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I Squared Capital

A I Squared Capital é uma gestora americana de private equity em infraestrutura, fundada em 2012 por ex-executivos do Morgan Stanley e sediada em Miami, com cerca de US$ 60 bilhões sob gestão. Investe em energia, transporte e infraestrutura digital. No Brasil, tem 49% da Órigo Energia e, desde 2026, o controle da Elea Data Centers, que toca o Rio AI City. Em 2026 fez a maior oferta pelo Porto Sudeste, cuja venda foi cancelada em outubro.

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Foto: Canadianikon / CC0

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O que é a I Squared Capital

A I Squared Capital (ISQ) é uma gestora americana de private equity especializada em infraestrutura. Fundada em 2012 e sediada em Miami, na Flórida, ela compra e administra empresas de energia, transporte e logística e infraestrutura digital, como redes de fibra óptica, torres de telecomunicação e data centers, na Ásia, na Europa e nas Américas. Em 2026, a gestora informava ter cerca de US$ 60 bilhões sob gestão.

Fundadores e direção

A gestora foi fundada por ex-executivos do Morgan Stanley: Sadek Wahba, Adil Rahmathulla e Gautam Bhandari. Wahba é o presidente do conselho e sócio-diretor; Bhandari é sócio-diretor e diretor global de investimentos (CIO). Em dezembro de 2023, a Blue Owl Capital ampliou sua participação na I Squared ao comprar parte da fatia de Rahmathulla.

Patrimônio sob gestão (AUM) e fundos

A I Squared levanta dinheiro de fundos de pensão, seguradoras e outros investidores institucionais em fundos fechados, cada um maior que o anterior:

  • ISQ Global Infrastructure Fund I (2015): US$ 3 bilhões, com investidores como a Rhode Island State Investment Commission, o New Mexico Educational Retirement Board e a Mitsubishi Corporation.
  • Fund II (setembro de 2018): US$ 7 bilhões, acima da meta inicial de US$ 5 bilhões.
  • Fund III (abril de 2022): cerca de US$ 15 bilhões, então o maior da casa.
  • Fund IV (2026): primeiro fechamento de cerca de US$ 10 bilhões, para uma meta de US$ 15 bilhões, segundo a Bloomberg e a Infrastructure Investor.

O patrimônio sob gestão passou de mais de US$ 50 bilhões, em novembro de 2025, para cerca de US$ 60 bilhões em 2026, segundo a própria gestora. Em janeiro de 2025, a firma tinha cerca de 300 funcionários.

Portfólio

Entre os investimentos mais conhecidos da I Squared estão:

  • Energia: a irlandesa Viridian (2016, cerca de 1 bilhão de euros); os negócios de geração hidrelétrica e a gás da Duke Energy no Peru, Chile, Equador, Guatemala, El Salvador e Argentina (2016, US$ 1,2 bilhão); usinas hidrelétricas nos Estados Unidos pela Cube Hydro; e a eólica Lincoln Clean Energy, vendida à Ørsted em 2018 por US$ 580 milhões.
  • Telecomunicações e digital: a Hutchison Global Communications, de Hong Kong (2017, HK$ 14,5 bilhões); a divisão de infraestrutura da GTT Communications (2020, US$ 2,15 bilhões), que virou a EXA Infrastructure, dona de cabos submarinos e de fibra na Europa e na América do Norte; a mexicana Kio; os data centers BDx, na Ásia, e nLighten, na Europa; e a Saragon, nos Estados Unidos.
  • Transporte e logística: a britânica Aggreko, de geradores móveis, comprada com a TDR Capital (2021, 2,3 bilhões de libras); a Arriva, empresa de transporte público vendida pela Deutsche Bahn (acordo em 2023, concluído em junho de 2024); a TIP Group, de leasing de reboques e equipamentos, comprada em 2018; e as operações de ônibus escolar Durham School Services e Stock Transportation, compradas da Mobico em 2025.

I Squared Capital no Brasil

Foto: Reprodução/Startups

A gestora abriu escritório em São Paulo no fim de 2023 e fez o primeiro investimento direto no país em janeiro de 2024: até US$ 400 milhões por 49% da Órigo Energia, empresa de geração distribuída solar, para financiar cerca de 2 GW de projetos.

