O Senado Federal rejeitou a indicação de Jorge Messias para o STF, marcando uma derrota política e histórica para o governo Lula e expondo falhas de articulação e uma relação conturbada com o Congresso.
O Senado Federal rejeitou a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A votação resultou em 42 votos contrários e 34 favoráveis, impedindo a nomeação de Messias, que tem 46 anos. A decisão é vista como um revés político significativo e uma derrota histórica para o governo Lula no Congresso Nacional, sendo considerada por colunistas como a maior crise política do terceiro mandato de Lula e uma das mais graves de sua trajetória. Este episódio também coroa uma relação já conturbada entre o governo e o Congresso, marcada por uma série de reveses legislativos.
Lideranças da oposição interpretaram o resultado como um reflexo do ambiente político em torno do governo. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou que a rejeição demonstra a "falência da viabilidade política" do governo Lula e descreveu a decisão como uma "resposta" ao STF. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também celebrou a decisão, afirmando que a "Justiça de Deus foi feita". Sóstenes Cavalcante (PL) afirmou que a rejeição foi mais sobre o presidente Lula do que sobre o perfil de Messias, destacando que a atuação da bancada evangélica e o incômodo de parlamentares com a atuação do advogado-geral da União em temas sensíveis ao Legislativo foram fatores decisivos na votação. Governistas, por sua vez, veem a rejeição como um "recado" pré-eleitoral.
Colunistas da Globo News apontaram falhas na articulação do governo, o avanço do Centrão e impactos eleitorais do episódio. Gerson Camarotti destacou um erro estratégico do governo ao não negociar com Rodrigo Pacheco no início do processo e Natuza Nery ressaltou que a derrota é pessoal para Lula, imposta em grande parte por Davi Alcolumbre. Elisa Clavery apontou falhas na contagem de votos e 'traição' de senadores que prometeram apoio, mas votaram contra. Ana Flor comparou o episódio a outras derrotas do Executivo no Senado e questionou a capacidade de Lula de emplacar outro nome sem apoio do Centrão, enquanto Fernando Gabeira criticou a equipe de articulação por não prever a magnitude da derrota.
Além da rejeição de Messias, o governo Lula enfrentou outras derrotas significativas no Congresso, como a aprovação do PL da Dosimetria, que reduz penas para envolvidos nos atos de 8 de janeiro, e a derrubada de seu veto a ele. Houve reveses na área econômica, com a derrubada de um decreto presidencial que aumentava o IOF, apesar dos esforços de articulação. O governo não conseguiu impedir a instalação da CPMI do INSS e perdeu a presidência da comissão para a oposição. O Congresso também restringiu as 'saidinhas' de presos, derrubando vetos presidenciais e contrariando a posição do governo, e Medidas Provisórias do governo foram devolvidas ou perderam a validade sem votação, evidenciando a dificuldade de aprovação de pautas governistas. Com a não aprovação de Messias, o presidente Lula terá que apresentar um novo nome para preencher a cadeira no STF.
G1 Política • 30 abr, 00:00
Folha de São Paulo - Política • 29 abr, 22:09
Folha de São Paulo - Política • 29 abr, 20:57
21 mai, 12:35
4 mai, 23:04
30 abr, 10:08
2 abr, 21:00
1 abr, 10:00
Carregando comentários...