Governo brasileiro mantém negociações com EUA para evitar novas tarifas
O governo federal busca reverter a ameaça de sobretaxas de 25% sobre produtos nacionais, mantendo o etanol fora das concessões comerciais.
Pontos principais
- O governo brasileiro negocia com o USTR para evitar a aplicação de tarifas de 25% baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
- A decisão final sobre a imposição das sobretaxas pelos Estados Unidos está prevista para o dia 15 de julho de 2026.
- O ministro Márcio Elias Rosa descartou a eliminação da tarifa sobre o etanol americano, citando riscos à economia do Nordeste.
- Representantes do setor produtivo brasileiro argumentam que as tarifas prejudicariam cadeias de suprimentos e consumidores americanos.
- O senador Flávio Bolsonaro participou de audiência pública em Washington, focando em temas políticos e ignorando pautas técnicas.
- O governo Lula criticou a atuação do senador, classificando-a como uma interferência política ineficaz para os interesses nacionais.
- O Brasil defende que suas políticas, como o RenovaBio, não são discriminatórias e que o país é um fornecedor estável para o mercado dos EUA.
O governo brasileiro intensificou as negociações técnicas com autoridades dos Estados Unidos na tentativa de evitar a imposição de tarifas de 25% sobre produtos nacionais. A investigação, conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, avalia práticas comerciais brasileiras e tem sua decisão final aguardada para o dia 15 de julho. O ministro Márcio Elias Rosa reforçou que o Executivo mantém o diálogo aberto com o governo de Donald Trump, priorizando uma solução diplomática que preserve a soberania e os interesses industriais do país.
Um ponto central das tratativas é a recusa do governo brasileiro em incluir o etanol nas concessões comerciais. A proposta de zerar a tarifa de 18% sobre o produto americano, defendida pelo senador Flávio Bolsonaro, foi rechaçada pela equipe ministerial. Segundo o governo, tal medida representaria um risco significativo para a indústria sucroalcooleira do Nordeste. O setor de etanol de milho também tem atuado nas audiências públicas em Washington, argumentando que a aplicação de sobretaxas seria prejudicial tanto para empresas quanto para consumidores americanos, reforçando o papel do Brasil como um parceiro estratégico e estável.
A participação do senador Flávio Bolsonaro na audiência pública do USTR gerou atrito político. Enquanto o governo foca em argumentos técnicos e na defesa das políticas de regulação nacionais, o senador concentrou seu discurso em temas como regulação de redes sociais e corrupção. O Planalto classificou a postura do parlamentar como uma tentativa de pauta político-eleitoral que se desvia das necessidades técnicas da negociação. Apesar do ruído, o governo brasileiro mantém o compromisso com o multilateralismo e busca demonstrar que suas práticas comerciais estão alinhadas com as normas internacionais, evitando assim que o país seja alvo de sanções unilaterais.
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