O Presidente Donald Trump anunciou um cessar-fogo de 10 dias entre Israel e Líbano, com início na quinta-feira às 17h ET, visando iniciar negociações de paz e potencialmente avançar um acordo mais amplo com o Irã. Trump convidará o Presidente libanês Joseph Aoun e o Primeiro-Ministro israelense Bibi Netanyahu para a Casa Branca para as conversações. No entanto, horas após o início da trégua, o Exército do Líbano acusou Israel de violar o cessar-fogo, relatando bombardeios israelenses a vilarejos no sul do país. As Forças de Defesa de Israel ainda não se pronunciaram sobre as acusações, e a agência estatal do Líbano também informou que a artilharia israelense continuou atingindo áreas no sul após o início do cessar-fogo.
O acordo de cessar-fogo foi anunciado em meio a uma grave crise humanitária no Líbano, com mais de 2 mil mortos e 1 milhão de deslocados desde março devido aos ataques israelenses, e hospitais e serviços essenciais em colapso. O Hezbollah, que não participou diretamente das negociações, concordou em suspender os ataques se Israel também o fizer. O Primeiro-Ministro israelense Benjamin Netanyahu havia afirmado que o Exército israelense manterá uma zona de segurança de dez quilômetros no sul do Líbano, mesmo após o anúncio de cessar-fogo de Trump, que incluiria o Hezbollah. Netanyahu justificou a medida como forma de impedir invasões e ataques antitanque contra comunidades israelenses, reiterando a exigência pelo desarmamento do Hezbollah.
O anúncio de Trump pegou o governo libanês de surpresa, que não confirmou alguns termos do acordo, como o reconhecimento de Israel. O Secretário de Estado Marco Rubio sediou um encontro entre diplomatas israelenses e libaneses, onde o Líbano solicitou um cessar-fogo. O acordo prevê que Israel preserve o direito de autodefesa e que o Líbano tome medidas para impedir ataques do Hezbollah e outros grupos armados não estatais. Os EUA facilitarão negociações diretas entre Israel e Líbano para a demarcação da fronteira terrestre e um acordo de paz abrangente.
O Irã, por sua vez, celebrou a trégua entre Israel e Líbano, com o Ministério das Relações Exteriores iraniano classificando a medida como parte de um entendimento mais amplo com Washington para pausar a guerra no Oriente Médio. O porta-voz da chancelaria, Esmaeil Baghaei, afirmou que este cessar-fogo está ligado a um acordo de trégua de duas semanas entre Teerã e os EUA, mediado pelo Paquistão. Uma delegação paquistanesa chegou a Teerã para conversas diplomáticas, buscando clarear o status das negociações de paz entre EUA e Irã. O Irã alega que seu cessar-fogo com Washington também cobria o Líbano, o que é negado por Israel e pelos EUA. O Presidente Donald Trump declarou que conversas entre EUA e Irã podem ocorrer neste fim de semana, sugerindo um avanço na resolução de tensões regionais e destacando o papel dos EUA na mediação de conflitos.
Enquanto as negociações avançam, os Estados Unidos mantêm a pressão econômica sobre o Irã, planejando novas sanções que o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, descreveu como o "equivalente financeiro" a um bombardeio. Autoridades americanas indicam que o bloqueio naval e a grave crise econômica do Irã, agravada por sanções, ataques e um desligamento da internet, estão aumentando a pressão sobre Teerã para chegar a um acordo. Caso um acordo-quadro seja alcançado, será necessária uma extensão do cessar-fogo para negociar os detalhes de um acordo abrangente. Trump teria concordado em manter o bloqueio naval no Estreito de Ormuz.
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