Daily Journal
Urgente
Daily Journal

Dino bloqueia R$ 6,1 milhões de Eduardo Cunha por uso de emendas

O ministro do STF determinou o bloqueio de bens do ex-deputado por suspeitas de direcionar emendas parlamentares sem possuir mandato eletivo.

Daily Journal
Foto: Folha de São Paulo - Política
||
12/07 às 12:02 · atualizado 15:01

Pontos principais

  • O ministro Flávio Dino ordenou o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens de Eduardo Cunha.
  • A investigação aponta que Cunha atuava como um 'parlamentar informal' na indicação de recursos.
  • O esquema teria contado com a intermediação de uma servidora da Câmara para forjar documentos.
  • A medida cautelar suspende a execução de despesas públicas vinculadas às emendas sob suspeita.
  • O caso é um desdobramento da Operação Transparência, que também investiga Valdemar Costa Neto.
  • Cunha é pré-candidato a deputado federal por Minas Gerais e teria usado as verbas para fortalecer sua base eleitoral.
  • A Câmara dos Deputados deve apresentar documentos sobre a tramitação dos recursos em até dez dias.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou o bloqueio de R$ 6,15 milhões em bens do ex-deputado Eduardo Cunha. A decisão ocorre no âmbito da Operação Transparência, que investiga um suposto esquema de direcionamento indevido de emendas parlamentares. Segundo a Polícia Federal, Cunha teria atuado como um 'parlamentar informal', utilizando sua influência para indicar verbas a municípios mineiros, mesmo sem exercer mandato eletivo desde a cassação em 2016. A investigação aponta que o ex-deputado contava com o auxílio de uma servidora da Câmara dos Deputados para ocultar a autoria das indicações e forjar documentos.

Além do bloqueio de bens, que visa garantir o eventual ressarcimento aos cofres públicos, o ministro determinou a suspensão imediata da execução de despesas públicas ligadas às emendas sob investigação. A Câmara dos Deputados foi notificada a apresentar, em um prazo de dez dias, detalhes sobre a tramitação interna desses recursos. O caso ganha relevância política pelo fato de Cunha ser pré-candidato a deputado federal por Minas Gerais, com a suspeita de que o uso das verbas serviria para fortalecer sua campanha. A Procuradoria-Geral da República, embora tenha se manifestado contra algumas medidas cautelares, mantém o apoio à continuidade das investigações sobre o arranjo decisório paralelo que teria permitido a gestão de recursos públicos pelo ex-parlamentar.

Fonte primária

Folha de S.Paulo / Folhapress (acesso exclusivo à decisão sob sigilo)

Dino manda bloquear R$ 6,1 milhões de Eduardo Cunha em investigação sobre emendas

Decisão do ministro Flávio Dino (STF), assinada em 6 de julho e mantida sob sigilo até se tornar pública em 12 de julho, determina o bloqueio de R$ 6,1 milhões do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG). É desdobramento da Operação Transparência, que apura ingerência ilícita de Cunha no direcionamento de verbas públicas mesmo sem mandato parlamentar desde 2016. Segundo a decisão, análises de mensagens telemáticas mostram que Cunha coordenava diretamente a destinação de ao menos 29 emendas da Comissão de Saúde, somando R$ 6,15 milhões, com o apoio da servidora da Câmara Mariângela Fialek ("Tuca"), que atuava como seu braço direito para driblar os fluxos formais. O ministro cita diretamente o investigado: "Em várias passagens, o ex-deputado revela contar com uma cota informal de valores, que era direcionada conforme as diretrizes e interesses políticos no Estado de Minas." Dino suspendeu a execução de todas as despesas públicas ligadas às emendas identificadas (empenho, liquidação ou pagamento) e intimou a Câmara dos Deputados a fornecer em 10 dias os documentos de tramitação interna. O ministro classifica a conduta como peculato-desvio em tese, argumenta que o orçamento secreto "não pode degradar o erário à condição de patrimônio privado" e que a falta de transparência fere princípios constitucionais da administração pública. A decisão integra a mesma investigação que já havia bloqueado R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto (PL) por esquema similar.

Comentários

Carregando comentários...