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Operação Fluxo Oculto investiga fintechs por lavagem de dinheiro

MPSP e Receita Federal apuram o uso de fintechs e fundos em um esquema de lavagem de dinheiro e fraude no setor de combustíveis que movimentou R$ 26 bi.

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Foto: InvestNews
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28/05 às 07:15 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • A operação cumpriu 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados, focando em seis fintechs que atuavam como bancos paralelos.
  • O esquema movimentou R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025, utilizando contas bolsão, depósitos em espécie e bets ilegais.
  • Investigações ligam a estrutura financeira ao PCC, utilizando postos de combustíveis, padarias e lojas de conveniência como fachada.
  • Uma das fintechs investigadas movimentou mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo, prática considerada atípica e incompatível com o setor.
  • A ação é um desdobramento da investigação Carbono Oculto, focando em terminais de armazenamento e indústrias químicas.
  • Fraudes tecnológicas permitem a alteração remota do volume de combustível abastecido nas bombas, aumentando a margem de lucro ilícita.
  • Quatro fundos de investimento, com patrimônio de R$ 205 milhões, apresentaram crescimento suspeito superior a 200% em um ano.
  • A ANP aplicou restrições operacionais e interdições em unidades envolvidas, com penalidades administrativas que podem chegar a R$ 5 milhões.
  • O secretário da Receita Federal apontou que as fintechs exploraram um vácuo regulatório para operar com menor transparência.

O Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal, a ANP e forças policiais, deflagrou a Operação Fluxo Oculto para desarticular um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e fraude fiscal. A investigação, que se apresenta como um desdobramento da operação Carbono Oculto, mira seis fintechs e instituições de pagamento suspeitas de operarem como bancos paralelos para organizações criminosas, incluindo o PCC. Entre 2022 e 2025, o grupo movimentou cerca de R$ 26 bilhões, utilizando contas bolsão, depósitos em espécie e bets ilegais para ocultar a origem ilícita dos recursos. Entre as irregularidades detectadas, destaca-se uma fintech que movimentou mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo, volume considerado totalmente incompatível com a natureza do setor. Além das apreensões de bens, a força-tarefa revelou que o crime organizado infiltrou-se em toda a cadeia produtiva de combustíveis, utilizando uma rede de postos, lojas de conveniência e padarias como fachada para movimentar valores que, em recortes específicos da investigação, somam R$ 4 bilhões em transações ilícitas.

As diligências foram estendidas para cinco estados, concentrando-se em terminais de armazenamento e indústrias químicas. Os investigadores apuram o desvio de nafta para a produção irregular de combustíveis, prática que tem gerado prejuízos fiscais significativos. Antes da deflagração da operação, a ANP já havia aplicado restrições operacionais e interdições em diversas unidades envolvidas, ressaltando que as penalidades administrativas para irregularidades no setor podem atingir até R$ 5 milhões por infração. O uso de 'contas-bolsão' em bancos tradicionais também foi identificado como uma estratégia deliberada para dificultar o rastreamento dos recursos financeiros pelas autoridades.

O esquema envolve alta sofisticação tecnológica, com a identificação de fraudes que permitem a alteração remota do volume de combustível abastecido nas bombas. Paralelamente, os investigadores notaram que a sonegação fiscal migrou para o etanol após a implementação da tributação monofásica em outros combustíveis. O grupo também utilizava quatro fundos de investimento, com patrimônio de R$ 205 milhões, que apresentaram crescimento suspeito superior a 200% em apenas um ano, evidenciando a complexidade da lavagem de capitais utilizada para dar aparência legal aos recursos desviados através de laranjas e empresas de fachada.

Segundo as autoridades, as instituições financeiras investigadas exploraram um vácuo regulatório para operar com menor transparência. Em declaração sobre o caso, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, reforçou que a estratégia do governo é asfixiar financeiramente as engrenagens que sustentam o crime organizado. A cooperação entre órgãos de fiscalização e forças policiais tem sido fundamental para rastrear esses fluxos financeiros, mantendo o cerco sobre a infraestrutura que dá suporte a atividades ilícitas e garantindo que o uso intensivo de tecnologia para monitoramento continue sendo uma prioridade no combate ao poder econômico de grupos criminosos.

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