Lula revoga decreto e suspende estudos para hidrovias na Amazônia após pressão indígena
O governo federal revogou o Decreto 12.600 e suspendeu estudos para concessão de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, atendendo à pressão indígena e preocupações culturais após protestos, incluindo ocupação da Cargill.
Pontos principais
- O governo federal revogou o Decreto 12.600 e publicou o Decreto n° 12.856, suspendendo os estudos para concessão de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins.
- A decisão foi anunciada pelos ministros Guilherme Boulos e Sônia Guajajara após reunião com lideranças indígenas, que protestavam há mais de um mês e ocuparam a Cargill em Santarém (PA).
- A revogação atende à principal reivindicação de povos indígenas e considera a existência de um sítio arqueológico que poderia ser afetado pela medida.
- A decisão do presidente Lula contrariou a Casa Civil e outros ministros que defendiam a manutenção do decreto.
- Lula foi alertado sobre a crescente pressão indígena e a repercussão negativa, levando-o a decidir pela revogação após conversa com Boulos.
- Os ministros destacaram a preocupação com os efeitos do decreto nas comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, e o compromisso com a consulta prévia, livre e informada.
- As hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós foram incluídas no PND em agosto de 2025 para estudos de privatização.
- Representantes do agronegócio defendem as hidrovias para reduzir custos logísticos e aumentar a eficiência do setor.
O governo federal revogou o Decreto 12.600, que incluía hidrovias amazônicas no Programa Nacional de Desestatização (PND) e autorizava estudos para a concessão dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins à iniciativa privada. A decisão, formalizada com a publicação do Decreto n° 12.856 que suspende o início dos estudos, foi anunciada pelos ministros Guilherme Boulos e Sônia Guajajara após reunião no Palácio do Planalto. A medida atende à principal demanda de povos indígenas que protestavam há mais de um mês contra a medida, incluindo a ocupação do escritório da Cargill em Santarém (PA) e acampamentos em Brasília e São Paulo. As hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós haviam sido incluídas no PND em agosto de 2025 para estudos de privatização.
A revogação foi motivada pela pressão dos povos indígenas e por preocupações ambientais e culturais. A ministra Sônia Guajajara mencionou a existência de um sítio arqueológico que poderia ser afetado, além de reafirmar o compromisso do governo com o direito à consulta prévia, livre e informada, conforme a Convenção 169 da OIT. O ministro Boulos ressaltou a disposição do governo em recuar de decisões próprias quando necessário, demonstrando sensibilidade às reivindicações dos povos tradicionais e considerando a questão humanitária dos protestos.
A decisão do presidente Lula contrariou a Casa Civil e outros ministros como Rui Costa, Carlos Fávaro, Silvio Costa Filho e Jorge Messias, que eram a favor da manutenção do decreto. Discussões sobre o tema se arrastavam por meses, com protestos de indígenas e ambientalistas na COP30 e na Amazônia. Lula foi alertado sobre a crescente pressão indígena e a repercussão negativa nas redes sociais, levando-o a decidir pela revogação após conversa com Boulos e a recusa dos indígenas em aceitar uma solução de meio-termo. Enquanto a revogação é celebrada pelas organizações indígenas como uma vitória significativa, representantes do agronegócio defendem as hidrovias como uma forma de reduzir custos logísticos e aumentar a eficiência do setor.
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