Galípolo admite postura mais conservadora do Banco Central
Presidente do BC defende juros altos, reforça independência técnica e nega uso político da autarquia em meio a investigações sobre o Banco Master.
Pontos principais
- Gabriel Galípolo reconheceu que a taxa Selic poderia ter atingido patamares mais elevados em decisões anteriores.
- A manutenção de juros altos é justificada pelo aquecimento da economia e pela necessidade de alinhar o PIB ao potencial produtivo.
- O presidente do BC afirmou que a instituição não será utilizada como palanque político ou para perseguições partidárias.
- Galípolo esclareceu que o caso envolvendo o Banco Master não apresenta risco sistêmico para a economia brasileira.
- Auditoria interna do BC identificou irregularidades e resultou no afastamento de ex-servidores sob investigação.
- O real tem se valorizado frente ao dólar, impulsionado pelo diferencial de juros e pela posição do Brasil como exportador de petróleo.
- O BC investiga possíveis pagamentos indevidos a ex-funcionários da autarquia ligados à atuação de Daniel Vorcaro.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em audiência no Senado que a autoridade monetária poderia ter adotado uma postura mais conservadora em momentos anteriores. Segundo o dirigente, a resiliência da economia brasileira, marcada por baixo desemprego e crescimento da renda, justifica a manutenção de uma política monetária restritiva para garantir a ancoragem das expectativas inflacionárias. Galípolo ressaltou que a falta de ganhos de produtividade exige juros elevados para alinhar a atividade econômica ao PIB potencial, defendendo reformas estruturais para otimizar a transmissão da política monetária. No cenário externo, o dirigente observou que a desvalorização do dólar e o papel do Brasil como exportador de petróleo têm favorecido a valorização do real.
Durante a sessão na Comissão de Assuntos Econômicos, Galípolo também abordou a governança da instituição e a integridade de seus processos. Ele enfatizou que a gestão atual tem como prioridade evitar que o Banco Central seja utilizado como palanque político, reforçando que o foco da autarquia permanece estritamente na estabilidade financeira e monetária do país. O presidente explicou que o Comitê de Termos de Compromisso (Coter) atua com independência técnica em relação à diretoria, garantindo que as decisões sejam tomadas sem interferências externas.
Em relação a questões operacionais e de fiscalização, o presidente do BC abordou o caso do Banco Master, assegurando que o episódio não apresenta risco sistêmico para o sistema financeiro nacional. Galípolo confirmou que a instituição realizou uma auditoria interna que identificou suspeitas de irregularidades, culminando no afastamento de ex-servidores. O Banco Central segue investigando a atuação de Daniel Vorcaro e possíveis pagamentos indevidos a ex-funcionários da autarquia, reafirmando o compromisso com a transparência e a correção de condutas dentro do órgão regulador.
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