Operações no Paraná miram fundos ligados à QI Tech por fraude de ICMS
O Gaeco de Londrina e a Receita Federal deflagraram no Paraná duas operações contra sonegação de ICMS e lavagem de dinheiro com fundos administrados pela Singulare, comprada pela QI Tech em 2024.
Pontos principais
- O Gaeco de Londrina, do Ministério Público do Paraná, e a Receita Federal deflagraram nesta quarta-feira, 4 de novembro, a 2ª fase da Operação Enxágue e a Operação Catéter, com apoio das polícias Civil e Militar.
- Foram cumpridos 64 mandados de busca e apreensão em 28 municípios do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e nove investigados receberam medidas cautelares diversas da prisão.
- A Justiça determinou sequestro e indisponibilidade de bens e valores que somam R$ 271.481.696,96: até R$ 143.390.934,40 na Enxágue e até R$ 128.090.762,56 na Catéter.
- Segundo o MP, esses valores correspondem a créditos de ICMS já constituídos, sem prejuízo de majoração posterior; considerando toda a cadeia de empresas, inclusive as de outra investigação, os créditos passam de R$ 300 milhões.
- Segundo o MP, as “noteiras”, empresas de fachada registradas em nome de laranjas, emitiam notas sem operações reais para gerar créditos de ICMS que as indústrias compradoras se apropriavam sem que o imposto fosse recolhido; a Receita identificou ao menos 35 dessas empresas.
- Os mesmos FIDCs foram usados nas duas investigações para converter títulos sem lastro em recursos com aparência de legalidade; segundo o MP, eles são geridos e administrados por uma mesma instituição.
- A QI Tech afirma que não é alvo das investigações e que os fatos apurados ocorreram entre 2016 e 2021, antes da aquisição da Singulare.
Os FIDCs investigados são administrados pela Singulare Corretora, comprada pela QI Tech em 2024. A identificação dos cotistas e dos beneficiários finais dos fundos ainda depende de dados que a Receita Federal vai obter por ordem judicial, segundo o Ministério Público do Paraná.
O Ministério Público diz que, entre 2009 e 2020, o núcleo de comando do esquema foi alvo de fiscalizações da Receita Federal, de oito inquéritos da Polícia Federal, de uma busca da Polícia Civil e de ações penais, sem que a atividade parasse: as empresas descobertas eram substituídas por novas “noteiras”.
Atualmente, a QI Tech figura como a maior administradora de FIDCs do Brasil, com cerca de R$ 181 bilhões sob administração.
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