Grupo Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial
A varejista protocolou o pedido na Justiça de São Paulo para reestruturar dívidas de R$ 17,3 bilhões após registrar prejuízo bilionário no segundo trimestre.
Pontos principais
- O pedido de recuperação judicial abrange a holding e nove subsidiárias, incluindo a ASAP e a Bartira.
- A dívida total a ser renegociada soma aproximadamente R$ 17,3 bilhões, envolvendo obrigações financeiras e com fornecedores.
- A empresa reportou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.
- O processo suspende cobranças de dívidas por 180 dias, permitindo a negociação com os credores.
- A companhia terá um prazo de 60 dias para apresentar um plano de reestruturação para aprovação em assembleia.
- Desde 2023, a rede fechou 355 lojas e eliminou cerca de 11,6 mil postos de trabalho como parte de seu plano de transformação.
- As ações da companhia (BHIA3) despencaram mais de 30% após o anúncio, sendo negociadas abaixo de R$ 1.
- O diretor jurídico e dois membros do conselho de administração renunciaram aos cargos em meio à crise.
- A empresa afirma que as operações em lojas físicas e canais digitais seguem funcionando normalmente durante o processo.
O Grupo Casas Bahia protocolou oficialmente um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A medida, que visa reorganizar as finanças da rede varejista, busca renegociar um passivo total de R$ 17,3 bilhões. A decisão ocorre em um momento de severa deterioração financeira, agravada por um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões reportado no segundo trimestre de 2026, resultado fortemente impactado por efeitos contábeis não recorrentes ligados ao plano de transformação da companhia. A empresa justifica a necessidade do processo devido ao cenário macroeconômico desafiador, marcado por juros elevados, restrição de crédito e queda no consumo de bens duráveis.
O pedido de recuperação judicial é um desdobramento de uma crise estrutural que já vinha forçando a varejista a realizar cortes profundos. Antes da formalização do processo, a companhia já havia encerrado as atividades de 298 unidades apenas no mês de agosto de 2026, totalizando 355 lojas fechadas desde o início de seu plano de reestruturação em 2023. Além disso, cerca de 11,6 mil postos de trabalho foram eliminados no período. A administração da empresa, liderada pelo CEO Renato Franklin, aponta que a aversão ao risco no mercado financeiro e a dificuldade de captação de recursos foram fatores determinantes para que as alternativas de liquidez anteriormente estruturadas não se concretizassem.
No mercado de capitais, a reação foi imediata e negativa. As ações da Casas Bahia (BHIA3) registraram uma queda superior a 30% logo após o anúncio, consolidando o papel na categoria de 'penny stock', com cotações abaixo de R$ 1. A desvalorização reflete a preocupação dos investidores com a viabilidade operacional do grupo a longo prazo. Analistas de instituições como XP e Morgan Stanley destacam que, embora a recuperação judicial seja um passo necessário para evitar a insolvência imediata, ela não resolve por si só os desafios de liquidez e a necessidade de manter o abastecimento de estoques junto aos fornecedores.
Em meio à instabilidade, a governança da companhia também sofreu alterações. O diretor jurídico, Fábio Spina, e dois membros do conselho de administração renunciaram aos seus postos simultaneamente ao pedido de recuperação. A empresa, por sua vez, reforçou que o processo de reestruturação não interromperá o atendimento ao cliente, garantindo que as lojas físicas e o e-commerce continuarão operando normalmente. O próximo passo da varejista será a apresentação de um plano de reestruturação detalhado em até 60 dias, que deverá ser submetido à votação em uma assembleia de credores para ratificar os termos de pagamento e a continuidade do negócio.
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