O Copom reduziu a Selic para 14,50% ao ano, o segundo corte consecutivo, mas o mercado permanece atento à inflação e ao conflito no Irã, gerando incertezas sobre os próximos passos da política monetária e o risco de uma pausa nos cortes.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou o corte da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,50% ao ano. A decisão foi unânime e alinhada com a expectativa majoritária do mercado, marcando o segundo corte consecutivo em 2026. No entanto, o comunicado que acompanhou a redução gerou interpretações diversas entre os analistas. Uma pesquisa da XP Macro revelou que 41% dos investidores consideraram o comunicado neutro, 32% hawkish (com viés de aperto monetário) e 27% dovish (com viés de afrouxamento), refletindo a incerteza sobre os próximos passos da política monetária brasileira.
O Banco Central expressou cautela, citando a necessidade de incorporar novas informações sobre os conflitos no Oriente Médio. A guerra entre Estados Unidos e Irã é apontada como um fator de incerteza, elevando os preços do petróleo e impactando a inflação global e a cadeia de suprimentos. Essa volatilidade geopolítica, que já havia feito os preços do petróleo Brent subirem 6,08% antes da decisão, é um elemento crucial na avaliação do Copom. A ausência de um 'forward guidance' explícito visa dar flexibilidade ao Banco Central em meio a esse cenário global volátil, enquanto as expectativas de inflação para 2026 e 2027, apuradas pela pesquisa Focus, permanecem acima da meta, sinalizando desancoragem.
Economistas alertam para o risco de uma pausa nos cortes da Selic, apesar da redução, devido à inflação de oferta e ao cenário externo. Eles apontam que juros altos são ineficazes contra a inflação de oferta e prejudicam a atividade econômica e a saúde corporativa, especialmente de pequenas e médias empresas. Representantes setoriais cobram equilíbrio para evitar a desindustrialização e a asfixia financeira. O mercado aumenta o alerta para uma possível interrupção no afrouxamento monetário devido ao agravamento do cenário externo e à alta do petróleo.
Apesar das preocupações, alguns economistas mantêm otimismo, projetando quedas consecutivas da Selic, enquanto outros veem a necessidade de uma pausa imediata. Analistas como Luiz Arthur Hotz Fioreze (Oryx Capital) veem o movimento como início de flexibilização, mas com incertezas significativas. Carlos Lopes (banco BV) acredita que o Copom continuará com cortes graduais de 25 pontos, encerrando o ano em 12,5% ao ano, projeção também da Austin Rating. No entanto, outros apontam para uma Selic terminal em 13% em 2026.
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