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Brasil negocia reversão de restrição da União Europeia sobre carnes

O governo e o setor buscam reverter até setembro de 2026 o veto da UE à carne brasileira, que pode impactar US$ 1,8 bilhão em exportações anuais.

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Foto: G1 - Economia
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12/05 às 22:34 · atualizado 13/05 às 08:32

Pontos principais

  • A União Europeia suspendeu o Brasil da lista de exportadores habilitados, com vigência a partir de 3 de setembro de 2026.
  • O bloqueio pode gerar uma perda anual estimada em até US$ 1,8 bilhão para o setor exportador brasileiro.
  • A medida é justificada pelo bloco europeu por exigências regulatórias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.
  • Entidades como ABPA e Abiec afirmam que o Brasil cumpre os requisitos sanitários internacionais e que a divergência é documental.
  • A União Europeia é atualmente o quarto maior destino da carne bovina brasileira, atrás de China e Estados Unidos.
  • Representantes do setor produtivo apontam a medida como protecionismo, possivelmente ligada ao acordo Mercosul-UE.
  • O governo brasileiro agendou reuniões técnicas com autoridades europeias para buscar esclarecimentos e reverter a decisão.

O governo brasileiro e entidades do setor, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Abiec, articulam esforços para reverter a decisão da União Europeia de suspender a autorização para exportação de produtos de origem animal do Brasil, prevista para entrar em vigor em 3 de setembro de 2026. A restrição impacta o mercado premium de carne bovina, que movimentou US$ 1,06 bilhão em 2025, com estimativas de impacto financeiro que podem chegar a US$ 1,8 bilhão anuais caso a medida não seja revertida. Enquanto o bloco europeu justifica a exclusão com base em novas exigências de conformidade sobre o uso de antimicrobianos, o setor produtivo assegura que o país atende rigorosamente aos padrões internacionais.

Segundo as entidades, a divergência parece ser de natureza documental e de garantia de informações sobre os sistemas de controle e segregação da cadeia produtiva, e não por falhas sanitárias ou contaminação. O Brasil, que tem a União Europeia como seu quarto maior mercado para carne bovina, defende que o uso de antibióticos como promotores de crescimento já é proibido no território nacional. Em paralelo, analistas avaliam que a restrição pode carregar motivações políticas vinculadas à resistência de produtores europeus ao acordo Mercosul-UE, utilizando barreiras regulatórias como ferramenta de pressão comercial.

O governo brasileiro segue em reuniões técnicas com autoridades europeias para sanar dúvidas e buscar uma solução diplomática. Apesar da gravidade do anúncio, o setor mantém otimismo quanto à reversão da medida antes do prazo final, reforçando que a cadeia produtiva possui resiliência para evitar desarranjos econômicos significativos. A estratégia atual foca em demonstrar a transparência dos processos de fiscalização brasileiros para garantir a manutenção do acesso ao mercado europeu.

Fonte primária

Governo do Brasil (MAPA/MRE/MDIC)

Medida da União Europeia contra exportações brasileiras de produtos de origem animal — Nota Conjunta MAPA/MRE/MDIC

Nota conjunta MAPA/MRE/MDIC publicada em 12/05/2026 às 15h55. O governo brasileiro afirma ter recebido 'com surpresa' a notícia da retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para a União Europeia a partir de 3 de setembro de 2026. A decisão decorre de votação realizada no mesmo dia no Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, que aprovou a atualização da listagem. A nota ressalva que, no momento, as exportações brasileiras de produtos de origem animal seguem normalmente. O Brasil declara que 'tomará prontamente todas as medidas necessárias' para reverter a decisão, voltar à lista de países autorizados e garantir o fluxo de vendas ao mercado europeu, 'para o qual exporta há 40 anos'. Informa ainda que o chefe da Delegação do Brasil junto à União Europeia já tinha reunião agendada para 13/05 com as autoridades sanitárias do bloco para buscar explicações sobre a decisão. A nota encerra reivindicando que o Brasil é detentor de 'sistema sanitário robusto e de qualidade internacional reconhecida', maior exportador mundial de proteínas de origem animal e principal fornecedor de produtos agrícolas ao mercado europeu. A nota não detalha o critério técnico citado pelo bloco (uso de antimicrobianos na pecuária).

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