Visão geral
O Primeiro Comando da Capital (PCC) é uma das maiores e mais influentes organizações criminosas do Brasil, com atuação que se estende por diversos estados brasileiros e países vizinhos. Fundado em presídios paulistas, o PCC é conhecido por sua estrutura hierárquica e por sua capacidade de operar tanto dentro quanto fora do sistema prisional, envolvendo-se em atividades como o tráfico de drogas, roubos, extorsões e controle de territórios. A facção também tem demonstrado esforços contínuos e preocupantes para infiltrar-se em forças de segurança e instituições estatais, como evidenciado por casos de corrupção e relacionamentos com membros das autoridades, incluindo a recente prisão de uma delegada da Polícia Civil em São Paulo sob acusação de agir a mando da organização. Além disso, o PCC tem expandido suas operações financeiras, utilizando esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro, como a parceria com máfias internacionais para ocultar bilhões em receitas ilícitas.
Contexto e histórico
O PCC surgiu no início da década de 1990, em meio a um cenário de superlotação e precárias condições nos presídios de São Paulo. A organização foi criada inicialmente como uma forma de autoproteção e reivindicação de direitos para os detentos, mas rapidamente evoluiu para uma facção criminosa com objetivos mais amplos, incluindo o controle do crime organizado. A facção tem se expandido significativamente, estabelecendo rotas de tráfico de drogas e armas, especialmente em regiões de fronteira, como a Amazônia, onde disputa o controle com outras organizações criminosas como o Comando Vermelho (CV). A capacidade do PCC de estabelecer conexões e influenciar agentes públicos, inclusive infiltrando-se em altos escalões da polícia, tem gerado sérias preocupações sobre a integridade das instituições estatais e a segurança pública. Mais recentemente, investigações como a Operação Dark Trader revelaram a complexidade das operações financeiras do PCC, que incluem a lavagem de dinheiro em larga escala através de empresas de fachada e o mercado de eletrônicos, em parceria com organizações criminosas transnacionais.
Linha do tempo
- Início de junho de 2025: Maior apreensão de drogas já registrada no Amazonas, totalizando 6,5 toneladas, incluindo maconha skunk, cocaína e oxi. A operação resultou na apreensão de diversos armamentos, incluindo fuzis e uma metralhadora calibre .50. Dois criminosos foram mortos e os sobreviventes conseguiram fugir.
- 19 de dezembro de 2025: A Polícia Federal devolve dois fuzis à Polícia Nacional do Peru, armas que foram apreendidas na operação de junho e que se verificou terem sido furtadas de uma base policial peruana, indicando a atuação de organizações criminosas transnacionais na região de fronteira.
- 16 de janeiro de 2026: A ex-policial militar Layla Ayub é presa sob a acusação de ter um relacionamento amoroso com um membro do PCC no Pará, levantando preocupações sobre a infiltração do crime organizado nas forças de segurança.
- 16 de janeiro de 2026: Uma delegada recém-empossada da Polícia Civil é presa em São Paulo, acusada de ter se infiltrado na corporação a mando do PCC. A posse da delegada havia ocorrido em 19 de dezembro, no Palácio dos Bandeirantes. Nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos no âmbito da investigação.
- 12 de fevereiro de 2026: A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público do Estado deflagram a Operação Dark Trader para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação empresarial, envolvendo uma máfia chinesa que movimentou R$ 1,1 bilhão para o PCC em sete meses. Foram cumpridos mandados de prisão e busca e apreensão em São Paulo e Santa Catarina.
Principais atores
- Primeiro Comando da Capital (PCC): Organização criminosa brasileira com atuação nacional e internacional, envolvida em tráfico de drogas e armas, e com tentativas de infiltração em forças de segurança e instituições estatais, além de sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro.
- Comando Vermelho (CV): Facção criminosa rival do PCC, com a qual disputa rotas de tráfico, especialmente na região amazônica.
- Polícia Federal (PF): Órgão de segurança brasileiro responsável por investigações de crimes federais, incluindo tráfico internacional de drogas e armas.
- Polícia Nacional do Peru (Dirandro): Força policial peruana, especificamente a Divisão de Investigação de Narcóticos, que coopera com autoridades brasileiras no combate ao tráfico transnacional.
- Companhia de Operações Especiais (COE): Unidade de elite da polícia brasileira envolvida em operações de alto risco.
- Layla Ayub: Ex-policial militar do Espírito Santo, presa em 2026 sob acusação de envolvimento amoroso com um integrante do PCC no Pará, exemplificando a preocupação com a infiltração da facção em forças de segurança.
- Máfia Chinesa: Organização criminosa internacional identificada na Operação Dark Trader por lavar R$ 1,1 bilhão para o PCC em sete meses, utilizando um complexo esquema de desvio de fluxo financeiro no mercado de eletrônicos.
- Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (GAEPP): Grupo do Ministério Público especializado em identificar e bloquear patrimônio escondido pelo crime organizado, atuante na Operação Dark Trader.
Termos importantes
- Tráfico transnacional: Comércio ilegal de bens ou pessoas que atravessa fronteiras internacionais, frequentemente associado a organizações criminosas.
- Pasta base de cocaína: Produto intermediário no processo de refino da cocaína, frequentemente traficado em grandes volumes.
- Skunk: Uma variedade de maconha com alta concentração de THC, geralmente mais potente que a maconha comum.
- Oxi: Uma variação mais barata e tóxica do crack, feita com pasta base de cocaína, cal virgem e querosene ou gasolina.
- Narcoestado: Termo usado para descrever um país onde o tráfico de drogas tem uma influência significativa ou dominante sobre o governo e a economia.
- Lavagem de dinheiro: Processo pelo qual recursos de origem ilícita são incorporados ao sistema financeiro de forma legal, ocultando sua procedência.