O aumento do consumo de carne de burro na Patagônia reflete a grave crise econômica e a inflação na Argentina, onde a carne bovina se tornou inacessível para muitos.
O consumo de carne de burro tem crescido na Patagônia, Argentina, como um indicativo da deterioração da situação econômica do país. A população busca alternativas mais baratas para o consumo de proteínas diante da alta nos preços dos alimentos. Em março, os preços da carne bovina registraram um aumento de 6,9%, superando a inflação mensal geral, que foi de 3,4% no mesmo período. Este índice de inflação foi o mais alto dos últimos 12 meses na Argentina, evidenciando a pressão sobre o poder de compra dos cidadãos. A carne bovina, mundialmente reconhecida por sua qualidade e maciez, ocupa historicamente um lugar central na dieta e cultura argentina, mas está se tornando inacessível para muitos devido à crise.
Em Trelew, Patagônia, um projeto piloto chamado "Burros Patagônicos" introduziu a degustação e venda de carne de burro, que se esgotou rapidamente devido ao seu preço mais acessível. A carne de burro é vendida por cerca de 7.500 pesos (R$ 27) o quilo, enquanto a bovina pode chegar a 18 mil ou 19 mil pesos (R$ 65 ou R$ 69). A inflação na Argentina acumula 9,4% no ano, e o consumo de carne bovina caiu cerca de 10% no primeiro trimestre, atingindo o menor nível em duas décadas. Embora o projeto de criação de burros tenha surgido há dois anos como alternativa para a pecuária na Patagônia, não como resposta direta à crise econômica atual, o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) informou que o consumo de carne de burro não é habitual, mas também não é proibido no país. A busca por alternativas mais baratas, como a carne de burro, é um sintoma claro das dificuldades financeiras enfrentadas pela população argentina.
Folha de São Paulo - Mercado • 24 abr, 14:00
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