Desde agosto de 2025, o governo federal, por meio do Decreto nº 12.600, incluiu as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND). A justificativa governamental para a desestatização é garantir um escoamento mais seguro e ambientalmente protegido, transferindo a responsabilidade pela manutenção da navegabilidade para a iniciativa privada. No entanto, essa medida gerou forte oposição de comunidades indígenas e organizações sociais, que veem na desestatização uma ameaça aos seus territórios, modos de vida e ao meio ambiente.
Os protestos se intensificaram ao longo de mais de um mês, culminando em ações como a ocupação do terminal da multinacional Cargill no Porto de Santarém, Pará, em 21 de fevereiro de 2026. Simultaneamente, ambientalistas e ativistas protestaram em São Paulo, diante do escritório central da Cargill. Os manifestantes, representados pelo Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita), denunciaram a falta de consulta prévia e a ausência de estudos de impacto social, ambiental e cultural. Em resposta, o governo federal suspendeu a dragagem do Rio Tapajós em 6 de fevereiro de 2026, classificando a medida como um "gesto de negociação", e se comprometeu a instituir um grupo de trabalho interministerial para organizar e conduzir processos de consulta prévia com as comunidades afetadas, conforme acordado em reuniões anteriores com lideranças indígenas.