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Empresas e setores brasileiros pressionam EUA contra novas tarifas

Grandes corporações e entidades brasileiras buscam isenções contra a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos nacionais em audiências em Washington.

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Foto: G1 - Economia
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06/07 às 15:15 · atualizado 07/07 às 01:02

Pontos principais

  • Empresas como Tesla, Coca-Cola, eBay e Nestlé pediram formalmente ao governo dos EUA exceções à tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
  • O governo dos Estados Unidos investiga o Brasil sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, citando práticas comerciais e regulação de plataformas.
  • Representantes de diversos setores brasileiros, incluindo etanol, mel e madeira, contestaram a medida em audiência pública do USTR.
  • O governo brasileiro classificou a investigação como arbitrária e defende que disputas sejam resolvidas via OMC.
  • O senador Flávio Bolsonaro participou da audiência em Washington defendendo a manutenção do PIX e o adiamento das sanções.
  • O prazo final para a definição das medidas corretivas pelos Estados Unidos está marcado para o dia 15 de julho.
  • Empresas argumentam que as tarifas elevarão custos operacionais e prejudicarão cadeias de suprimentos essenciais nos EUA.

Uma coalizão formada por grandes empresas americanas e representantes da indústria brasileira iniciou uma ofensiva diplomática e comercial em Washington para contestar a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos importados do Brasil. Em audiências públicas conduzidas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), gigantes como Tesla, Coca-Cola, eBay e Nestlé formalizaram pedidos de isenção, argumentando que a imposição tarifária elevaria custos operacionais, desestabilizaria cadeias de suprimentos críticas e prejudicaria diretamente o consumidor final norte-americano. A Tesla, por exemplo, destacou a dependência de componentes que ainda não possuem escala de produção interna, enquanto o eBay alertou para o impacto negativo sobre pequenos vendedores.

Simultaneamente, entidades brasileiras de setores como etanol, mel e madeira utilizaram o espaço para questionar a base técnica da investigação americana, que se fundamenta na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, enviou uma contestação formal classificando a medida como arbitrária e contrária às normas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Itamaraty reforçou que o histórico de superávit comercial dos EUA com o Brasil desde 2007 contradiz as alegações de práticas comerciais desleais que motivaram a investigação.

O cenário de tensão comercial é agravado por investigações americanas sobre o funcionamento do sistema PIX e a regulação de plataformas digitais no Brasil. Durante as audiências, o senador Flávio Bolsonaro defendeu a soberania do sistema de pagamentos brasileiro e sugeriu um adiamento de 180 dias para qualquer sanção, visando abrir espaço para negociações técnicas. O governo dos EUA tem até o dia 15 de julho para concluir a análise e definir se aplicará as tarifas, um desfecho que poderá redefinir o fluxo comercial entre as duas nações nos próximos anos.

Fonte primária

Office of the United States Trade Representative (USTR)

Notice of Determination and Request for Comments Concerning Action Pursuant to Section 301: Brazil's Acts, Policies, and Practices

No aviso de 4 de junho de 2026 (docket USTR-2026-0331), o USTR determina que práticas do Brasil são "unreasonable" e oneram o comércio americano sob as Seções 301(b) e 304(a) do Trade Act de 1974, em seis frentes: (1) comércio digital e pagamentos eletrônicos — cita ordens judiciais secretas brasileiras para remoção global de conteúdo de X, Meta e Google, multas diárias e bloqueio de ativos da X, e tratamento preferencial do Banco Central ao Pix (uso obrigatório para instituições com mais de 500 mil contas, gratuidade a pessoas físicas e teto de tarifa); (2) tarifas preferenciais que o Brasil concede a México e Índia em setores (veículos, autopeças, químicos, maquinário) onde os EUA também são competitivos, 10 a 100 pontos percentuais abaixo da tarifa MFN aplicada aos EUA; (3) fiscalização anticorrupção insuficiente, citando relatório da OCDE de 2023; (4) proteção de propriedade intelectual, incluindo ausência de ajuste de prazo de patente para biofarmacêuticos; (5) tarifas sobre etanol consideradas discriminatórias frente ao Mercosul; e (6) desmatamento ilegal, com dados de que 91% do desmatamento na Amazônia entre 2023-2024 foi ilegal. Como ação proposta, o USTR aplicaria tarifa adicional de 25% sobre todos os produtos brasileiros, com isenções para materiais informativos, doações, bagagem de viajantes, artigos já sujeitos à tarifa da Seção 232, e itens listados em anexo (insumos sem oferta doméstica suficiente nos EUA, produtos cuja tarifa causaria disrupção econômica, ou bens que a tarifa adicional não ajudaria a eliminar). O aviso fixou 1º de julho de 2026 como prazo para comentários escritos e convocou audiência pública do Section 301 Committee em 6-7 de julho de 2026 no USITC (500 E Street SW, Washington) — a mesma audiência em que setores dos EUA e do Brasil pediram exceções à tarifa.

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