Quem é Ilhan Omar
Ilhan Abdullahi Omar é deputada federal dos Estados Unidos pelo Partido Democrata, eleita pelo 5º distrito de Minnesota, que inclui Minneapolis. Está no cargo desde janeiro de 2019, no quarto mandato, e disputa a reeleição em 3 de novembro de 2026. Nascida em Mogadíscio, na Somália, em 4 de outubro de 1982, chegou aos Estados Unidos como refugiada em 1995. Foi a primeira somali-americana no Congresso e, ao lado de Rashida Tlaib, uma das duas primeiras mulheres muçulmanas eleitas para o Congresso. Em outubro de 2026, virou alvo de duas investigações federais, uma sobre papéis de imigração e outra sobre suas declarações de bens.
A busca na casa de Ilhan Omar em 2026
Em 12 de outubro de 2026, agentes da Homeland Security Investigations (HSI), braço de investigação do Departamento de Segurança Interna, cumpriram um mandado de busca na casa de Omar em Washington. O Departamento de Justiça confirmou que o mandado foi "autorizado judicialmente" e que a busca faz parte de uma investigação criminal em andamento. Tom Homan, responsável pela fronteira no governo de Donald Trump, confirmou a operação sem dar detalhes.
O governo não divulgou o objeto do mandado. Segundo reportagens de NPR, ABC News e CNBC, a apuração trata de suposta fraude em documentos de imigração preenchidos pelo pai dela quando Omar era criança. Cerca de um mês antes, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, tinha falado em uma "investigação em andamento" sobre esses formulários. Omar não foi acusada formalmente de nenhum crime.
Segundo a CNN, a investigação apura se Omar ou o pai, já morto, mentiram sobre a idade dela quando ela obteve a cidadania, em 2000, apresentando-a como menor de idade quando já seria adulta. Investiga também possíveis declarações falsas em documentos do governo, como o passaporte, e uma possível conspiração. O caso foi reaberto em 2025 e é conduzido pelo gabinete do vice-procurador-geral e pela procuradoria federal de Minneapolis. A partir de 9 de outubro, foram expedidas pelo menos 12 intimações a testemunhas, a maioria parentes dela. Antes de autorizar a busca, o juiz federal Matthew Sharbaugh, de Washington, exigiu que a promotoria criasse uma triagem dos papéis apreendidos para proteger o trabalho legislativo de Omar, coberto pela imunidade parlamentar prevista na Constituição. O Departamento de Justiça queria acesso amplo.
Os agentes levaram o computador, o celular e o passaporte de Omar, além de cadernos e documentos sobre a imigração dela e da família; o mandado citava possíveis violações de imigração, não financeiras (MS NOW). Em 16 de outubro, os advogados Amy Jeffress e Joshua Matz mandaram uma carta ao Departamento de Justiça. Chamaram a investigação de "vingativa" e "politicamente motivada", disseram que não há "base legítima" para sugerir que Omar violou alguma lei sobre sua cidadania e pediram a devolução dos itens e a preservação de todo áudio e vídeo da busca. Afirmaram que a Câmara só foi avisada da operação depois que ela virou notícia, contra o que o juiz havia determinado, e que o departamento costuma evitar esse tipo de ação tão perto de uma eleição. O Departamento de Justiça respondeu que a carta está "cheia de alegações falsas e imprecisões" e que cumpriu todas as ordens judiciais (CNN).
Ameaça de desnaturalização e a reação de Obama
Em 17 de outubro de 2026, numa entrevista à Fox News, Tom Homan foi perguntado se a investigação poderia levar a "desnaturalizar e depois deportar" Omar. Respondeu: "Claro". "Se você mente no processo de naturalização, existe um processo para desnaturalizar alguém. Já fizemos isso antes. É um processo longo e tedioso", disse. Foi a primeira vez desde a busca que um alto funcionário do governo falou em público, com o próprio nome, em tirar a cidadania de Omar e deportá-la (Guardian). Homan deu a entender que há outras suspeitas, mas não deu detalhes: "Eu sei de coisas, mas essa é uma pergunta para o FBI". A desnaturalização exige investigação federal e um processo na Justiça. Segundo o Guardian, o Departamento de Justiça tinha identificado em abril de 2026 quase 400 cidadãos nascidos no exterior que queria investigar.
