O Banco Central reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, utilizando o horizonte relevante para justificar a decisão diante da inflação.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou a redução da taxa Selic para 14,25% ao ano, consolidando a terceira queda consecutiva em 2026. A decisão, tomada de forma unânime, reflete um ajuste de 0,25 ponto percentual e dá continuidade ao ciclo de afrouxamento monetário. O movimento busca equilibrar a necessidade de estimular a atividade econômica com a manutenção da estabilidade de preços. Para viabilizar a medida, o colegiado utilizou o alongamento do horizonte relevante para o cumprimento da meta de inflação, estratégia que permitiu ao BC ganhar fôlego na condução da política monetária mesmo diante de indicadores recentes que apontam uma piora nas expectativas inflacionárias. Entre junho de 2025 e março de 2026, a taxa esteve em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas.
Para justificar a medida, a autoridade monetária também destacou a melhora no cenário externo, mencionando a redução das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã como um fator favorável. Contudo, o comunicado oficial não sinalizou novos cortes imediatos, com a diretoria condicionando futuras decisões à evolução dos indicadores econômicos e pressões sobre os preços de combustíveis e alimentos. A cautela do BC é motivada pela dívida bruta do setor público, que atingiu 80,4% do PIB em abril, e pela inadimplência das famílias, que chegou a 7,2%.
Embora a decisão tenha sido bem recebida pelo mercado financeiro, entidades do setor produtivo manifestaram descontentamento. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou o corte como insuficiente, argumentando que a taxa permanece 3,1 pontos percentuais acima da taxa neutra estimada. Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, o alto custo do crédito inviabiliza planos de expansão industrial e pressiona o orçamento das famílias, cenário agravado pelos 9 milhões de empresas negativadas no país. A entidade sugere que a estabilização do preço do petróleo poderia permitir uma postura mais agressiva do BC. A próxima reunião do Copom está agendada para os dias 4 e 5 de agosto.
UOL - Economia • 17 jun, 20:21
Times Brasil • 17 jun, 19:38
Agência Brasil - EBC • 17 jun, 19:20
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