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Mendonça impõe medidas cautelares a Jaques Wagner em investigação do Banco Master

O ministro André Mendonça impôs medidas cautelares ao senador Jaques Wagner, sob investigação por supostos repasses de R$ 11 milhões e atuação em favor do Banco Master, gerando desgaste político ao governo Lula.

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Foto: G1 Política
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18/06 às 11:03 · atualizado 19/06 às 08:59

Pontos principais

  • O ministro André Mendonça proibiu o senador Jaques Wagner de manter contatos com outros investigados e realizar atuações econômicas conjuntas.
  • A Operação Compliance Zero apura o recebimento de um imóvel de luxo e pagamentos que somariam R$ 11 milhões ao núcleo familiar do senador.
  • A PF aponta que Wagner atuou na ampliação do crédito consignado, mudanças no FGC e na tentativa de venda do Banco Master ao BRB.
  • Investigações indicam que o ex-sócio do banco, Augusto Lima, teria custeado o uso de avião particular e ingressos de shows para o parlamentar.
  • A Polícia Federal apreendeu valores em espécie, incluindo 147 mil dólares e 33 mil euros, além de 49 mil dólares encontrados em imóvel associado ao senador.
  • Mensagens interceptadas sugerem que o senador teria atuado em pautas legislativas de interesse do banco, como a margem consignável.
  • O senador Jaques Wagner comprou um segundo apartamento no edifício Victory Tower, em Salvador, avaliado em R$ 9 milhões.
  • A transação imobiliária recente ocorre em paralelo às diligências da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.
  • O parlamentar foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal nesta quinta-feira como parte das investigações do caso Master.
  • A defesa de Jaques Wagner nega irregularidades, enquanto a defesa de Augusto Lima sustenta que o ex-sócio tem colaborado com as autoridades.
  • O ministro Mendonça manteve a cautela institucional ao negar pedidos de busca e apreensão no gabinete do senador no Senado Federal.
  • O desdobramento das investigações, baseadas em dados de aparelhos celulares de aliados de Daniel Vorcaro, gera desgaste político à gestão do presidente Lula.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, impôs medidas cautelares ao senador Jaques Wagner no âmbito da Operação Compliance Zero. A decisão, que ocorre em meio ao aprofundamento das investigações sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo o Banco Master, proíbe o parlamentar de manter contato com outros investigados e de realizar atuações econômicas conjuntas. A medida reforça o controle judicial sobre o caso, enquanto a Polícia Federal apura novos indícios de transações financeiras suspeitas envolvendo o líder do governo no Senado, incluindo a recente aquisição de um segundo apartamento no edifício Victory Tower, em Salvador, avaliado em R$ 9 milhões. A compra do imóvel, confirmada por funcionários do prédio onde o senador reside desde 2011, soma-se aos elementos sob análise dos investigadores.

As apurações da PF indicam que o montante de supostas vantagens indevidas pode ser superior ao inicialmente estimado, com registros de pagamentos que somariam R$ 11 milhões destinados à família do senador. Entre os itens sob investigação está um imóvel de alto padrão avaliado em R$ 2,5 milhões. Além disso, novas evidências extraídas de dispositivos eletrônicos de Augusto Lima, ex-sócio do banco, apontam que o senador teria usufruído de aeronaves particulares e do custeio de ingressos de camarote para shows, incluindo apresentações da cantora Taylor Swift, para sua família. Mensagens interceptadas sugerem que o próprio parlamentar teria solicitado os ingressos.

Os investigadores detalham que a atuação de Wagner em favor do Banco Master teria ocorrido em três frentes principais: a ampliação do crédito consignado para servidores da Bahia, a articulação de mudanças no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a tentativa de viabilizar a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Dias antes de ser alvo da operação, Jaques Wagner utilizou a tribuna do Senado para negar qualquer relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, questionando a legitimidade de delações premiadas obtidas por pessoas presas, classificando-as como fruto de coação.

Além do patrimônio imobiliário e dos benefícios de viagem, a polícia apreendeu valores em espécie, totalizando 147 mil dólares, 33 mil euros e outros 49 mil dólares encontrados em um imóvel associado ao parlamentar. As autoridades investigam se o senador utilizou sua influência para favorecer o banco em pautas legislativas estratégicas. O ministro Mendonça destacou que Lima atuava como interlocutor direto de Wagner em temas de interesse da instituição. Embora tenha imposto as restrições cautelares, o ministro Mendonça manteve a cautela institucional ao negar pedidos de busca e apreensão no gabinete do senador, reiterando a necessidade de fundamentação rigorosa para intervenções em sedes de Poderes.

O caso, que ganhou novos contornos com o conteúdo extraído dos aparelhos celulares de aliados de Daniel Vorcaro, tem gerado repercussão negativa e desgaste político para o governo do presidente Lula, dada a proximidade do senador com a cúpula do Executivo. O caso segue sob análise da Corte, com desdobramentos que envolvem outros nomes do cenário político nacional. Em resposta, a defesa de Jaques Wagner nega categoricamente qualquer irregularidade, enquanto a defesa de Augusto Lima afirma que as buscas foram desnecessárias.

Fonte primária

STF — Min. André Mendonça (PET 16.201/DF, íntegra)

Decisão — PET 16.201/DF (busca e apreensão · Operação Compliance Zero, 9ª fase)

Decisão monocrática de André Mendonça (Brasília, 17/06/2026) que defere parcialmente a busca e apreensão requerida pela PF no INQ 5026 / PET 16.032/DF (Operação Compliance Zero). Apura-se possível relação ilícita entre gestores do antigo Banco Master — notadamente Augusto Ferreira Lima e Daniel Bueno Vorcaro — e o senador Jaques Wagner, com indícios de recebimento de vantagens econômicas indevidas, direta ou indiretamente, via familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias. A narrativa policial se desenvolve em três eixos: (i) aquisição do apartamento nº 1.702 do empreendimento Poème Horto, em Salvador, avaliado em ~R$ 2.450.000, formalmente comprado pela EPÍTOME S.A. com recursos de fundos do grupo investigado, em dinâmica reputada compatível com ocultação do beneficiário final (a expressão 'A altura do vão é 2,45m' foi lida como possível linguagem cifrada para o valor do imóvel); (ii) repasses à BN Financeira Ltda., empresa do núcleo familiar de Wagner, incluindo transferência de R$ 3.500.000 pela PKL One Participações S.A. e planilhas com pagamentos superiores a R$ 2.340.000 a 'Dudu' (Eduardo Mendonça Sodré Martins); (iii) atuação parlamentar em temas de interesse do banco — crédito consignado (Emenda nº 30 à MP 1.106/2022, convertida na Lei 14.431/2022), PEC 65/2023 sobre o limite de cobertura do FGC, e fiscalização da operação de aquisição do Master pelo BRB. Os fatos, em tese, configurariam corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. No dispositivo, o ministro DEFERE parcialmente os mandados, mas RESSALVA (indefere) a diligência no gabinete do senador no Senado Federal e em seu escritório de apoio; indefere a busca contra Bonnie e Patrich Toaldo Bonilha; autoriza apreensão de dispositivos, dados, dinheiro em espécie acima de R$ 20.000 e bens de luxo de origem não comprovada; e determina cumprimento sigiloso, sereno e sem espetacularização.

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