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ApexBrasil e especialistas recomendam diversificação para mitigar tarifas dos EUA

Diante de novas tarifas americanas de até 37,5%, ApexBrasil e consultores orientam empresas brasileiras a diversificar mercados e reestruturar estratégias de exportação para reduzir a dependência do mercado dos EUA.

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Foto: G1 Política
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24/07 às 13:45 · atualizado 25/07 às 00:32

Pontos principais

  • Governo dos EUA impôs tarifa adicional de 12,5%, elevando a carga total para 37,5% em quase 4 mil produtos brasileiros.
  • A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio, alega falhas brasileiras no combate ao trabalho forçado.
  • ApexBrasil anunciou um plano de R$ 130 milhões para apoiar a diversificação de mercados para exportadores nacionais.
  • Consultores sugerem a criação de grupos internos de resposta nos primeiros 90 dias para renegociar contratos e revisar operações.
  • Setores como madeira, máquinas, móveis, cerâmica e calçados estão entre os mais impactados pela nova política tarifária.
  • Produtos estratégicos, incluindo café, carnes, celulose e petróleo, permanecem isentos das novas sobretaxas.
  • Empresas como a WEG avaliam mitigar custos através da transferência de parte da produção para o México.
  • Especialistas apontam que a internacionalização é essencial para reduzir o risco geopolítico e a dependência do mercado norte-americano.
  • O impacto financeiro estimado pela CNI é de US$ 12,4 bilhões, representando cerca de 30% das exportações do Brasil para os EUA.

O governo dos Estados Unidos implementou uma nova rodada de tarifas sobre produtos brasileiros, elevando a tributação total para até 37,5% em quase 4 mil itens de exportação. A medida, que combina uma sobretaxa prévia de 25% com um novo encargo de 12,5%, foi justificada pela Casa Branca com base na Seção 301 da Lei de Comércio, sob a alegação de que o Brasil apresenta falhas no combate ao trabalho forçado. A decisão tem gerado forte reação do setor produtivo e do governo brasileiro, que classificam a medida como arbitrária e planejam recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). Enquanto o Itamaraty busca vias diplomáticas para reverter o cenário, especialistas e entidades de fomento ao comércio exterior já traçam estratégias de sobrevivência para as empresas afetadas.

A ApexBrasil, em resposta ao cenário de incerteza, lançou um plano de R$ 130 milhões destinado a apoiar a diversificação de mercados para os exportadores brasileiros. A orientação central é que as empresas não devem concentrar suas operações no mercado norte-americano, buscando reduzir a exposição a riscos geopolíticos e protecionistas. Consultores de mercado recomendam que as companhias estabeleçam grupos de resposta imediata nos primeiros 90 dias para renegociar contratos, revisar estratégias de precificação e explorar novos destinos comerciais que ofereçam maior estabilidade regulatória.

Setores como o de máquinas, equipamentos, madeira, móveis e calçados são os mais atingidos pela nova alíquota, enfrentando desafios diretos na competitividade de seus preços finais. Em contrapartida, commodities estratégicas como café, carnes e petróleo permanecem isentas, o que ajuda a manter parte da balança comercial protegida. Algumas indústrias, como a de bens de capital, já avaliam alternativas logísticas, como a transferência de linhas de produção para o México, visando contornar as barreiras tarifárias impostas por Washington.

Embora o ex-secretário de Estado americano Mike Pompeo tenha defendido as tarifas como uma ferramenta de proteção à indústria dos EUA e um meio de evitar a triangulação de produtos chineses, o impacto para o Brasil é considerado significativo. O Financial Times apontou o país como um dos mais prejudicados pela nova política comercial da Casa Branca. Diante desse contexto, a busca por novos mercados e a inovação tecnológica tornaram-se pilares fundamentais para que a indústria nacional mantenha sua relevância global e preserve postos de trabalho qualificados frente a um cenário de crescente protecionismo internacional.

Fonte primária

Office of the United States Trade Representative (USTR) / Federal Register

Notice of Action — Seção 301: atos, políticas e práticas do Brasil (91 FR 45516, doc. 2026-14542)

O USTR determinou, sob as Seções 301(b) e 304(a) do Trade Act de 1974 e por direção expressa do presidente (memorando de 15 de julho de 2026), impor tarifa adicional ad valorem de 25% sobre todas as importações do Brasil, com exceções. A cobrança vale para produtos entrados para consumo a partir das 00h01 (horário do leste) de 22 de julho de 2026, sob a nova posição 9903.05.01 da HTSUS. A investigação, aberta em 4 de junho de 2026, concluiu que práticas brasileiras em comércio digital e pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, aplicação da lei anticorrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal são 'unreasonable' e restringem o comércio dos EUA; a consulta pública teve audiência de dois dias (6-7 de julho) com 77 depoentes. O USTR manteve praticamente toda a lista de isenções proposta em junho — exceto pasta solúvel de alta pureza e usos não farmacêuticos de certos produtos — e acrescentou novas isenções (hidróxido de alumínio; antiguidades e obras de arte; peles e couros; certos pescados; fármacos e insumos farmacêuticos; produtos de madeira; sucata de ferro e aço; mel orgânico; ferro-gusa; café solúvel sem aroma; roupas usadas). A posição 9903.05.03 lista os itens isentos, entre eles carnes bovinas (0201/0202), petróleo cru (2709.00), café não torrado (0901.11) e pastas químicas de madeira (4703). O documento não estabelece 37,5%: essa alíquota aparece apenas em depoimento de terceiros sobre o etanol, somando os 25% desta ação a medidas propostas em outras investigações da Seção 301.

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