Casas Bahia negocia empréstimo de R$ 1 bilhão para reforçar caixa
Em meio ao processo de recuperação judicial, a varejista busca captar R$ 1 bilhão via financiamento DIP para recompor estoques e manter operações.
Pontos principais
- O Grupo Casas Bahia negocia um aporte de R$ 1 bilhão na modalidade de financiamento DIP (debtor-in-possession).
- O recurso é destinado prioritariamente à compra e reposição de estoques para garantir a continuidade das vendas.
- A modalidade DIP oferece prioridade de recebimento aos novos credores que injetarem capital na companhia durante a recuperação judicial.
- A varejista protocolou pedido de recuperação judicial para renegociar um passivo total de R$ 17,3 bilhões.
- O plano de reestruturação inclui o fechamento de 298 lojas e o corte de 3 mil postos de trabalho.
- A empresa afirma que suas operações, lojas físicas e e-commerce seguem funcionando normalmente.
- Produtos financeiros como o Cartão Casas Bahia e o Casas Bahia Pay operam de forma independente e não integram o processo de recuperação.
- Grandes credores, como Bradesco e Banco do Brasil, concentram parte significativa da dívida da companhia.
- A varejista contratou Mateus Tessler, ex-sócio da Jive Mauá, para atuar como Chief Restructuring Officer (CRO) no processo.
- A companhia projeta um cenário macroeconômico desafiador para 2027, mantendo uma postura restritiva na concessão de crédito.
O Grupo Casas Bahia está em negociações avançadas para captar cerca de R$ 1 bilhão por meio de um financiamento na modalidade DIP (debtor-in-possession). O aporte é considerado estratégico para a varejista, que busca reforçar seu capital de giro e recompor estoques após ter protocolado, no último domingo (16), um pedido de recuperação judicial para renegociar um passivo total de R$ 17,3 bilhões. A modalidade DIP é uma ferramenta comum em processos de reestruturação, garantindo prioridade de pagamento aos novos credores que injetam recursos na empresa durante a crise, o que torna a operação atrativa para bancos e fundos de investimento interessados na sobrevivência do negócio.
A busca por esse financiamento ocorre em um momento de profunda reestruturação operacional. Além da tentativa de captar recursos, a companhia anunciou o fechamento de 298 lojas e o desligamento de 3 mil funcionários, medidas que visam reduzir custos fixos e adequar a operação ao tamanho atual da demanda. A empresa, que historicamente construiu seu modelo de negócio sobre o crediário facilitado, aponta que a manutenção da taxa Selic em patamares elevados e a mudança no comportamento de consumo dos brasileiros impactaram severamente sua rentabilidade nos últimos anos.
Para liderar essa transição, a Casas Bahia contratou Mateus Tessler, ex-sócio da Jive Mauá, que assume a posição de Chief Restructuring Officer (CRO). O executivo terá a missão de conduzir o plano de turnaround, que envolve não apenas a renegociação das dívidas com cerca de 28 mil credores — incluindo grandes instituições financeiras como Bradesco e Banco do Brasil, além de fabricantes de eletrônicos —, mas também uma mudança na estratégia digital. A varejista pretende focar em operações mais rentáveis e ampliar o uso de marketplaces parceiros para otimizar gastos.
Apesar do cenário de incertezas, a administração da Casas Bahia reforça que suas atividades comerciais, tanto no varejo físico quanto no e-commerce, permanecem operacionais. Produtos financeiros próprios, como o Casas Bahia Pay e o cartão da marca, seguem funcionando de forma independente, sem serem afetados diretamente pelo processo de recuperação judicial. O presidente-executivo, Renato Franklin, contudo, mantém cautela sobre o futuro próximo, projetando que o cenário econômico de 2027 poderá ser ainda mais desafiador do que o registrado em 2026, o que justifica a postura mais rigorosa da rede na concessão de crédito ao consumidor final.
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