A não aprovação de Jorge Messias para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) é resultado de um complexo cenário que envolve um racha interno na Corte, as repercussões do caso Banco Master, forte articulação política no Senado e erros do próprio governo Lula. A indicação de Messias foi percebida como um movimento para fortalecer um grupo de ministros, em oposição a outro bloco liderado por figuras como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Flávio Dino. Essa divisão gerou resistência interna, com integrantes do governo notando uma atuação contrária de ministros à aprovação. A derrota é vista como um revés para o governo Lula e, segundo especialistas e ministros do próprio STF, também afeta a Corte, sinalizando a crescente força da pauta anti-STF no Congresso e uma insatisfação do Senado com o tribunal.
O caso Banco Master, que envolveu relações financeiras e de gestão com ministros do STF e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, adicionou uma camada de complexidade. Alcolumbre exerceu forte influência sobre a votação, com relatos de senadores impedidos de votar a favor de Messias. A rejeição de Messias no Senado marca uma derrota inédita para o Palácio do Planalto e o governo Lula, evidenciando as tensões e disputas políticas dentro e fora do STF, com aliados de Lula atribuindo a derrota a traições de última hora, à articulação do grupo de Flávio Bolsonaro e à aliança entre bolsonarismo e Alcolumbre, além de erros estratégicos do governo.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) lamentou a rejeição de Messias, descrevendo-o como um "profissional sério e qualificado", mas reconheceu o caráter "histórico e legítimo" da decisão do Senado, sugerindo que o ocorrido pode impulsionar uma "faxina" no tribunal. A declaração de Vieira ocorre em meio a um conflito com o ministro Gilmar Mendes, após o senador pedir o indiciamento de Mendes e outros ministros em um relatório de CPI. Messias foi aprovado na CCJ, mas teve seu nome barrado no plenário do Senado por 42 votos a 34, sendo a primeira vez em 132 anos que uma indicação presidencial ao Supremo Tribunal Federal não é aprovada.
A rejeição de Messias aprofundou a crise entre o governo Lula e Davi Alcolumbre, levando aliados do presidente a expressar frustração e a sugerir medidas retaliatórias. Entre as discussões, estão o enfraquecimento político de Alcolumbre no Amapá, com Lula se envolvendo nas eleições locais, e a revisão e substituição de indicados associados a Alcolumbre dentro da estrutura do governo. Ministros do STF interpretaram a rejeição como um erro de articulação do presidente Lula e um sinal de insatisfação do Senado com a Corte, o que sugere uma tensão na relação entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em um momento crucial para o governo, que depende do Senado para pautas econômicas e trabalhistas.
G1 Política • 30 abr, 08:39
Folha de São Paulo - Política • 30 abr, 00:01
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