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iFood aciona Justiça contra práticas anticompetitivas da Keeta

O iFood processa a Keeta no Brasil por preços predatórios e aliciamento de restaurantes, enquanto a Keeta responde que a ação busca manter a posição dominante do iFood.

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Foto: InfoMoney
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05/11 às 14:15

Pontos principais

  • O iFood protocolou ação na 1ª Vara Empresarial e de Conflitos de Arbitragem de São Paulo contra a Keeta, acusando-a de preços predatórios e aliciamento de restaurantes.
  • Segundo o iFood, a operação da Keeta é deficitária e financiada pela matriz Meituan, e a perícia pedida verificaria o volume desses subsídios.
  • Segundo o iFood, uma análise da Compass Lexecon aponta receita líquida negativa por pedido da Keeta no Brasil, e recibos analisados pela Smart Research e pela PiniOn mostram descontos médios acima de 40%.
  • Segundo o iFood, áudios de um gerente da Keeta afirmam que a equipe foi criada para abordar restaurantes com exclusividade com o iFood.
  • O iFood já havia solicitado intervenção do Cade contra a concorrente em agosto.
  • A Keeta classifica a ação como estratégia da plataforma monopolista para manter a posição dominante, atacando uma empresa entrante.
  • A Keeta diz que o iFood tem cerca de 80% do mercado brasileiro e que cupons são prática comum no setor, inclusive do próprio iFood.

O iFood protocolou na 1ª Vara Empresarial e de Conflitos de Arbitragem de São Paulo uma ação contra a Keeta, que atua no Brasil e é controlada pela chinesa Meituan. Segundo o iFood, a Keeta opera no prejuízo, financiada pela matriz, para praticar preços predatórios e aliciar restaurantes exclusivos da concorrente. O iFood pede perícia econômico-financeira sobre o volume de subsídios.

Segundo o iFood, a Compass Lexecon aponta receita líquida negativa por pedido da Keeta no Brasil, e recibos coletados por consultorias mostram descontos médios acima de 40%. Em Hong Kong, logo após a saída da Deliveroo, a Keeta elevou as comissões dos restaurantes de 15% para cerca de 35%, afirma o iFood.

A ação também reúne áudios de um gerente da Keeta, segundo o iFood, que afirmam que a equipe foi criada para abordar restaurantes com exclusividade com o iFood. A Keeta diz que a ação busca desviar a atenção da investigação do Cade sobre o descumprimento do acordo de exclusividade que o iFood firmou em 2023, e que cupons são prática comum no setor, inclusive do iFood.

Fontes primárias

iFood (nota, via Poder360)

Nota do iFood sobre a ação judicial contra a Keeta

O iFood protocolou ação judicial contra a Keeta, controlada pela chinesa Meituan, por condutas anticompetitivas, incluindo preços predatórios, com operação deficitária financiada pela matriz e aliciamento de restaurantes exclusivos do iFood, com incentivos para quebra de exclusividade e acesso a dados confidenciais. Pede perícia econômico-financeira para verificar o volume de subsídios que mantêm os preços artificialmente baixos. A ação foi distribuída à 1ª Vara Empresarial e de Conflitos de Arbitragem de São Paulo e corre em paralelo à representação no Cade. Cita análise da Compass Lexecon segundo a qual a Keeta teve receita líquida negativa por pedido no Brasil, e segunda análise (Smart Research e PiniOn, a partir de recibos) com descontos médios acima de 40% por pedido. Cita a saída da Deliveroo de Hong Kong e a elevação das comissões de 15% para cerca de 35% após a consolidação da Keeta como precedente. Afirma que áudios de um gerente da Keeta dizem que a equipe foi criada para abordar restaurantes com exclusividade com o iFood. Lembra que a Keeta anunciou R$ 5,6 bilhões para o Brasil em 5 anos e que, até julho de 2026, havia consumido cerca de 10%.

Keeta (nota na íntegra, via Poder360)

Nota da Keeta sobre a ação do iFood (íntegra)

A Keeta classifica a ação como "estratégia clara da plataforma monopolista para manter sua posição dominante no setor, atacando uma empresa entrante". Diz que o iFood, com cerca de 80% do mercado brasileiro, consolidou sua posição por cláusulas de exclusividade impostas aos restaurantes e que a ação tenta desviar a atenção das autoridades da investigação do Cade por descumprimento do acordo sobre exclusividade. Afirma que está presente em 32 cidades, incluindo São Paulo, e que usa cupons para incentivar a experimentação inicial. Sustenta que o uso de cupons é prática comum de mercado, aplicada por todas as empresas, inclusive pelo próprio iFood. Diz que o setor brasileiro de entrega de comida "continua disfuncional" e precisa de decisões que promovam um mercado justo e competitivo.

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