PF deflagra Operação Exchange após sanções dos EUA contra PCC
A Polícia Federal prendeu uma suspeita de lavar R$ 10 bilhões para o PCC, após sanções dos EUA forçarem a antecipação da operação contra o grupo.
Pontos principais
- A Operação Exchange visa desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas ligado ao PCC.
- Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foi presa, enquanto Victor Henrique de Oliveira Shimada permanece foragido.
- A Justiça Federal determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 10,4 bilhões.
- O esquema utilizava 73 empresas de fachada e criptoativos para movimentar recursos ilícitos.
- A Polícia Federal afirmou que a operação foi antecipada devido às sanções impostas pelo governo dos EUA, o que prejudicou diligências.
- Victor Shimada é o primeiro brasileiro sancionado pelos EUA por vínculos com o PCC, classificado como organização terrorista.
- O Ministério da Fazenda manifestou preocupação com a interferência dos EUA em investigações brasileiras em curso.
- As investigações foram impulsionadas pela análise de dados apreendidos em dispositivos eletrônicos nos Estados Unidos em 2023.
- Victor Shimada também é investigado por supostas conexões com fraudes envolvendo o Sport Club Corinthians Paulista.
A Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange com o objetivo de desarticular um complexo esquema de lavagem de dinheiro vinculado à facção criminosa PCC. A ação resultou na prisão de Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e no bloqueio judicial de até R$ 10,4 bilhões em bens e ativos, incluindo criptomoedas e 73 empresas de fachada. O principal alvo da operação, Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como operador financeiro da facção, permanece foragido. As investigações revelaram que o grupo movimentava recursos provenientes do tráfico internacional de drogas através de métodos sofisticados, como o uso de criptoativos e transporte físico de valores.
A deflagração da operação foi marcada por um atrito diplomático e operacional. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, declarou que a antecipação da ação foi forçada pelo anúncio de sanções unilaterais do governo dos Estados Unidos contra os investigados. Segundo a PF, a divulgação pública dessas medidas pelos americanos comprometeu o sigilo das diligências e dificultou a captura de Shimada. O governo brasileiro, por meio do ministro da Fazenda, Dario Durigan, expressou preocupação com a interferência dos EUA em assuntos internos, ressaltando que os alvos já eram monitorados pelas autoridades nacionais antes da iniciativa da gestão Trump.
O caso ganhou relevância adicional devido ao histórico dos investigados. Victor Shimada foi o primeiro brasileiro a sofrer sanções dos EUA após a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo americano. Além do braço financeiro do crime organizado, Shimada também é citado em investigações sobre irregularidades no Sport Club Corinthians Paulista, embora especialistas indiquem que, até o momento, não há elementos que liguem diretamente o clube às sanções internacionais ou ao financiamento de atividades terroristas.
A cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado tem se intensificado, mas o episódio evidencia desafios na coordenação entre as agências de segurança. Enquanto a PF defende a necessidade de maior alinhamento para evitar a perda de provas e a fuga de suspeitos, o governo brasileiro mantém cautela sobre as implicações das sanções unilaterais. A Operação Exchange segue em curso para identificar outros integrantes da rede e recuperar os valores desviados, consolidando um dos maiores golpes financeiros já aplicados contra a estrutura de lavagem de dinheiro do PCC no país.
Fontes primárias
PF deflagra Operação Exchange contra grupo criminoso de lavagem de dinheiro
A PF informa que a Operação Exchange tem por objetivo desarticular organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão temporária, com mais de 50 policiais federais mobilizados em endereços de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. A análise preliminar identificou movimentações superiores a R$ 10 bilhões, e a Justiça Federal determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos dos investigados no valor total de R$ 10,4 bilhões. Segundo a corporação, o grupo usava sistema estruturado para movimentar recursos por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores em espécie, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas.
Treasury Sanctions Brazilian Criminal Network Exploiting U.S. Financial System to Launder Drug Proceeds
Em 1º de julho de 2026, a OFAC designou dois cidadãos brasileiros, três empresas brasileiras e uma portuguesa por ligação com o PCC. A rede do polo de São Paulo é liderada por Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais, responsável por lavar mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos via criptoativos enviados ao Brasil. Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, parente e associada de Shimada, é descrita como sua secretária e corretora para coleta de dinheiro em espécie. Também foram designadas as empresas Victory Trading, Pixwave Soluções de Pagamentos e Wave Construções Inteligentes (todas em São Paulo) e Avenidas Flutuantes (Portugal), usadas para disfarçar as transações. O Tesouro classifica a ação, baseada nas Executive Orders 14059 e 13224, como a terceira contra o PCC desde a designação da facção como organização em dezembro de 2021, e diz que resulta de investigação conjunta da Homeland Security Task Force, do FBI em Miami e do Departamento de Justiça, que já havia prendido seis integrantes do núcleo da Flórida em janeiro de 2026.
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