O governo brasileiro antecipou para dez dias o envio de dados técnicos à União Europeia para tentar reverter a suspensão de exportações de carne prevista para 2026.
O governo brasileiro intensificou a ofensiva diplomática para reverter a suspensão da importação de carne pela União Europeia, que retirou o país da lista de fornecedores habilitados a partir de setembro de 2026. A decisão, motivada por novas exigências sobre o uso de antimicrobianos, foi comunicada oficialmente em 12 de maio de 2026 e pegou as autoridades brasileiras de surpresa. Em resposta, o Ministério da Agricultura lidera uma estratégia para contestar a medida, focando no envio de garantias adicionais sobre o cumprimento de regulamentos e na comprovação de rastreabilidade na produção de carnes, ovos e mel. O objetivo central é evitar prejuízos ao setor, que movimentou 1,8 bilhão de dólares em exportações para o bloco em 2025.
Como parte dos esforços técnicos, o governo federal comprometeu-se a enviar dados detalhados sobre o uso de antibióticos na pecuária nacional dentro de um prazo de dez dias. Esta etapa é considerada crucial para demonstrar aos europeus o estágio atual de implementação das regras de controle sanitário exigidas e esclarecer pontos questionados pelo bloco. Após reuniões recentes em Bruxelas, o Brasil obteve o compromisso da Comissão Europeia de analisar cada categoria de produto de forma separada, o que pode agilizar a reabilitação de setores específicos caso as informações enviadas sejam consideradas satisfatórias.
O Ministério da Agricultura reiterou seu descontentamento com a ausência de diálogo prévio por parte do bloco europeu, classificando a exclusão como uma medida abrupta que ignora os esforços de conformidade já realizados pelo país. O impasse gerou tensões diplomáticas, com autoridades brasileiras sugerindo que o veto pode esconder interesses protecionistas. Enquanto o diálogo técnico avança, o governo mantém a postura de que, caso as tratativas sobre as novas exigências não resultem na reversão da suspensão, o caso será levado à Organização Mundial do Comércio (OMC). O setor agropecuário nacional aguarda os desdobramentos, temendo impactos severos na balança comercial caso a proibição se concretize em 2026.
UOL - Economia • 13 mai, 20:02
Folha de São Paulo - Mercado • 13 mai, 14:13
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