Polícia Federal investiga senador Jaques Wagner em caso do Banco Master
A PF apura se o senador Jaques Wagner utilizou seu cargo para favorecer o Banco Master em troca de vantagens indevidas, enquanto o PT e o governo reafirmam confiança na inocência do parlamentar.
Pontos principais
- A 9ª fase da Operação Compliance Zero investiga conexões entre o senador Jaques Wagner e o Banco Master.
- Agentes da PF apreenderam US$ 49 mil em espécie em um endereço vinculado ao parlamentar em Brasília.
- Investigações focam em um apartamento de luxo em Salvador e repasses financeiros a familiares do senador.
- A PF apura o recebimento de R$ 3,5 milhões, aeronaves e ingressos de luxo como vantagens indevidas.
- O ministro do STF André Mendonça autorizou 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, São Paulo e Distrito Federal.
- A PF apura indícios de que o senador exerceu pressão política no Senado para favorecer o ex-sócio do banco, Augusto Lima.
- A BN Financeira, ligada ao núcleo familiar do senador, teve atividades suspensas por suspeita de lavagem de dinheiro.
- O caso analisa investimentos bilionários da Rioprevidência em fundos do Banco Master, com prejuízos estimados em R$ 12 bilhões.
- Investigações apontam para transações que somariam cerca de R$ 11 milhões em contratos de consultoria suspeitos.
- O presidente do PT, Edinho Silva, manifestou confiança na inocência de Wagner e reforçou a independência da PF.
- O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o senador terá espaço para apresentar suas justificativas.
- O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manifestou solidariedade a Wagner e defendeu a presunção de inocência.
A Polícia Federal deflagrou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga o senador Jaques Wagner (PT-BA) por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. As apurações, autorizadas pelo ministro do STF André Mendonça, indicam que o parlamentar teria recebido vantagens indevidas, incluindo um apartamento de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,4 milhões, além de R$ 3,5 milhões em espécie, aeronaves e ingressos de eventos. Durante o cumprimento dos 18 mandados de busca e apreensão, agentes da PF localizaram US$ 49 mil em espécie em um endereço vinculado ao senador em Brasília, reforçando as suspeitas sobre a origem de recursos não declarados. As investigações também se aprofundam em contratos de consultoria suspeitos que somariam cerca de R$ 11 milhões.
Além dos ganhos financeiros, a investigação aponta indícios de que o senador utilizou sua influência como líder do governo Lula no Senado para favorecer o Banco Master, exercendo pressão política em benefício de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, visando a tramitação de emendas legislativas e influência em temas de crédito consignado e regulação do FGC. Documentos da PF indicam que o parlamentar mantinha contatos frequentes com o banqueiro para tratar de pautas de interesse da instituição. O esquema sob investigação aponta para o uso de empresas de fachada e do núcleo familiar do senador para ocultar movimentações, resultando em prejuízos estimados em R$ 12 bilhões ao sistema financeiro nacional. A BN Financeira, ligada ao enteado do senador, Eduardo Sodré, teria sido utilizada para receber pagamentos indevidos, sendo alvo de suspensão de atividades determinada pela Justiça.
O caso gerou repercussão política imediata e polarizada. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manifestou solidariedade ao parlamentar e defendeu a observância da presunção de inocência e do devido processo legal. Em resposta às denúncias, o presidente do PT, Edinho Silva, declarou que o partido mantém total confiança na inocência de Jaques Wagner, afirmando que o senador colaborará com as autoridades e esclarecerá todos os fatos, ao mesmo tempo em que reforçou a independência da Polícia Federal no trabalho investigativo. Na mesma linha, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, também expressou confiança no senador, pontuando que ele terá o espaço necessário para se justificar perante a Justiça.
A cúpula petista tem buscado rebater as acusações tentando associar o escândalo a práticas de gestões anteriores e a vínculos da família Bolsonaro com o setor financeiro. Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro criticou o PT e o governo Lula, defendendo a criação de uma CPMI para investigar o Banco Master, embora o próprio parlamentar também tenha sido vinculado ao episódio por pedidos de recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de um filme. O cenário político permanece em alerta, com a oposição buscando capitalizar sobre as denúncias, enquanto a base aliada tenta conter os danos à imagem do governo no Congresso.
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