Empresas e setores brasileiros pressionam EUA contra novas tarifas
Grandes corporações e entidades brasileiras buscam isenções contra a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos nacionais em audiências em Washington.
Pontos principais
- Empresas como Tesla, Coca-Cola, eBay e Nestlé pediram formalmente ao governo dos EUA exceções à tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
- O governo dos Estados Unidos investiga o Brasil sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, citando práticas comerciais e regulação de plataformas.
- Representantes de diversos setores brasileiros, incluindo etanol, mel e madeira, contestaram a medida em audiência pública do USTR.
- O governo brasileiro classificou a investigação como arbitrária e defende que disputas sejam resolvidas via OMC.
- O senador Flávio Bolsonaro participou da audiência em Washington defendendo a manutenção do PIX e o adiamento das sanções.
- O prazo final para a definição das medidas corretivas pelos Estados Unidos está marcado para o dia 15 de julho.
- Empresas argumentam que as tarifas elevarão custos operacionais e prejudicarão cadeias de suprimentos essenciais nos EUA.
Uma coalizão formada por grandes empresas americanas e representantes da indústria brasileira iniciou uma ofensiva diplomática e comercial em Washington para contestar a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos importados do Brasil. Em audiências públicas conduzidas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), gigantes como Tesla, Coca-Cola, eBay e Nestlé formalizaram pedidos de isenção, argumentando que a imposição tarifária elevaria custos operacionais, desestabilizaria cadeias de suprimentos críticas e prejudicaria diretamente o consumidor final norte-americano. A Tesla, por exemplo, destacou a dependência de componentes que ainda não possuem escala de produção interna, enquanto o eBay alertou para o impacto negativo sobre pequenos vendedores.
Simultaneamente, entidades brasileiras de setores como etanol, mel e madeira utilizaram o espaço para questionar a base técnica da investigação americana, que se fundamenta na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, enviou uma contestação formal classificando a medida como arbitrária e contrária às normas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Itamaraty reforçou que o histórico de superávit comercial dos EUA com o Brasil desde 2007 contradiz as alegações de práticas comerciais desleais que motivaram a investigação.
O cenário de tensão comercial é agravado por investigações americanas sobre o funcionamento do sistema PIX e a regulação de plataformas digitais no Brasil. Durante as audiências, o senador Flávio Bolsonaro defendeu a soberania do sistema de pagamentos brasileiro e sugeriu um adiamento de 180 dias para qualquer sanção, visando abrir espaço para negociações técnicas. O governo dos EUA tem até o dia 15 de julho para concluir a análise e definir se aplicará as tarifas, um desfecho que poderá redefinir o fluxo comercial entre as duas nações nos próximos anos.
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