Mendonça impõe medidas cautelares a Jaques Wagner em investigação do Banco Master
O ministro André Mendonça impôs medidas cautelares ao senador Jaques Wagner, sob investigação por supostos repasses de R$ 11 milhões e atuação em favor do Banco Master, gerando desgaste político ao governo Lula.
Pontos principais
- O ministro André Mendonça proibiu o senador Jaques Wagner de manter contatos com outros investigados e realizar atuações econômicas conjuntas.
- A Operação Compliance Zero apura o recebimento de um imóvel de luxo e pagamentos que somariam R$ 11 milhões ao núcleo familiar do senador.
- A PF aponta que Wagner atuou na ampliação do crédito consignado, mudanças no FGC e na tentativa de venda do Banco Master ao BRB.
- Investigações indicam que o ex-sócio do banco, Augusto Lima, teria custeado o uso de avião particular e ingressos de shows para o parlamentar.
- A Polícia Federal apreendeu valores em espécie, incluindo 147 mil dólares e 33 mil euros, além de 49 mil dólares encontrados em imóvel associado ao senador.
- Mensagens interceptadas sugerem que o senador teria atuado em pautas legislativas de interesse do banco, como a margem consignável.
- O senador Jaques Wagner comprou um segundo apartamento no edifício Victory Tower, em Salvador, avaliado em R$ 9 milhões.
- A transação imobiliária recente ocorre em paralelo às diligências da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.
- O parlamentar foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal nesta quinta-feira como parte das investigações do caso Master.
- A defesa de Jaques Wagner nega irregularidades, enquanto a defesa de Augusto Lima sustenta que o ex-sócio tem colaborado com as autoridades.
- O ministro Mendonça manteve a cautela institucional ao negar pedidos de busca e apreensão no gabinete do senador no Senado Federal.
- O desdobramento das investigações, baseadas em dados de aparelhos celulares de aliados de Daniel Vorcaro, gera desgaste político à gestão do presidente Lula.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, impôs medidas cautelares ao senador Jaques Wagner no âmbito da Operação Compliance Zero. A decisão, que ocorre em meio ao aprofundamento das investigações sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo o Banco Master, proíbe o parlamentar de manter contato com outros investigados e de realizar atuações econômicas conjuntas. A medida reforça o controle judicial sobre o caso, enquanto a Polícia Federal apura novos indícios de transações financeiras suspeitas envolvendo o líder do governo no Senado, incluindo a recente aquisição de um segundo apartamento no edifício Victory Tower, em Salvador, avaliado em R$ 9 milhões. A compra do imóvel, confirmada por funcionários do prédio onde o senador reside desde 2011, soma-se aos elementos sob análise dos investigadores.
As apurações da PF indicam que o montante de supostas vantagens indevidas pode ser superior ao inicialmente estimado, com registros de pagamentos que somariam R$ 11 milhões destinados à família do senador. Entre os itens sob investigação está um imóvel de alto padrão avaliado em R$ 2,5 milhões. Além disso, novas evidências extraídas de dispositivos eletrônicos de Augusto Lima, ex-sócio do banco, apontam que o senador teria usufruído de aeronaves particulares e do custeio de ingressos de camarote para shows, incluindo apresentações da cantora Taylor Swift, para sua família. Mensagens interceptadas sugerem que o próprio parlamentar teria solicitado os ingressos.
Os investigadores detalham que a atuação de Wagner em favor do Banco Master teria ocorrido em três frentes principais: a ampliação do crédito consignado para servidores da Bahia, a articulação de mudanças no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a tentativa de viabilizar a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Dias antes de ser alvo da operação, Jaques Wagner utilizou a tribuna do Senado para negar qualquer relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, questionando a legitimidade de delações premiadas obtidas por pessoas presas, classificando-as como fruto de coação.
Além do patrimônio imobiliário e dos benefícios de viagem, a polícia apreendeu valores em espécie, totalizando 147 mil dólares, 33 mil euros e outros 49 mil dólares encontrados em um imóvel associado ao parlamentar. As autoridades investigam se o senador utilizou sua influência para favorecer o banco em pautas legislativas estratégicas. O ministro Mendonça destacou que Lima atuava como interlocutor direto de Wagner em temas de interesse da instituição. Embora tenha imposto as restrições cautelares, o ministro Mendonça manteve a cautela institucional ao negar pedidos de busca e apreensão no gabinete do senador, reiterando a necessidade de fundamentação rigorosa para intervenções em sedes de Poderes.
O caso, que ganhou novos contornos com o conteúdo extraído dos aparelhos celulares de aliados de Daniel Vorcaro, tem gerado repercussão negativa e desgaste político para o governo do presidente Lula, dada a proximidade do senador com a cúpula do Executivo. O caso segue sob análise da Corte, com desdobramentos que envolvem outros nomes do cenário político nacional. Em resposta, a defesa de Jaques Wagner nega categoricamente qualquer irregularidade, enquanto a defesa de Augusto Lima afirma que as buscas foram desnecessárias.
Comentários
Carregando comentários...
