próxima entre o advogado, o banqueiro e o PGR, incluindo menções a custeio de despesas de viagem e mensagens de tom pessoal. A Procuradoria-Geral da República contestou a validade das provas, defendendo a nulidade da investigação. O caso levanta questionamentos sobre a conduta institucional do chefe do Ministério Público Federal e a influência de interesses privados em cargos de cúpula do órgão.

Comentários

Carregando comentários...