Visão geral
Brexit é a saída do Reino Unido da União Europeia, concluída às 23h (horário de Londres) de 31 de janeiro de 2020. A decisão veio do referendo de 23 de junho de 2016, em que 51,9% dos eleitores votaram por deixar o bloco. O país é o único Estado-membro que já saiu da UE.
- Nome: junção de "Britain" (Grã-Bretanha) com "exit" (saída).
- Referendo: 23 de junho de 2016, com 51,9% pela saída e 48,1% pela permanência.
- Saída formal: 31 de janeiro de 2020, seguida de 11 meses de transição.
- Relação atual: o Acordo de Comércio e Cooperação, em vigor desde 1º de maio de 2021.
- Hoje: o primeiro-ministro Andy Burnham diz que o Brexit fez mais mal do que bem e busca laços mais estreitos com a UE, com uma cúpula marcada para 20 de novembro de 2026, em Bruxelas.
O que é o Brexit
O Brexit é o processo pelo qual o Reino Unido deixou a União Europeia depois de quase cinco décadas como membro. O país havia entrado nas Comunidades Europeias, antecessoras da UE, em 1º de janeiro de 1973.
Com a saída, o direito europeu e o Tribunal de Justiça da União Europeia deixaram de ter primazia sobre a lei britânica. O Reino Unido saiu do mercado único e da união aduaneira, e acabou a livre circulação de pessoas entre o país e o bloco: cidadãos europeus perderam o direito automático de viver e trabalhar no Reino Unido, e os britânicos, o de se fixar nos países da UE. Uma lei de 2018 (European Union (Withdrawal) Act) incorporou as normas europeias vigentes ao direito britânico, que o Parlamento pode alterar ou revogar.
Quando foi o Brexit
O processo durou de 2016 a 2021:
- 23 de junho de 2016: referendo aprova a saída.
- 29 de março de 2017: o governo de Theresa May aciona o Artigo 50 do Tratado da União Europeia, que dá dois anos para negociar a saída.
- 29 de março de 2019: data original da saída, adiada três vezes por falta de maioria no Parlamento.
- 31 de janeiro de 2020, 23h em Londres: o Reino Unido deixa a UE.
- 1º de janeiro de 2021: fim da transição; o país sai do mercado único e da união aduaneira.
- 1º de maio de 2021: o Acordo de Comércio e Cooperação entra formalmente em vigor.
Por que o Reino Unido saiu: o referendo de 2016
Partidos e grupos eurocéticos existiam desde o ingresso no bloco. Em 1975, um primeiro referendo manteve o país nas Comunidades Europeias, com 67,2% dos votos. Nos anos 2010, o crescimento do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP) e a pressão dos eurocéticos do Partido Conservador levaram o primeiro-ministro David Cameron a prometer um novo referendo se vencesse a eleição de 2015. Ele venceu, e a consulta foi marcada para 23 de junho de 2016.
Os motivos da campanha pela saída giraram em torno de soberania e controle da imigração, com o fim da livre circulação de cidadãos europeus. A campanha oficial pela saída foi a Vote Leave; pela permanência, a Britain Stronger in Europe. Cameron, Theresa May, Keir Starmer e Andy Burnham defenderam a permanência; Boris Johnson e Rishi Sunak, a saída. Nigel Farage, hoje líder do Reform UK, fazia campanha havia anos pela saída.
O resultado:
- Saída: 51,89%.
- Permanência: 48,11%.
- Comparecimento: 72%, o maior de um referendo nacional no Reino Unido.
- A Inglaterra (exceto Londres) e o País de Gales votaram pela saída. A Escócia, a Irlanda do Norte e Gibraltar votaram pela permanência.
Cameron renunciou depois da derrota e foi substituído por Theresa May.
Como foi a negociação da saída
As negociações duraram quatro anos e dividiram o país. May convocou eleição antecipada em junho de 2017 e perdeu a maioria conservadora. O Parlamento rejeitou o acordo de retirada que ela negociou, e a saída foi adiada três vezes.
Boris Johnson assumiu como primeiro-ministro em 24 de julho de 2019. Em 17 de outubro de 2019, fechou com Bruxelas um acordo de retirada revisado. Na eleição de 12 de dezembro de 2019, os conservadores conquistaram maioria de 80 cadeiras com a promessa de concluir o Brexit, e o Parlamento ratificou o acordo. O país saiu em 31 de janeiro de 2020 e passou 11 meses em transição, ainda dentro do mercado único e da união aduaneira.
