O Irã adiou negociações de paz com os EUA, acusando Washington de falta de seriedade após a interceptação de um navio e ameaças de Trump, elevando tensões e preços do petróleo.
Os Estados Unidos divulgaram um vídeo que, segundo o governo, mostra uma missão para capturar um navio iraniano. Militares americanos embarcaram no navio cargueiro iraniano Touska, interceptado no Golfo de Omã. O Comando Central dos EUA (Centcom) divulgou imagens da apreensão do navio M/V Touska, ocorrida no domingo (19) no norte do Mar da Arábia. O presidente Donald Trump afirmou que os EUA interceptaram um navio de carga com bandeira iraniana no Golfo, após ele tentar furar um bloqueio naval e desobedecer a uma ordem de parada. O destróier USS Spruance chegou a disparar contra a sala de máquinas do cargueiro após um impasse de seis horas, e fuzileiros navais americanos desceram de helicópteros do USS Tripoli para assumir o controle do navio. A ação faz parte de um bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos na região, que também incluiu disparos contra navios comerciais. O navio interceptado, um porta-contêineres com bandeira iraniana, pertence a uma subsidiária de um grupo estatal iraniano sancionado e fazia parte de uma frota que frequentemente realizava viagens para a China. O M/V Touska saía da Malásia com destino ao Irã e estava sob sanções americanas por ligações com a Guarda Revolucionária. Este incidente, que ocorreu no Mar da Arábia, intensifica a pressão sobre o cessar-fogo entre os dois países.
O incidente ocorreu após o Irã atacar um petroleiro no Estreito de Ormuz com lanchas da Guarda Revolucionária. Em resposta à interceptação do navio iraniano, o Irã classificou a ação como violação do cessar-fogo e prometeu uma "resposta breve" e represálias contra os militares americanos, alegando que o navio saiu da China com destino a um porto iraniano. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do Irã ainda não decidiu sobre a participação em uma nova rodada de negociações com os EUA, acusando Washington de não levar o diálogo a sério e de "pirataria armada". Uma nova rodada de negociações estava prevista para ocorrer no Paquistão, após o presidente Donald Trump anunciar a viagem de uma delegação americana para buscar a paz.
Trump declarou que Israel nunca o persuadiu a iniciar uma guerra contra o Irã, atribuindo a decisão aos eventos de 7 de outubro e à sua oposição a armas nucleares iranianas. Ele previu resultados "incríveis" para o Irã sob uma nova liderança. O objetivo das negociações é estender o cessar-fogo por até 60 dias para discutir o programa nuclear e o controle de Ormuz, pontos de impasse da primeira rodada. A interceptação e a divulgação do vídeo ocorrem em um contexto de tensões crescentes entre os EUA e o Irã, especialmente no Golfo, uma rota marítima crucial para o transporte de petróleo, e poucos dias antes do fim do prazo para o cessar-fogo entre os dois países.
Trump ameaçou destruir usinas de energia e pontes no Irã caso as negociações fracassem, mas também expressou ao "New York Post" sua disposição para se reunir com líderes iranianos de alto escalão se houver avanço nas negociações. O Irã confirmou sua ausência na segunda rodada de negociações, citando "exigências excessivas de Washington" e o "bloqueio naval em andamento". O Irã considera que a continuidade do bloqueio americano mina as negociações de paz e que suas capacidades defensivas não são negociáveis. Apesar da postura pública linha-dura, analistas indicam que o Irã mantém um canal privado de negociação, com a possibilidade de enviar uma delegação a Islamabade. Os EUA confirmaram a ida de sua delegação, liderada pelo vice-presidente JD Vance e incluindo Jared Kushner, para as negociações no Paquistão, com Vance e sua equipe já a caminho para conversações sobre o Irã, conforme divulgado por Trump ao New York Post.
As tensões levaram a uma alta de mais de 6% nos preços do petróleo, com os futuros de Brent e WTI registrando forte avanço e o barril atingindo US$ 96, e à oscilação dos mercados de ações devido ao temor do colapso do cessar-fogo. Os mercados futuros dos EUA operam em baixa, e os mercados europeus também registram quedas, temendo o comprometimento do cessar-fogo. No Brasil, as ações de petroleiras como PRIO, Petrobras e Brava registraram alta, impulsionadas pela valorização do petróleo no mercado internacional. A guerra, em sua oitava semana, já causou o maior impacto no fornecimento global de energia da história e resultou em milhares de mortes.
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