O Irã fechou o Estreito de Ormuz e ameaça romper o cessar-fogo com EUA e Israel, prometendo uma "resposta pesada" após ataques israelenses no Líbano e ilhas iranianas, enquanto Israel mantém a prontidão militar.

O Irã fechou novamente o Estreito de Ormuz e ameaça romper o cessar-fogo acordado com os Estados Unidos e Israel. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que o cessar-fogo foi rompido após bombardeios nas ilhas iranianas de Lavan e Siri. A ação iraniana foi justificada como resposta às "violações de Israel ao cessar-fogo" e à intensificação dos ataques israelenses no Líbano. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) prometeu uma "resposta pesada" a Israel após os ataques em Beirute, com o comandante Seyed Majid Mousavi afirmando que um ataque ao Hezbollah é um ataque ao Irã. A IRGC alertou que, se as agressões não cessarem, haverá uma resposta que fará os agressores se arrependerem, e o Irã acusou Israel de violar o cessar-fogo e de realizar um "massacre selvagem" em Beirute, alertando também os Estados Unidos como "parceiro" de Israel.
A controvérsia se aprofunda com a declaração de Donald Trump de que o Líbano não está incluído no acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã, citando a presença do Hezbollah. Contradizendo essa posição, o Paquistão, mediador do acordo, e o próprio Irã afirmam que o Líbano faz parte da trégua. Um cessar-fogo anterior previa uma pausa de duas semanas nos ataques ao Irã em troca da reabertura do Estreito de Ormuz. Trump afirmou que os objetivos militares foram cumpridos e que um plano de paz de 10 pontos do Irã é uma base viável para negociação. Ele havia ameaçado o Irã com consequências devastadoras caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto, mas suspendeu a ameaça após 10 horas e 26 minutos, com a intervenção do Paquistão resultando em um cessar-fogo de duas semanas. Países do Golfo Pérsico, como Catar e Arábia Saudita, relataram ataques iranianos com mísseis e drones após a trégua entrar em vigor.
Israel, por sua vez, intensificou sua ofensiva aérea no Líbano, lançando mais de 100 ataques aéreos em apenas 10 minutos, a mais intensa onda de bombardeios na guerra contra o Hezbollah. Os ataques atingiram Beirute e Tiro, além de outras áreas densamente povoadas, visando centros de comando e instalações do Hezbollah, e resultaram em 250 mortos e mais de 700 feridos, tornando-o o dia mais letal do conflito. Um comandante importante do grupo também foi morto. O Hamas condenou a ofensiva israelense, classificando-a como "ataque terrorista" e "bombardeio brutal" que desrespeita o direito internacional. Israel afirma que a infraestrutura atingida estava em áreas civis, acusando o Hezbollah de usar civis como escudos humanos. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou que a trégua anunciada por Donald Trump não se estende ao Líbano, e o Chefe do Estado-Maior de Israel, Eyal Zamir, confirmou que as operações contra o Hezbollah continuarão para garantir a segurança do norte de Israel. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, acusou Israel de cometer um "massacre" e líderes libaneses buscam uma trégua para o país. Israel declarou que pretende ocupar a região ao sul do rio Litani como uma "zona de contenção", e que o Hezbollah se deslocou para áreas mistas de Beirute.
Netanyahu também declarou que o cessar-fogo atual é apenas uma etapa e que o país mantém a prontidão para retomar os combates, visando atingir todos os seus objetivos contra o Irã e o Hezbollah, afirmando que Israel está com o 'dedo no gatilho'. Ele destacou que a trégua temporária de duas semanas entre EUA e Irã foi coordenada com Israel, que se considera mais forte enquanto o Irã estaria mais fraco. O premiê ressaltou que Israel atacou instalações nucleares, fábricas, infraestrutura e lideranças iranianas, alegando ter afastado uma ameaça existencial, e que o Irã flexibilizou condições para negociações, como a reabertura do Estreito de Ormuz, devido à pressão militar. As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram ter matado cerca de 130 integrantes de grupos armados e destruído mais de 1.000 estruturas no sul do Líbano. Desde 2 de março, o Ministério da Saúde do Líbano registrou mais de 1.500 mortos, 4.800 feridos e mais de 1 milhão de deslocados.
Negociações para o fim definitivo da guerra entre EUA e Irã, mediadas pelo Paquistão, ocorrerão em Islamabad, com as exigências iranianas incluindo não agressão, controle sobre o Estreito de Ormuz, aceitação do enriquecimento de urânio e retirada das forças dos EUA da região, o que representa um grande abismo em relação às expectativas americanas. O Irã apresentou um plano de 10 pontos para as negociações de paz, incluindo o fim das sanções dos EUA e a permanência do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz. Netanyahu ressaltou a aliança com os Estados Unidos, classificando a cooperação como histórica e afirmando que a ofensiva conjunta está 'mudando a face do Oriente Médio'. Especialistas analisam que o cessar-fogo é mais uma pausa temporária do que uma resolução duradoura, com questões fundamentais como o programa nuclear iraniano e a instabilidade no Líbano ainda sem solução. A guerra também teria prejudicado as relações dos EUA com aliados globais, e o risco de terrorismo internacional por parte do Irã e seus aliados aumentou, embora possa ser contido por esforços de inteligência. A expectativa é de que Israel e Irã continuem em um conflito de menor nível, com confrontos recorrentes e sem uma paz estável, impulsionados por pressões internas em ambos os países.
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