O acordo de comércio com a União Europeia
O Acordo de Comércio e Cooperação (TCA) foi assinado em 30 de dezembro de 2020, poucos dias antes do fim da transição. Aplicado provisoriamente desde 1º de janeiro de 2021, entrou em vigor em 1º de maio de 2021. É um acordo enxuto: manteve o comércio com o bloco de 450 milhões de habitantes, mas criou novas barreiras para empresas britânicas fazerem negócios com o bloco.
Irlanda do Norte: o protocolo e o Quadro de Windsor
A fronteira entre a Irlanda do Norte, parte do Reino Unido, e a República da Irlanda, membro da UE, virou a única fronteira terrestre entre o país e o bloco. Os dois lados concordaram em evitar uma fronteira física, que poderia ameaçar o Acordo da Sexta-Feira Santa, que encerrou o conflito na Irlanda do Norte.
- Backstop: a primeira solução, negociada por May, manteria o Reino Unido na união aduaneira até haver alternativa. O Parlamento a rejeitou.
- Protocolo da Irlanda do Norte (2019): a Irlanda do Norte ficou formalmente fora do mercado único, mas seguindo as regras europeias para mercadorias. Na prática, criou uma fronteira aduaneira no Mar da Irlanda para produtos vindos da Grã-Bretanha, criticada pelos unionistas.
- Quadro de Windsor (27 de fevereiro de 2023): o primeiro-ministro Rishi Sunak e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, revisaram o protocolo. A principal novidade é o "freio de Stormont", que permite à Assembleia da Irlanda do Norte acionar um mecanismo de emergência contra mudanças nas regras europeias sobre mercadorias.
Efeitos do Brexit na economia
A maior parte dos economistas avalia que o Brexit prejudicou a economia britânica. A referência oficial é o Escritório de Responsabilidade Orçamentária (OBR), órgão fiscal independente do governo:
- O OBR supõe que as importações e as exportações britânicas ficam 15% menores do que seriam se o país tivesse continuado na UE.
- Essa perda de comércio reduz a produtividade potencial em 4%, efeito que se completa cerca de 15 anos depois da saída.
No outono de 2025, a chanceler do Tesouro na época, Rachel Reeves, disse que os danos do Brexit à economia a obrigaram a aumentar impostos e cortar gastos no orçamento daquele ano. Em 26 de outubro de 2026, o primeiro-ministro Andy Burnham afirmou que o Brexit enfraqueceu a economia e não trouxe os benefícios prometidos.
Brexit e imigração
O fim da livre circulação deu ao Reino Unido o controle sobre a entrada de cidadãos europeus, a principal promessa da campanha pela saída. O governo Burnham argumenta que o efeito sobre a imigração irregular foi o oposto: fora do bloco, o país perdeu o acesso às bases de dados e aos acordos europeus que permitiam devolver migrantes a outros países da UE. Em entrevista à ITV em 26 de outubro de 2026, Burnham disse que o país perdeu "o controle da imigração que um dia teve", e citou a travessia de pequenos barcos pelo Canal da Mancha.
A reaproximação com a UE
Em 19 de maio de 2025, o governo Starmer e a UE fizeram uma cúpula bilateral e adotaram três documentos: uma declaração conjunta, uma Parceria de Segurança e Defesa e um "Entendimento Comum" para uma nova agenda de cooperação. Os dois lados se comprometeram a trabalhar por uma área sanitária e fitossanitária comum, que facilita o comércio de alimentos, e por um programa de mobilidade para jovens.
Starmer manteve as linhas vermelhas do manifesto trabalhista de 2024: nada de volta ao mercado único nem à união aduaneira. Burnham, que o sucedeu em 20 de julho de 2026, diz respeitar essas linhas até a próxima eleição geral, que precisa ocorrer até 2029.
A posição do governo Burnham hoje
Burnham rompeu a regra seguida pelos governos britânicos por uma década, de evitar o tema:
- Setembro de 2026: na conferência anual do Partido Trabalhista, disse que o Brexit "fez mais mal do que bem" e que buscará consenso para uma nova relação com a UE, sem descartar a readesão.
- 26 de outubro de 2026: afirmou que o país ficou com um Brexit "mais duro do que o proposto na campanha do referendo" e que o acordo atual não é bom o bastante, mas descartou mudanças grandes nesta legislatura. À ITV, disse que gostaria de ver o país voltar à UE "ainda em vida", mas que "o público britânico é quem manda". Depois de Downing Street esclarecer suas falas, afirmou que não haverá volta à livre circulação sem referendo.
