Governo abre processo contra iFood e Keeta por falta de transparência
A Senacon instaurou processos contra iFood e Keeta por falhas na transparência de repasses a entregadores, com multas que podem chegar a R$ 14 milhões.
Pontos principais
- A Senacon notificou iFood e Keeta por descumprimento da Portaria nº 61, que exige detalhamento de preços e repasses.
- O ministro Guilherme Boulos reforçou que o cumprimento das normas de transparência pelas plataformas não é opcional.
- A ação foi motivada por queixas de trabalhadores, enquanto Uber e 99 seguem em conformidade com as normas.
- As empresas possuem prazo de 20 dias para defesa, sob risco de multas que podem atingir R$ 14 milhões.
- A Secretaria Nacional do Consumidor mantém outras nove plataformas de entrega sob monitoramento constante.
- O iFood alega que a exigência demanda mudanças complexas e falta de diálogo técnico, enquanto a Keeta contesta a acusação.
O governo federal instaurou processos administrativos sancionadores contra o iFood e a Keeta por suposto descumprimento de normas de transparência nos repasses financeiros. Segundo a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), as plataformas falham em detalhar a composição dos valores pagos, omitindo informações sobre a parcela destinada ao aplicativo, ao entregador e ao estabelecimento comercial, conforme estabelecido pela Portaria nº 61. O ministro Guilherme Boulos declarou que o cumprimento dessas diretrizes é obrigatório, criticando a postura das empresas em relação à clareza das relações comerciais. A medida foi impulsionada por um volume crescente de queixas apresentadas por trabalhadores, enquanto concorrentes como Uber e 99 já operam em conformidade com a regulação vigente.
Em resposta, as companhias adotaram posturas distintas. A Keeta defendeu-se afirmando que já fornece as informações necessárias, alegação que foi refutada pela Senacon, que manteve o prosseguimento do processo. Já o iFood argumentou que a norma exige adaptações operacionais complexas e criticou a falta de um diálogo técnico mais aprofundado com o governo antes da sanção. As empresas possuem um prazo de 20 dias para apresentar defesa formal ou adequar seus sistemas, sob risco de aplicação de multas sucessivas que podem totalizar R$ 14 milhões.
Além das duas plataformas citadas, a Senacon mantém outras nove empresas do setor sob monitoramento rigoroso. O governo sustenta que a transparência é um pilar essencial para assegurar a proteção ao consumidor e melhorar as condições de trabalho na economia de plataforma, garantindo que os fluxos financeiros sejam compreensíveis para todas as partes envolvidas na cadeia de entrega.
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