Ali Khamenei assumiu a posição de Líder Supremo após a morte do Aiatolá Ruhollah Khomeini. Sua liderança tem sido marcada por um período de tensões internacionais, especialmente com os Estados Unidos. Em janeiro de 2026, em meio a protestos internos no Irã e crescentes ameaças entre Teerã e Washington, Khamenei comparou o então presidente dos EUA, Donald Trump, a um faraó, alertando para a "queda de tiranos". Esta declaração reflete a retórica antiocidental frequentemente adotada pelo regime iraniano sob sua liderança. Em 17 de janeiro de 2026, Khamenei reforçou essa retórica, chamando Trump de criminoso e acusando-o de incitar os manifestantes e buscar dominar os recursos econômicos e políticos do Irã. Ele descreveu os manifestantes como "soldados rasos" dos Estados Unidos, que teriam destruído mesquitas e centros educacionais, e reconheceu que os protestos resultaram em "milhares" de mortos.
Nesse mesmo período, o Irã enfrentou uma onda de protestos que se espalhou por suas 31 províncias, diferindo de mobilizações anteriores por ocorrer em um contexto de vulnerabilidade do regime. A grave crise econômica, evidenciada pela desvalorização de 40% do rial e inflação descontrolada, com o rial perdendo 56% de seu valor frente ao dólar em um ano e o preço dos alimentos aumentando em média 72%, e uma guerra de 12 dias com Israel em junho de 2025, contribuíram para o aumento da insatisfação popular. Os protestos, iniciados por comerciantes do Grande Bazar de Teerã, rapidamente escalaram de questões econômicas para demandas por mudança de regime. A repressão brutal das forças de segurança resultou em centenas de mortos e milhares de presos, além do bloqueio da internet e da telefonia para isolar os manifestantes. A lacuna geracional, com 47% dos iranianos tendo menos de 30 anos e impulsionando os protestos, e a percepção de que o medo estava perdendo força na população, foram fatores cruciais. Analistas como Vali Nars, professor de Relações Internacionais, sugeriram que, embora um colapso total não fosse iminente, a revolução iraniana poderia estar chegando ao fim. Paralelamente, o líder supremo, Ali Khamenei, de 86 anos, apresentava-se fisicamente debilitado e sem um sucessor claro, enquanto seus parceiros regionais, como Hezbollah e Hamas, estavam enfraquecidos. O presidente dos EUA, Donald Trump, considerava opções militares, cibernéticas e sanções, além de apoiar os manifestantes, aumentando a pressão externa sobre o regime. Dias antes da declaração de Khamenei, Trump havia alertado que agiria caso a matança de manifestantes continuasse, embora um dia antes da admissão de Khamenei, Trump tenha adotado um tom conciliatório, afirmando que o Irã havia cancelado execuções.