A morte do líder supremo do Irã e ameaças iranianas intensificam o conflito no Oriente Médio, elevando dólar e petróleo, com preocupações sobre o Estreito de Ormuz e a inflação global.

A escalada dos conflitos no Oriente Médio atingiu um novo patamar com a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em um ataque aéreo conjunto de Estados Unidos e Israel. Este evento, ocorrido em 28 de fevereiro de 2026, intensifica a guerra no Irã e, segundo a revista britânica The Economist, pode provocar o maior choque no mercado de petróleo em anos. A ofensiva americana e israelense teve como alvo o complexo da emissora estatal iraniana, IRIB, e outras instalações, com a mídia iraniana confirmando explosões perto da sede da emissora e em Teerã. O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou a continuidade das operações de combate no Irã e alertou sobre a capacidade de mísseis do Irã, enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmou a mobilização total do exército e a intensificação dos ataques. Em retaliação, um general da Guarda Revolucionária iraniana, Ebrahim Jabari, ameaçou atacar 'todos os centros econômicos' do Oriente Médio e queimar navios no Estreito de Ormuz se os bombardeios de Israel e EUA persistirem. Goldman Sachs e S&P Global alertaram para o impacto negativo nas ações e crédito, com a gravidade da situação no Oriente Médio passando de alta para severa.
Após os bombardeios americanos a instalações nucleares iranianas e a morte do líder supremo, o preço do petróleo Brent subiu 12%, ultrapassando US$ 80 por barril, e chegou a US$ 85, o maior valor desde julho de 2024. No entanto, parte dos ganhos foi revertida, e o Brent tem sido negociado a cerca de US$ 77. Analistas preveem que os preços podem chegar a US$100 por barril, especialmente se houver interrupção prolongada no Estreito de Ormuz, crucial para o escoamento de mais de 20% do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) mundial. O Irã é o quarto maior produtor de petróleo da OPEP, com 3,3 milhões de barris por dia, e exporta 90% de seu petróleo para a China. A incerteza sobre a liderança do país após a morte de Khamenei adiciona volatilidade ao mercado. Diante deste cenário volátil, o transporte marítimo na região foi severamente impactado, com um petroleiro, o MKD VYOM, atingido por um barco não tripulado no Estreito de Ormuz, causando um incêndio e a morte de um tripulante indiano, e outro petroleiro, o SKYLIGHT, também alvo de ataque. O bloqueio do Estreito de Ormuz gera grande preocupação no mercado global devido à sua importância estratégica e à falta de alternativas viáveis para o escoamento de grande parte da produção do Golfo Pérsico. A Opep+ anunciou um aumento na produção a partir de abril, buscando acalmar os mercados, mas o acesso às rotas de exportação é crucial.
A ofensiva aérea dos EUA e Israel contra o Irã eleva o risco de um conflito regional de grandes proporções, impactando diretamente os mercados globais. Traders antecipam uma abertura de semana volátil e com forte aversão ao risco nas bolsas globais. As bolsas asiáticas abriram em baixa acentuada, com o índice Nikkei 225 do Japão caindo quase 2%. Em contraste, as bolsas de Nova York fecharam sem coesão, recuperando-se das mínimas após os ataques. O Dow Jones fechou em baixa de 0,15%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq registraram altas de 0,04% e 0,36%, respectivamente. Ações de empresas de defesa japonesas como Mitsubishi Heavy Industries, Kawasaki Heavy Industries e IHI subiram mais de 1%, e os futuros de ouro subiram 2% devido à busca por ativos considerados porto seguro. O setor de defesa, incluindo Northrop Grumman e RTX, foi impulsionado pelas perspectivas de lucro em função da guerra. Empresas petrolíferas como Chevron e ExxonMobil avançaram, enquanto operadoras aéreas como American Airlines, United Airlines e Delta caíram, e grupos de transporte marítimo, como Norwegian Cruise Line, Carnival, Viking Holdings e Royal Caribbean, despencaram.
No Brasil, a guerra no Oriente Médio pressiona o dólar e o petróleo, podendo limitar a intensidade e duração dos cortes na taxa de juros. A valorização do dólar, que atingiu R$ 5,16, estimula a inflação por encarecer produtos e insumos importados. Economistas alertam que a alta do petróleo e do dólar pode contaminar as projeções de inflação e limitar os cortes na taxa Selic pelo Copom. Um aumento de 5% nos preços do petróleo pode adicionar 0,1 ponto percentual à inflação global, e um barril a US$ 100 poderia adicionar entre 0,6 e 0,7 pontos percentuais. O Banco Central busca atingir a meta de inflação de 3% até setembro de 2027, e a piora do cenário externo pode alterar suas decisões sobre juros. Analistas como Rafaela Vitoria e Leonardo Costa discutem o impacto nos combustíveis e na inflação, com a Petrobras podendo suavizar repasses. Apesar dos riscos, alguns especialistas, como Fabiano Zimmermann, acreditam que o conflito não deve alterar o início do ciclo de cortes de juros em março, mas pode limitar sua magnitude se a crise se prolongar.
G1 Mundo • 3 mar, 13:54
G1 Política • 3 mar, 14:02
InfoMoney • 3 mar, 12:35
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