Em 18 de outubro de 2026, o ex-presidente Barack Obama publicou uma longa nota nas redes em defesa de Omar. "É um princípio básico da democracia americana que o governo não pode mirar seletivamente indivíduos", escreveu, "mas é exatamente isso que o governo Trump está fazendo com a deputada Ilhan Omar". Obama lembrou que ela chegou aos Estados Unidos com o pai aos 12 anos e que os dois se naturalizaram cinco anos depois. Disse que o peso do governo federal está sendo jogado sobre uma parlamentar que cumpre a lei e que isso "deveria indignar todos os americanos", independentemente do que pensem das posições dela (MS NOW).
A investigação sobre o patrimônio
Em 13 de outubro de 2026, um dia depois da busca, a procuradora federal de Washington, Jeanine Pirro, confirmou na TV que seu escritório investiga as declarações financeiras de Omar, sem dar detalhes. Segundo a Axios, as duas apurações não têm ligação conhecida.
O foco é o salto no patrimônio declarado. Omar declarou patrimônio negativo quando foi eleita, em 2018. Na declaração de 2024, informou que ela e o marido, Tim Mynett, tinham patrimônio familiar entre US$ 6 milhões e US$ 30 milhões no fim daquele ano. Quase tudo vem da participação de Mynett em duas empresas: uma vinícola na Califórnia e uma gestora de capital de risco. Segundo a imprensa americana, o valor declarado dos negócios dele passou de cerca de US$ 51 mil em 2023 para cerca de US$ 30 milhões em 2024. Em fevereiro de 2025, Omar escreveu no X que não vale nem "milhares, quanto mais milhões". Ela e o gabinete negam irregularidades nas duas frentes.
Origem: da Somália a Minneapolis
Omar nasceu Ilham Abdullahi Omar e passou a primeira infância em Baidoa, no sul da Somália. Era a caçula de sete irmãos. A mãe morreu quando ela tinha dois anos, e ela foi criada pelo pai, Nur Omar Mohamed, ex-coronel do Exército somali, e pelo avô. Fugindo da guerra civil, a família passou quatro anos no campo de refugiados de Dadaab, no Quênia.
A família recebeu asilo nos Estados Unidos e chegou a Nova York em 1995. Morou em Arlington, na Virgínia, e depois se fixou em Minneapolis, onde o pai foi taxista e funcionário dos Correios. Omar virou cidadã americana em 2000, aos 17 anos. Formou-se em Ciência Política e Estudos Internacionais pela Universidade Estadual de Dakota do Norte em 2011.
Carreira política
Antes de se candidatar, Omar foi educadora de nutrição na Universidade de Minnesota, coordenou campanhas locais e foi assessora de um vereador de Minneapolis. Em 2016, foi eleita para a Câmara estadual de Minnesota, a primeira legisladora somali-americana do país.
Em 2018, venceu a eleição para a Câmara dos Representantes com 78% dos votos, no lugar de Keith Ellison. Foi reeleita em 2020, 2022 e 2024, quando teve 75,3%. Na primária democrata de 11 de agosto de 2026, venceu com mais de 80% dos votos. Na primária republicana, John Nagel foi o vencedor projetado, com 52,1%.
Com a eleição dela, a Câmara mudou a regra que proibia cobrir a cabeça no plenário, e Omar foi a primeira mulher a usar hijab ali. Integra o grupo informal "The Squad", com Alexandria Ocasio-Cortez, Ayanna Pressley e Rashida Tlaib, e é vice-presidente da bancada progressista.
O que Ilhan Omar defende
Omar defende salário mínimo de US$ 15, saúde pública universal, perdão de dívidas estudantis, a proteção dos jovens imigrantes do programa DACA e o fim do ICE, a agência de imigração. Critica Israel com frequência, apoia o movimento de boicote BDS e pede o fim da ajuda militar americana ao país (ver conflito Israel-Palestina). Em 4 de junho de 2026, foi a única democrata a votar contra o projeto de ajuda militar à Ucrânia e sanções à Rússia.
