O banqueiro Daniel Vorcaro foi transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde assinou um termo de confidencialidade para uma possível delação premiada, após o STF manter sua prisão.

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso em março na Operação Compliance Zero, foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal na capital federal. A mudança foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master, atendendo a um pedido da defesa de Vorcaro. A decisão de Mendonça visa facilitar a tomada de depoimentos de Vorcaro e otimizar a logística para a tentativa de um acordo de delação premiada. O ministro, no entanto, negou o pedido de prisão domiciliar feito pela defesa do banqueiro, que está preso preventivamente desde o início de março. A transferência de presos em negociação de delação é vista como um "sinal de boa vontade" das autoridades, como observado em casos anteriores como a Operação Lava Jato.
Em um desenvolvimento significativo, Daniel Vorcaro assinou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal, iniciando formalmente as negociações para uma possível delação premiada. O acordo de sigilo estabelece confidencialidade absoluta sobre as tratativas de colaboração. A decisão de cogitar a delação surgiu após o STF manter sua prisão e a mudança de advogado. Mendonça enfatizou que a colaboração só será homologada se for consistente, completa e não seletiva, reforçando a necessidade de que o acordo seja robusto para que haja qualquer mudança no regime de prisão. A negociação da delação será conduzida pela PF e PGR, e a defesa de Vorcaro, liderada pelo advogado José Luís Oliveira Lima, conhecido por atuar em casos de delação premiada, está atualmente construindo a proposta, que detalhará fatos, provas e pessoas envolvidas. Nesta fase, o banqueiro ainda não depõe, e o acordo não foi assinado. Vorcaro recebeu seu advogado Sergio Leonardo na Superintendência da PF em meio a essas negociações.
Na Superintendência da PF, Vorcaro ocupa uma "sala de Estado", um espaço reservado para autoridades, similar ao que foi utilizado por Jair Bolsonaro. A sala possui 12 metros quadrados e é equipada com cama, banheiro privativo, ar-condicionado, janela, armário e frigobar. Esta é a mesma sala onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpriu prisão por 54 dias. As condições na carceragem da PF são consideradas significativamente melhores que na Penitenciária Federal de Brasília. Neste local, Vorcaro apresentará o que pode delatar e discutirá a redução de penas com os investigadores. Se a proposta for considerada consistente, depoimentos são marcados antes da assinatura do acordo, e após a formalização, os depoimentos formais começam e o prêmio, como a redução de pena, é negociado. A segurança foi reforçada na Superintendência da PF, com limitação do espaço aéreo e proibição de sobrevoo de drones.
A Polícia Federal aposta que a colaboração de Vorcaro abrirá novas frentes de investigação, especialmente envolvendo políticos e autoridades. Um relatório com achados do celular de Vorcaro será encaminhado ao ministro André Mendonça. A colaboração premiada exige que o investigado forneça informações que contribuam efetivamente para a investigação em troca de benefícios. O acordo precisa ser homologado pelo STF, que verifica a legalidade e voluntariedade do processo, sem analisar o mérito das acusações. A palavra do colaborador deve ser confirmada por outras provas para ser considerada eficaz. Caso o acordo seja concretizado, Vorcaro poderá obter benefícios judiciais em troca de informações que embasem denúncias da PGR.
A Operação Compliance Zero investiga fraudes e irregularidades envolvendo o Banco Master, e Vorcaro é investigado por crimes financeiros, pagamentos indevidos a agentes públicos e formação de milícia privada para monitorar autoridades e perseguir jornalistas. A prisão foi solicitada pela PF após indícios de que Vorcaro intimidou jornalistas, ex-empregados e teve acesso prévio a investigações. Investigações apontam que Vorcaro teve participação direta na condução de estratégias financeiras do Banco Master, utilizando um modelo de captação de recursos de alto risco. O Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada em novembro de 2025 devido a um colapso financeiro, e as investigações revelaram um esquema de fraudes bilionárias, estimado em R$ 17 bilhões, envolvendo carteiras de crédito falsas. O caso também levou ao afastamento de funcionários do Banco Central e à liquidação de outras instituições ligadas ao esquema.
6 mai, 09:02
25 mar, 11:00
21 mar, 17:01
6 mar, 08:00
4 mar, 17:01
Carregando comentários...