Câmara aprova PEC que acaba com escala 6x1 e reduz jornada semanal
A Câmara aprovou a PEC que reduz a jornada para 40 horas e elimina a escala 6x1, com o governo articulando agora a tramitação da proposta no Senado.
Pontos principais
- A PEC reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, com implementação gradual em 14 meses.
- O texto garante pelo menos duas folgas semanais remuneradas sem redução de salário.
- Trabalhadores com ensino superior e renda acima de 2,5 vezes o teto do INSS estão excluídos.
- O presidente Lula buscará diálogo com Davi Alcolumbre para acelerar a tramitação no Senado.
- Setores da indústria e do agronegócio buscam negociar prazos de transição mais longos.
- Entidades como Fiesp e CNI pressionam para que a votação ocorra apenas após as eleições de outubro.
- O governo federal defende celeridade na votação para evitar retrocessos legislativos.
A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. O texto estabelece um período de transição de até 14 meses para a adaptação das empresas, assegurando que a mudança ocorra sem qualquer diminuição nos salários dos trabalhadores. A nova legislação prevê a garantia de, no mínimo, duas folgas semanais remuneradas, embora exclua profissionais com diploma de nível superior e remuneração superior a duas vezes e meia o teto do INSS. Além disso, acordos coletivos que conflitem com as novas diretrizes perderão a validade 60 dias após a promulgação da emenda.
Após a aprovação na Câmara, o foco das articulações políticas deslocou-se para o Senado Federal. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, confirmou que o presidente Lula buscará apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para garantir a tramitação da matéria. O governo defende que a proposta seja votada com celeridade, visando evitar possíveis retrocessos legislativos. A relação entre o Executivo e a presidência do Senado é vista como um ponto de atenção, mas o Planalto aposta na capacidade de diálogo para viabilizar o avanço da pauta.
Paralelamente, o setor produtivo, representado por entidades como a Fiesp e a CNI, mantém pressão para que a votação no Senado ocorra apenas após as eleições de outubro. Empresários também solicitam que a relatoria da proposta na Casa não seja atribuída a parlamentares candidatos à reeleição, temendo influências eleitorais no debate. Enquanto a indústria e o agronegócio buscam negociar prazos de transição mais flexíveis, o governo federal mantém a medida como uma de suas prioridades legislativas, buscando consolidar a mudança na jornada de trabalho como uma conquista civilizatória.
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