Polêmicas e ameaças
- Israel: em março de 2019, a Câmara votou por 407 a 23 uma resolução contra o antissemitismo e outras formas de intolerância, em resposta a falas dela sobre Israel. Em 2 de fevereiro de 2023, a maioria republicana a tirou da Comissão de Relações Exteriores, citando comentários sobre Israel.
- Finanças de campanha: em junho de 2019, a autoridade eleitoral de Minnesota mandou Omar devolver US$ 3.500 usados em viagens e declaração de impostos, mais multa de US$ 500. A contratação da empresa de Tim Mynett pela campanha, que recebeu US$ 2,78 milhões no ciclo de 2020, também foi criticada; a campanha encerrou o contrato em novembro de 2020.
- Charlie Kirk: em setembro de 2025, as reações dela ao assassinato do ativista levaram a tentativas republicanas de tirá-la das comissões. A de Nancy Mace foi derrotada em 17 de setembro de 2025.
- Ataques e ameaças: Trump a ataca desde 2019, quando escreveu que deputadas deveriam "voltar" a seus países. Em 27 de janeiro de 2026, um homem a atingiu com um spray de vinagre num evento em Minneapolis; Trump disse depois que ela "provavelmente" tinha armado o episódio. No mesmo mês, um homem do Kansas foi preso por ameaçar matar Omar e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani.
Vida pessoal: marido e filhos
Omar é casada desde março de 2020 com Tim Mynett, consultor político. Tem três filhos do relacionamento com Ahmed Hirsi, com quem viveu um casamento religioso a partir de 2002 e se casou no civil em 2018; o divórcio saiu em novembro de 2019. Entre 2009 e 2017, foi casada com Ahmed Nur Said Elmi. A filha Isra Hirsi foi uma das organizadoras da greve estudantil pelo clima nos Estados Unidos.
Linha do tempo
- 4 de outubro de 1982: nasce em Mogadíscio, na Somália.
- 1995: chega aos Estados Unidos como refugiada.
- 2000: torna-se cidadã americana.
- Novembro de 2016: eleita deputada estadual em Minnesota.
- Novembro de 2018: eleita deputada federal.
- Fevereiro de 2023: removida da Comissão de Relações Exteriores.
- 27 de janeiro de 2026: é atingida por spray num evento em Minneapolis.
- 11 de agosto de 2026: vence a primária democrata com mais de 80%.
- 12 de outubro de 2026: agentes federais fazem busca na casa dela em Washington.
- 13 de outubro de 2026: Jeanine Pirro confirma investigação sobre o patrimônio dela.
- 16 de outubro de 2026: advogados de Omar contestam a legalidade da busca e pedem a devolução dos itens apreendidos.
- 17 de outubro de 2026: Tom Homan diz na Fox News que Omar pode ser desnaturalizada e deportada se as provas apontarem fraude.
- 18 de outubro de 2026: Barack Obama critica a investigação e diz que o governo Trump persegue Omar por suas posições políticas.
- 3 de novembro de 2026: eleição de meio de mandato.
Perguntas frequentes
Por que a casa de Ilhan Omar foi revistada? O governo não divulgou o motivo. Segundo a imprensa americana, a investigação é sobre supostas irregularidades em documentos de imigração preenchidos pelo pai dela quando ela era criança; a CNN diz que os investigadores apuram se a idade dela foi falseada na naturalização, em 2000. Omar não foi acusada.
Ilhan Omar pode perder a cidadania americana? Só por um processo de desnaturalização na Justiça, que exige provar fraude na naturalização. Em 17 de outubro de 2026, Tom Homan disse que isso pode acontecer "se as provas apontarem nessa direção". Omar não foi acusada, e os advogados dela dizem que não há base para a suspeita.
Quem é o marido de Ilhan Omar? Tim Mynett, consultor político, casado com ela desde março de 2020.
Qual é a religião de Ilhan Omar? Ela é muçulmana.
Ilhan Omar nasceu nos Estados Unidos? Não. Nasceu na Somália, chegou aos Estados Unidos como refugiada em 1995 e virou cidadã em 2000.
Qual é o patrimônio de Ilhan Omar? Na declaração de 2024, entre US$ 6 milhões e US$ 30 milhões, quase todo ligado às empresas do marido.
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