Brasil invoca lei de reciprocidade contra tarifa de 12,5% dos EUA
O governo brasileiro acionou a Lei de Reciprocidade Econômica como estratégia de barganha após a imposição de tarifas de 12,5% sobre 3.985 produtos nacionais pelos Estados Unidos.
Pontos principais
- A nova tarifa de 12,5% entrou em vigor na última sexta-feira, afetando 3.985 produtos brasileiros.
- Com a medida, a carga tributária total sobre esses itens pode atingir o patamar de 37,5%.
- O governo dos EUA justifica a taxação alegando ineficácia do Brasil no combate ao trabalho forçado.
- O Brasil refuta as acusações, destacando ser signatário de 66 convenções da OIT, contra apenas 10 dos EUA.
- O Palácio do Planalto invocou a Lei de Reciprocidade Econômica para fortalecer sua posição nas negociações.
- Uma lista de 471 produtos, incluindo café, petróleo e suco de laranja, foi isenta da nova sobretaxa.
- Setores como têxteis, calçados e autopeças estão entre os mais impactados pela barreira comercial.
- Entidades empresariais como a ABIMED e a ABIT manifestaram preocupação com a perda de competitividade.
- O governo brasileiro levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC.
- A decisão sobre uma retaliação comercial concreta ainda não foi tomada pelo governo brasileiro.
- A indústria alerta que a integração das cadeias de suprimentos dificulta o redirecionamento imediato das exportações.
- O governo estuda medidas de apoio aos setores afetados, incluindo possíveis linhas de crédito.
O governo brasileiro iniciou uma ofensiva diplomática e jurídica contra a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. A medida, que entrou em vigor na última sexta-feira, foi justificada pela administração do presidente Donald Trump sob a alegação de falhas na fiscalização e no combate ao trabalho forçado no Brasil. Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) detalhou a extensão do impacto: a sobretaxa incide sobre 3.985 produtos, elevando a carga tributária acumulada para 37,5% em diversos itens. Em resposta, o Palácio do Planalto classificou a decisão como arbitrária e anunciou que acionará o mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), além de invocar formalmente a Lei de Reciprocidade Econômica como estratégia de barganha para fortalecer sua posição nas negociações com Washington.
O governo brasileiro contesta veementemente a fundamentação americana, argumentando que a legislação trabalhista nacional é rigorosa e reconhecida internacionalmente. Autoridades brasileiras apontaram que o país é signatário de 66 convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), enquanto os Estados Unidos ratificaram apenas dez, sugerindo que o tema está sendo instrumentalizado para fins protecionistas. A avaliação de especialistas é que a medida faz parte de uma estratégia mais ampla da administração Trump para reconstruir barreiras comerciais e contornar decisões judiciais anteriores, utilizando a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA como base jurídica.
Embora a medida tenha abrangência ampla, o governo americano divulgou uma lista de 471 produtos brasileiros isentos da nova tarifa. Entre os itens poupados estão commodities estratégicas como café, petróleo, gás natural e suco de laranja. No entanto, setores de manufaturados, como têxteis, calçados e autopeças, não foram contemplados, o que, segundo entidades como a ABIMED e a ABIT, compromete severamente a competitividade das empresas brasileiras no mercado norte-americano. A indústria alerta que, devido à complexa integração das cadeias de suprimentos globais, não é possível redirecionar as exportações de forma imediata para outros destinos.
No cenário econômico, o mercado financeiro reagiu com cautela, enquanto o governo avalia os próximos passos. Embora a Lei de Reciprocidade tenha sido invocada, o Planalto esclareceu que uma decisão sobre uma retaliação comercial efetiva ainda não foi tomada, mantendo o foco em uma solução negociada. Analistas sugerem que o Brasil deve evitar embates diretos que possam escalar o conflito, recomendando foco em cooperação técnica. Enquanto o governo estuda medidas de apoio aos setores afetados, incluindo possíveis linhas de crédito, a expectativa é que a resolução definitiva do impasse dependa de uma longa tramitação nos fóruns internacionais e de futuras negociações bilaterais.
Fontes primárias
Governo brasileiro rechaça alegações dos EUA para impor nova tarifa
A nota do governo brasileiro rechaça a decisão dos EUA de impor tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros após investigação da Seção 301 sobre importações ligadas a trabalho forçado. O governo afirma que prestou explicações e documentação sobre legislação, atuação aduaneira e políticas contra trabalho escravo contemporâneo; compara a adesão brasileira a 66 convenções da OIT e aos quatro instrumentos sobre trabalho forçado com a adesão dos EUA a dez convenções e a um desses instrumentos; cita acordos comerciais com compromissos de eliminação do trabalho forçado, fiscalização, prevenção, acolhimento de vítimas, multas e Lista Suja; e anuncia início imediato dos trâmites da Lei de Reciprocidade e envio do tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC.
USTR Takes Action in Forced Labor Section 301 Investigations
O USTR informa que tomou ação final, por direção do presidente dos EUA, sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, impondo tarifas a 60 economias por suposta falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado. A decisão veio após investigações iniciadas em 12 de março de 2026, audiências públicas, consultas com mais de 45 governos, mais de 2.100 comentários na investigação e mais de 1.600 comentários sobre a ação proposta. O USTR fixa tarifa de 10% para economias com proibição ou compromisso de adotá-la, 10% ou 12,5% líquido da tarifa NMF para certos produtos de UE, Taiwan, Japão, Coreia e Suíça, e 12,5% para todas as demais economias investigadas, com isenções para determinados produtos.
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