Em 28 de abril de 2026, anunciou a compra do controle da Elea Data Centers, que pertencia à Piemonte Holding, sem revelar o valor. A Elea tem nove data centers no Rio de Janeiro, em Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Barueri, Santos e São Bernardo do Campo, e a I Squared se comprometeu com o plano de US$ 10 bilhões em investimentos da empresa, liderada pelo fundador Alessandro Lombardi. Em 8 de junho de 2026, na abertura do Web Summit Rio, a Elea anunciou US$ 550 milhões para o Rio AI City, polo de data centers no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, com capacidade inicial de 1,5 GW e expansão prevista para até 3 GW em 2032. No mesmo dia, a empresa e a prefeitura do Rio assinaram um memorando de entendimento sobre o projeto.

Em agosto de 2026, o Intercept Brasil revelou que o BEL1, data center da Elea em Belém apresentado como legado da COP30, com investimento inicial estimado em R$ 250 milhões, não tinha pedido de licenciamento ambiental na Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

A I Squared também disputou o Porto Sudeste, terminal de minério de ferro no Rio de Janeiro controlado pela Trafigura e pela Mubadala Capital. Em agosto de 2026, segundo o Pipeline, do Valor, fez a maior proposta vinculante, que avaliava o porto em cerca de US$ 4 bilhões, contra US$ 5 bilhões pretendidos pelos vendedores; o outro lance veio de um consórcio da Global Infrastructure Partners, da BlackRock, com a Vale e a Gerdau. Em 27 de outubro de 2026, a Bloomberg noticiou que Trafigura e Mubadala desistiram da venda porque as ofertas ficaram cerca de 30% abaixo do esperado. Em setembro, a gestora também estava entre os interessados nos ativos de infraestrutura da CSN, como a fatia na MRS Logística e os terminais de Itaguaí e Sepetiba. Antes, havia disputado a Wilson Sons, que acabou com a MSC.

Escritórios

Depois de começar em Nova York, a I Squared mudou a sede para Miami em 2018. A gestora tem nove escritórios: Miami, Londres, Singapura, Sydney, Taipé, Nova Délhi, Abu Dhabi, Munique (aberto em 2024) e São Paulo.

Negócios recentes

Foto: Reprodução/DCD
  • Saragon (2026): em maio, a I Squared acertou a compra de dez data centers da Cogent Fiber, da Cogent Communications, por US$ 225 milhões. Em agosto, lançou com eles a Saragon, operadora de colocation e inferência de IA em nove mercados dos Estados Unidos, com cerca de 53 MW e até US$ 1 bilhão em capital comprometido. O CEO é Steve Orlando.
  • Arábia Saudita (julho de 2026): a gestora e o PIF, fundo soberano saudita, assinaram em 13 de julho um memorando de entendimento para investir até US$ 2 bilhões em ativos do PIF e de suas empresas: até US$ 1 bilhão em infraestrutura digital e até US$ 1 bilhão em resfriamento distrital.
  • TIP Group (julho de 2026): venda de 25% da TIP Group para a IMCO, gestora de pensões de Ontário, e para a GCM Grosvenor, numa operação que, segundo a Bloomberg, avalia a empresa em quase 4 bilhões de euros. O fechamento está previsto para o primeiro trimestre de 2027, e a I Squared continua controladora.
  • oOh!media (agosto de 2026): depois de uma disputa com Pacific Equity Partners e outros fundos, a I Squared fechou acordo para comprar 100% da australiana de mídia exterior oOh!media a A$ 1,70 por ação, com valor da empresa de cerca de A$ 1,04 bilhão. A operação ainda depende de aprovação dos acionistas, da Justiça e de reguladores.
  • Ströer (2026): a Börsen-Zeitung noticiou em julho que a I Squared e a francesa Infravia negociavam a compra da alemã de mídia exterior Ströer, a 44 a 45 euros por ação, cerca de 2,5 bilhões de euros no total. Numa tentativa anterior, a I Squared estava em consórcio com a Blackstone, que deixou o grupo.

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