O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano. Esta foi a primeira diminuição da Selic desde maio de 2024, após quase dois anos sem cortes, e estava em linha com as expectativas da maior parte do mercado financeiro. A decisão foi unânime entre os membros votantes do Comitê e encerra um ciclo de cinco manutenções consecutivas da taxa Selic. Analistas da XP haviam alertado que a frustração das expectativas de corte de juros, influenciada pela escalada do conflito no Oriente Médio e a alta do petróleo, poderia gerar uma reação negativa nos mercados brasileiros, chegando a considerar a manutenção da Selic em 15% nesta reunião, diferentemente da maioria do mercado.
Mesmo com a redução da Selic, o Brasil permanece com o segundo maior juro real do mundo, atingindo 9,51%, conforme levantamento da MoneYou e Lev Intelligence. Esta é a oitava vez consecutiva que o país ocupa essa posição no ranking global, que considera as 40 maiores economias. A Turquia assumiu a liderança do ranking de juros reais, com 10,38%, enquanto a Rússia ficou em terceiro lugar com 9,41% e a Argentina em quarto. O cálculo do juro real leva em conta a inflação projetada para os próximos 12 meses e a taxa de juros DI a mercado. Caso o Copom tivesse optado por um corte maior na Selic, o Brasil poderia ter caído para a quarta posição no ranking.
O Copom optou por não sinalizar novos cortes, defendendo serenidade e cautela na condução da política monetária. A justificativa para essa postura é a incerteza gerada pelos conflitos no Oriente Médio, envolvendo EUA, Israel e Irã, e seus potenciais impactos na inflação e nos preços de commodities, como o petróleo. O Comitê destacou que os riscos inflacionários se intensificaram devido ao conflito, levando a um corte menor do que o esperado por alguns economistas e atrelando o ritmo de futuros cortes à duração do conflito geopolítico. A inflação oficial (IPCA) acelerou para 0,7% em fevereiro, mas o acumulado em 12 meses ficou em 3,81%, abaixo de 4% pela primeira vez desde maio de 2024. A meta de inflação, sob o novo sistema contínuo, é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual, com limite superior de 4,5%. O Federal Reserve (Fed) também manteve os juros, mas sinalizou possível elevação em resposta às incertezas da guerra, enquanto o Banco da Inglaterra (BoE) e o Banco Central Europeu (BCE) mantiveram suas taxas de juros.
Apesar da redução, a indústria, o comércio e os sindicatos brasileiros consideraram o corte de 0,25 ponto percentual para 14,75% ao ano insuficiente para reverter a desaceleração econômica e estimular investimentos. Entidades como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) criticaram a "punição ao investimento" e a "inércia da renda fixa" devido aos juros considerados "absurdos". Líderes do governo na Câmara, como José Guimarães (PT-CE) e Pedro Uczai (PT-SC), também se manifestaram criticamente, classificando a redução como um avanço pequeno, insuficiente e tímido para os desafios econômicos do país. A aversão a risco global, impulsionada pela escalada das tensões no Oriente Médio, com o Irã intensificando ataques à infraestrutura de energia e elevando o preço do petróleo Brent para quase US$ 119 o barril, e a cautela do Copom em sinalizar o ritmo futuro de corte da Selic, contribuíram para a queda do Ibovespa, embora moderada, com a Petrobras acelerando alta.
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