O petróleo Brent opera abaixo de US$ 100, influenciando mercados globais e o dólar, com a expectativa de trégua na guerra no Irã após declarações de Donald Trump, que afirma que as forças dos EUA deixarão o país "muito rapidamente".

Os preços do petróleo Brent apresentaram forte volatilidade em março, com o contrato futuro para maio registrando um ganho mensal recorde de 63%, a maior alta desde 1988, fechando a US$ 118,35 por barril. Esse aumento foi impulsionado pela escalada da guerra no Irã e ataques à infraestrutura de energia no Golfo, que causaram a pior interrupção de fornecimento de petróleo e gás já registrada, com a produção da Opep caindo para o nível mais baixo desde junho de 2020. No entanto, o cenário mudou com a expectativa de um fim para o conflito.
O contrato futuro do Brent para junho registrou queda, operando a US$ 101,51, enquanto o WTI para maio era negociado a US$ 96,91. Essa baixa foi atribuída a relatos de que o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, estaria disposto a encerrar o conflito, e, principalmente, às declarações do presidente dos EUA, Donald Trump. Trump afirmou que o conflito contra o Irã deve terminar em "duas ou três semanas", ou "em alguns dias a mais", indicando que o objetivo de impedir o Irã de ter armas nucleares foi alcançado e que um acordo com o regime iraniano poderia ser alcançado em breve. Em uma publicação na plataforma Truth Social, Trump declarou que o Irã solicitou um cessar-fogo na guerra, que está no segundo mês, mas condicionou a aceitação à abertura, liberdade e desobstrução do Estreito de Ormuz, ameaçando continuar bombardeando o Irã até a "completa destruição ou de volta à Idade da Pedra" caso o Estreito não seja liberado. Ele se referiu ao novo presidente do Irã como "muito menos radicalizado e muito mais inteligente" que seus antecessores. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, anunciou que Trump fará um pronunciamento sobre o Irã nesta quarta-feira, reforçando o otimismo.
Em declarações a uma agência, Trump reiterou que as forças americanas deixarão o Irã "muito rapidamente", mas ressaltou que podem retornar para "ataques pontuais" se necessário. Apesar das falas de Trump sobre um "novo regime" no Irã, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, não mudou. Trump tem alternado entre falas de fim de conflito e ameaças de escalada militar, incluindo uma invasão terrestre, e o "The Wall Street Journal" revelou que ele considera terminar a guerra mesmo com o Estreito de Ormuz fechado. Trump também ameaçou aliados da Otan, considerando retirar os EUA da aliança devido à recusa em ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz.
A expectativa de trégua também influenciou os mercados globais, que operam em alta. As bolsas europeias, por exemplo, registraram forte avanço, com o índice pan-europeu Stoxx 600 subindo 1,89%. As bolsas asiáticas também fecharam em alta expressiva, com o Kospi sul-coreano disparando 8,44% e o Nikkei japonês subindo 5,24%, impulsionadas pelo otimismo gerado pelas declarações de Trump. Outros índices asiáticos como Taiex, Hang Seng e as bolsas chinesas também apresentaram ganhos, e na Oceania, a bolsa australiana S&P/ASX 200 avançou 2,24%. O dólar também reagiu, abrindo em queda de 0,44%, cotado a R$ 5,1561. Apesar das expectativas de paz, as hostilidades continuam, com o Irã atacando um petroleiro kuwaitiano, drones no Kuwait, incêndio no Barein e um míssil iraniano atingindo um petroleiro do Catar. Explosões foram ouvidas em Teerã após ataques aéreos israelenses e norte-americanos, e o Porto Shahid Haghani foi atingido. Os EUA sobrevoam o Irã com bombardeiros B-52, visando enfraquecer a marinha e a capacidade de mísseis iranianos.
17 abr, 10:02
6 abr, 09:01
1 abr, 16:02
30 mar, 15:01
23 mar, 06:01
Carregando comentários...