O que é
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), conhecida como bancada ruralista, é o grupo suprapartidário de deputados e senadores que defende os interesses do agronegócio no Congresso Nacional. É o maior colegiado temático do Congresso: em outubro de 2026 reunia 345 parlamentares, 297 deputados e 48 senadores, de 19 partidos, segundo levantamento da Globo Rural e do Valor com base na lista de integrantes. O PL é o partido com mais membros, 94.
A frente é presidida desde 2023 pelo deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), cujo mandato à frente do grupo vai até fevereiro de 2027. Os vice-presidentes são o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), na Câmara, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), no Senado. Na eleição de 2026, a FPA apoiou Flávio Bolsonaro (PL) contra Lula, que foi reeleito.
Membros
Para ser registrada na Câmara, uma frente parlamentar precisa da assinatura de pelo menos um terço do Poder Legislativo federal. A FPA tem muito mais que isso. Segundo a Globo Rural, dos 345 integrantes em outubro de 2026, 317 (91,8%) disputaram algum cargo na eleição daquele ano, e 242 dos 297 deputados tentaram a reeleição. A frente informou em 5 de outubro de 2026 que 200 de seus membros foram reeleitos ou eleitos para o Congresso no 1º turno.
A diretoria reúne, além do presidente e dos vices, o 2º vice-presidente na Câmara, Luiz Nishimori (PSD-PR), o 2º vice no Senado, Jaime Bagattoli (PL-RO), o coordenador institucional, Alceu Moreira (MDB-RS), e coordenadores temáticos para áreas como endividamento rural, seguro rural, meio ambiente, direito de propriedade e tributação. A lista completa de membros está no site da frente, dividida por região.
Presidente
Pedro Lupion (Republicanos-PR) assumiu a presidência da FPA em 2023 e foi reconduzido em 3 de dezembro de 2024 para um mandato até fevereiro de 2027. Deputado federal desde 2019, foi reeleito em outubro de 2026 para o terceiro mandato na Câmara.
História
A bancada nasceu na Assembleia Nacional Constituinte de 1987 e 1988, quando parlamentares ligados à agropecuária formaram a Frente Ampla Ruralista para garantir na Constituição o direito de propriedade de terras produtivas. Segundo a própria FPA, a bancada continuou a existir informalmente até 1994. Em 1995, deputados e senadores fundaram a Frente Parlamentar da Agricultura. Em 2002, foi lançada a Frente Parlamentar de Apoio à Agropecuária, que em 2008 adotou o nome atual para se adequar às regras de registro de frentes criadas pela Câmara.
Instituto Pensar Agropecuária
Desde 2011, a frente conta com o Instituto Pensar Agropecuária (IPA), associação sem fins lucrativos criada por entidades do agronegócio para assessorar a FPA por meio de um acordo de cooperação técnica. O IPA reúne 48 entidades do setor, segundo seu site, e mantém equipe técnica que acompanha projetos, emite pareceres e prepara a posição da bancada nas votações.
O que defende
Pelo site da FPA, o objetivo da frente é ampliar políticas públicas para o agronegócio. Entre as prioridades declaradas estão a mudança das leis trabalhista, fundiária e tributária e a regulamentação da demarcação de terras indígenas e quilombolas, em nome da segurança jurídica do setor. A bancada também atua por crédito rural, seguro agrícola, renegociação de dívidas de produtores e recursos para defesa sanitária e pesquisa no Orçamento.
Pautas marcantes
- Marco temporal: em 14 de dezembro de 2023, o Congresso derrubou o veto de Lula à lei do marco temporal (Lei 14.701/2023), que restringe a demarcação de terras indígenas às áreas ocupadas em 5 de outubro de 1988. Foram 321 votos de deputados e 53 de senadores pela derrubada. A FPA articulou a votação, feita três meses depois de o STF considerar a tese inconstitucional.
- Agrotóxicos: em 27 de dezembro de 2023, Lula sancionou com vetos a nova lei dos agrotóxicos (Lei 14.785/2023). O governo vetou os trechos que davam ao Ministério da Agricultura a palavra final no registro e na reavaliação dos produtos, tirando poder da Anvisa e do Ibama.
- Licenciamento ambiental: em 27 de novembro de 2025, o Congresso derrubou a maior parte dos vetos de Lula à Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190/2025), numa vitória da bancada ruralista. O texto dispensa de licença atividades agropecuárias em imóveis com Cadastro Ambiental Rural pendente de homologação, entre outros pontos. A FPA discutia o projeto havia mais de 20 anos.
