O dólar opera em alta e o petróleo dispara mais de 15%, superando US$ 100, impulsionados pela guerra no Oriente Médio, gerando temores inflacionários e impactando combustíveis no Brasil, enquanto o G7 discute medidas.
O dólar opera em alta significativa frente ao real e outras moedas globais, impulsionado principalmente pela forte valorização dos preços do petróleo no mercado internacional. A moeda norte-americana à vista registra um avanço de 0,52%, sendo negociada a R$ 5,2721 na abertura, enquanto o petróleo Brent e WTI dispararam mais de 15%, superando US$ 100 o barril, o maior valor desde fevereiro de 2022, chegando a quase US$ 120. Este movimento reflete a busca por segurança dos investidores em um cenário de crescentes preocupações geopolíticas, com o índice Bloomberg Dollar Spot subindo 0,6% e fundos de hedge menos pessimistas em relação à moeda. Os índices futuros dos EUA também operam em baixa, gerando temores de desaceleração econômica e inflação.
A instabilidade no Oriente Médio, com a escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã, é o principal catalisador para a disparada do petróleo. O fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota crucial por onde transita 25% do consumo global de petróleo, e as retaliações iranianas no Golfo Pérsico, causaram interrupções no abastecimento e no fluxo de navios, gerando temores de restrições na oferta. Kuwait, Iraque e Emirados Árabes Unidos reduziram a produção devido a ameaças iranianas e falta de capacidade de armazenamento. A nomeação de Mojtaba Khamenei como sucessor de Ali Khamenei no Irã também contribuiu para a alta dos preços, sinalizando a continuidade da linha dura no país. Especialistas alertam para impactos globais, especialmente na Ásia e Europa, caso o conflito se prolongue, com as bolsas asiáticas, como o Nikkei 225 e o Kospi, registrando quedas acentuadas.
No Brasil, apesar da alta do petróleo, os preços da gasolina e do diesel tiveram apenas leves aumentos, segundo a ANP. A Petrobras, desde 2023, adota uma política de preços que não segue automaticamente as oscilações internacionais, absorvendo parte do impacto para evitar reajustes bruscos. Contudo, analistas alertam que a capacidade da Petrobras de segurar os preços tem limites, especialmente se o petróleo permanecer elevado por muito tempo ou se a diferença com o mercado internacional for grande, expondo o país ao risco de inflação global ou recessão. Em resposta à escalada dos preços, as ações de petroleiras brasileiras como Petrobras, PRIO e Brava registraram forte alta, liderando o Ibovespa. O presidente Donald Trump alertou para ataques contínuos dos EUA e Israel contra o Irã, incluindo ameaças à rede elétrica de Teerã, e considerou o aumento dos preços do petróleo um "preço muito pequeno a pagar" pela segurança e paz.
Essa crise geopolítica gera um dilema para investidores, entre o risco de inflação por alta do petróleo e sinais de desaceleração no mercado de trabalho dos EUA, levando a uma redução nas apostas de cortes de juros do Federal Reserve. Em resposta à escalada dos preços, os Ministros das Finanças do G7 se reuniram emergencialmente para discutir a crise e a possível liberação conjunta de reservas de petróleo, buscando conter a volatilidade. França e Alemanha anunciaram medidas para garantir a segurança marítima e regular o mercado de energia, respectivamente. A Saudi Aramco e a Kuwait Petroleum Corporation iniciaram cortes na produção, enquanto a produção iraquiana caiu significativamente, reforçando a pressão sobre o fornecimento global.
Agência Brasil - EBC • 9 mar, 17:00
G1 Mundo • 9 mar, 15:45
InfoMoney • 9 mar, 10:50
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