O iFood intensificou a disputa judicial contra a Keeta, braço internacional da gigante chinesa Meituan, acusando a concorrente e sua controladora de um esquema sistemático de espionagem corporativa e concorrência desleal. A empresa brasileira alega que a rival utilizou mais de 30 consultorias para aliciar funcionários e obter informações sigilosas, incluindo margens de lucro e planos estratégicos. O processo, que tramita na 1ª Vara Empresarial de São Paulo sob a égide da Lei de Propriedade Industrial, utiliza registros de reuniões via Zoom para comprovar a participação de executivos da Meituan em encontros com o ex-executivo do iFood, Matheus Santana, que é investigado criminalmente por vazar dados sensíveis à China Insights Consultancy.
Além da indenização por danos morais e materiais, o iFood solicita uma liminar para que a Keeta cesse imediatamente a abordagem de seus colaboradores, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. A companhia aponta que identificou cerca de 240 colaboradores assediados por consultorias ao longo do último ano, sugerindo que novas apurações podem ocorrer conforme o caso avança no Judiciário. A inclusão da Meituan no polo passivo da ação reforça a tese de que a estratégia de expansão da marca chinesa no Brasil teria sido desenhada com base em práticas ilícitas de coleta de inteligência de mercado.
A Keeta, que iniciou suas operações no Brasil em 2025 com um aporte de US$ 1 bilhão, negou as irregularidades. Em nota, a companhia afirmou que atua em conformidade com a legislação local e refutou a contratação de terceiros para a obtenção ilícita de informações. Em contrapartida, a defesa da Keeta alegou que a própria empresa tem sido alvo de ataques de espionagem contra seus restaurantes parceiros. O caso evidencia a tensão no setor de delivery, onde a inteligência de dados é um ativo crítico, e coloca em xeque as práticas de expansão da multinacional chinesa no país.
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