Relação com governos
Em 1º de outubro de 2026, a diretoria declarou apoio a Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Em reunião com a bancada em 6 de outubro, Flávio disse que a frente poderia indicar o ministro da Agricultura se ele vencesse.
Lula foi reeleito em 25 de outubro de 2026. Depois do resultado, Lupion disse que seguirá "fiscalizando o governo". Em 26 de outubro, Arnaldo Jardim defendeu retomar o diálogo com o governo eleito: "Opções foram feitas, mas nós temos que, em defesa do agro, ter o diálogo com o poder constituído". Em 27 de outubro, Lupion disse que a bancada deve se aproximar do governo nas pautas em que há convergência e reagir nas que considera prejudiciais aos produtores.
O que acontece agora
Em 27 de outubro de 2026, na primeira reunião depois da eleição, a FPA pôs como prioridade a renegociação de dívidas rurais pela Medida Provisória 1.376/2026, que está na comissão mista. A MP vale até 11 de novembro. A bancada quer mudar o relatório do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), sobretudo a exigência de entrada e de novas garantias para aderir. Segundo o Banco Central, até 26 de outubro haviam sido renegociados cerca de R$ 14,3 bilhões, abaixo da previsão de aproximadamente R$ 100 bilhões do Ministério da Fazenda.
Para fevereiro de 2027, quando o novo Congresso elege os presidentes da Câmara e do Senado, Lupion disse em 27 de outubro que a frente ainda não começou a negociar apoios e só apoiará candidatos comprometidos com as pautas do setor. Segundo ele, a senadora Tereza Cristina, o senador Rogério Marinho e o senador Davi Alcolumbre têm interesse em presidir o Senado. O mandato de Lupion na presidência da FPA também termina em fevereiro de 2027.
Polêmicas
Críticos, como organizações ambientalistas e indígenas, acusam a bancada de enfraquecer leis ambientais, como as de licenciamento e de agrotóxicos, e de travar a demarcação de terras indígenas com o marco temporal. A bancada é às vezes chamada de "bancada do boi" e, junto com as bancadas evangélica e armamentista, de "bancada BBB" (boi, Bíblia e bala). O financiamento do Instituto Pensar Agropecuária por associações do agronegócio, entre elas entidades ligadas a grandes empresas de carnes, soja e agrotóxicos, também é alvo de críticas. A FPA diz defender a segurança jurídica e o direito de propriedade.
Linha do tempo
- 1987–1988: a Frente Ampla Ruralista atua na Constituinte.
- 1995: é fundada a Frente Parlamentar da Agricultura.
- 2002: é lançada a Frente Parlamentar de Apoio à Agropecuária.
- 2008: a frente passa a se chamar Frente Parlamentar da Agropecuária.
- 2011: entidades do setor criam o Instituto Pensar Agropecuária.
- 14 de dezembro de 2023: Congresso derruba o veto ao marco temporal.
- 3 de dezembro de 2024: Pedro Lupion é reconduzido à presidência até fevereiro de 2027.
- 27 de novembro de 2025: Congresso derruba vetos à lei do licenciamento ambiental.
- 1º de outubro de 2026: FPA declara apoio a Flávio Bolsonaro.
- 25 de outubro de 2026: Lula é reeleito.
- 27 de outubro de 2026: primeira reunião após a eleição prioriza a renegociação de dívidas rurais.
Perguntas frequentes
O que é a Frente Parlamentar da Agropecuária?
É a bancada ruralista do Congresso: um grupo suprapartidário de deputados e senadores que defende os interesses do agronegócio. Em outubro de 2026, tinha 345 integrantes, 297 deputados e 48 senadores, de 19 partidos.
Quem é o presidente da FPA?
O deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente desde 2023, com mandato até fevereiro de 2027.
Quantos membros tem a Frente Parlamentar da Agropecuária?
345 parlamentares em outubro de 2026, segundo a Globo Rural: 297 deputados e 48 senadores. O PL tem mais integrantes, 94.
Onde fica a FPA?
Em Brasília. A frente atua no Congresso Nacional, faz reuniões semanais com a bancada e divide a sede, uma casa no Lago Sul, com o Instituto Pensar Agropecuária.
Qual a diferença entre FPA e bancada ruralista?
São a mesma coisa. Bancada ruralista é o nome popular da Frente Parlamentar da Agropecuária.
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