- 27 de outubro de 2026: o secretário de Negócios, Jonathan Reynolds, disse que autoridades britânicas começaram a discutir com a UE a relação de longo prazo, que pode incluir a volta da livre circulação.
- 28 de outubro de 2026: em reunião do gabinete, Burnham chamou o acordo negociado pelos conservadores de ruim e mais extremo do que o prometido em 2016, proibiu ministros de opinar sobre a relação com Bruxelas antes de uma revisão de opções e escreveu aos membros do governo expondo seus planos.
A cúpula de 20 de novembro de 2026, em Bruxelas, deve tratar de um pacote mais limitado: acordo para alimentos e bebidas, energia e comércio de emissões, e um programa para jovens trabalharem por tempo limitado no Reino Unido e na UE. Na mesma época, o governo pretende apresentar as opções de longo prazo e ouvir o público. Downing Street admitiu conversas informais sobre opções que incluem a volta ao mercado único e à livre circulação.
A oposição reage: Nigel Farage, líder do Reform UK, diz que Burnham "não tem mandato" para renegociar o Brexit, e a deputada trabalhista Melanie Onn, de um distrito que votou em peso pela saída, alertou contra "reabrir as divisões do passado".
Linha do tempo
- 1º de janeiro de 1973: Reino Unido entra nas Comunidades Europeias.
- 1975: referendo mantém o país no bloco, com 67,2% dos votos.
- 23 de junho de 2016: referendo aprova a saída, com 51,89%.
- 29 de março de 2017: Theresa May aciona o Artigo 50.
- 24 de julho de 2019: Boris Johnson assume como primeiro-ministro.
- 17 de outubro de 2019: acordo de retirada revisado com a UE.
- 12 de dezembro de 2019: conservadores vencem a eleição com maioria de 80 cadeiras.
- 31 de janeiro de 2020: o Reino Unido sai da UE.
- 30 de dezembro de 2020: assinatura do Acordo de Comércio e Cooperação.
- 1º de janeiro de 2021: fim da transição.
- 1º de maio de 2021: o acordo de comércio entra em vigor.
- 27 de fevereiro de 2023: Quadro de Windsor para a Irlanda do Norte.
- 19 de maio de 2025: cúpula Reino Unido-UE lança a reaproximação.
- 20 de julho de 2026: Andy Burnham assume como primeiro-ministro.
- Setembro de 2026: Burnham diz que o Brexit fez mais mal do que bem.
- 28 de outubro de 2026: Burnham chama o acordo atual de ruim e manda revisar as opções.
- 20 de novembro de 2026: cúpula Reino Unido-UE em Bruxelas.
Perguntas frequentes
O que é o Brexit?
É a saída do Reino Unido da União Europeia, aprovada em referendo em 23 de junho de 2016 e concluída em 31 de janeiro de 2020. O nome junta "Britain" (Grã-Bretanha) e "exit" (saída).
Quando foi o Brexit?
O referendo foi em 23 de junho de 2016. A saída formal ocorreu às 23h de 31 de janeiro de 2020, horário de Londres, e o país deixou o mercado único e a união aduaneira em 1º de janeiro de 2021, no fim da transição.
Quais foram os motivos do Brexit?
A campanha pela saída defendeu recuperar a soberania sobre as leis do país e controlar a imigração, com o fim da livre circulação de cidadãos europeus. O referendo foi convocado por David Cameron sob pressão do UKIP e dos eurocéticos de seu partido.
Qual foi o resultado do referendo do Brexit?
A saída venceu com 51,89% dos votos, contra 48,11% pela permanência, com comparecimento de 72%. Inglaterra e País de Gales votaram pela saída; Escócia e Irlanda do Norte, pela permanência.
O Brexit prejudicou a economia britânica?
A maior parte dos economistas avalia que sim. O OBR, órgão fiscal do governo britânico, estima comércio 15% menor e produtividade 4% menor no longo prazo do que se o país tivesse ficado na UE.
O Reino Unido vai voltar para a União Europeia?
Não há processo de volta. O primeiro-ministro Andy Burnham diz que gostaria de ver o país voltar à UE ainda em vida, mas descartou a readesão e a volta ao mercado único nesta legislatura, que vai até a eleição de 2029, no máximo. O governo busca laços mais estreitos na cúpula de 20 de novembro de 2026.
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